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Eu amo a Microsoft

9 anos atrás

É impossível ser indiferente à Microsoft. É uma das (senão a) mais importantes empresas do segmento, praticamente moldou o mercado e seu faturamento é maior que o PIB de muitos países. Você pode até não gostar da empresa, mas há que reconhecer sua influência.

bill_gates_MSDOSO motivo para que eu goste da MS é simples: ela sempre consegue façanhas incríveis, olhando um futuro que poucos conseguer ver. Vamos relembrar: início da década de 1980, a IBM era a maior empresa de computadores do mundo. Vendo um mercado se abrir à sua frente, o de pequenos computadores pessoais, ela decidiu revisar um velho caixa eletrônico, cortar algumas coisas e ver no que dava. Software? Muito caro desenvolver… melhor seria comprar de alguém que entendesse do assunto.

Naquele momento, a IBM vendeu sua alma. E, como dizem, o diabo não é mau. É apenas atencioso.

A líder de mercado no segmento de Sistemas Operacionais, era a Digital Research, com seu CP/M. Simples, ágil, dominante. Por que não usá-lo, afinal? Dizem as más línguas que Gary Kildall perdeu a reunião com os executivos da Big Blue, porque estava preocupado demais com sua atividade preferida: voar. Talvez a verdade seja que a Digital Research quisesse quase US$ 500,00 por cada cópia do sistema operacional, enquanto a versão similar da MS sairia por volta dos US$ 40,00.

Ao abrir mão do software que comandaria as funções do PC, a IBM entregou de bandeja a maior parte dos lucros vindouros. E a Microsoft venceu seu primeiro Golias.

Para fixar: a maior empresa de computadores de então desistiu do sistema operacional líder de mercado para usar outro, completamente desconhecido, fornecido pela Microsoft.

Avanço rápido até a década de 2012. Nada de carros futuristas, Bill Gates já não produz mais monitores de tráfego. A Nokia é a maior empresa produtora de telefones celulares do mundo: vende mais que suas três principais concorrentes JUNTAS. Ano passado, foram mais de 460 milhões de aparelhos.

No entanto, assistindo seu domínio ser corroído pela concorrência e tendo três alternativas difíceis, ela escolhe a (IMHO) pior delas: usar o Windows Phone 7, sistema que tem menos de 2% do mercado, mesmo com o nome “Microsoft” por trás (eu sei que é um sistema recente, mas isso já é outra discussão). O Symbian, apesar de “atualizado” para a versão ^3, já era carta fora do baralho há tempos. O Meego, uma promessa distante. Então, por que o WP7 é a pior, Flipper? Já, já, a resposta.

Façamos, antes, um paralelo: a maior empresa do segmento desistiu do sistema operacional líder de mercado para usar outro, “que dá traço no Ibope”, fornecido pela Microsoft… depois de investir rios de dinheiro no desenvolvimento e/ou compra do que seriam suas tecnologias do futuro: Meebo e Qt. Outro Golias subjugado pela Microsoft. O fato do atual CEO da Nokia ter vindo das entranhas de Redmond é, no mínimo, digno de nota.

Mas se o Symbian já era e o Meego está longe, então, por que acusar o WP7 de “pior escolha”? Porque a Nokia abriu mão do controle do seu destino. Ela vendeu a alma.

E não adianta tentarem me convencer de que a MS “tem um extenso contrato de colaboração” com a Nokia e que vai permitir que ela faça “profundas e exclusivas customizações”… a IBM acreditou nesse papo quando desenvolveu o OS/2 e vejam no que deu.

O mais curioso é que a Nokia tenha desistido da tecnologia que permitiria que seus celulares fossem praticamente independentes do sistema operacional: a Qt, comprada da Trolltech. Os desenvolvedores poderiam simplesmente recompilar seus programas, sem modificar nada no código-fonte, caso a empresa decidisse usar o… digamos… GNU/Hurd®, num futuro muito, muito distante…

De toda essa história, o que vejo é que a MS se deu bem. De novo. É ou não para se gostar desses caras?

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