P2P: LimeWire até lutou por ele, mas, em troca, levou um belo chute da RIAA

Laguna_LimeWireBadR_07nov2010

Compartilhar arquivos é ilegal?

Não, não adianta a “velha desculpa” de querer fazer backup, daqueles velhos CDs que arranharam, e ‘emprestar’ as músicas ao contato miguxo do instant messenger favorito.

Se tais ficheiros forem algumas das mais de 11 milhões de faixas musicais, distribuídas por uns 400 serviços de distribuição/comércio online que sejam licenciados pelas empresas integrantes da RIAA, tal compartilhamento é pura e simplesmente enquadrado como pirataria.

Tio Laguna, por que só a associação da indústria fonográfica yankee teria direito exclusivo ao controle da distribuição e comércio digital das músicas existentes?

Eu gostaria de ver esse “testamento de Adão” que afastaria qualquer possível futuro concorrente na partilha do ‘bolo musical’…

Foi com esse raciocínio citado que a Lime Wire LLC, uma subsidiária do Lime Group, tomou coragem para abrir um processo contra a RIAA há quatro anos. Ooh La La!

Laguna_NutellaWorld_07nov2010

O gozado da situação é notar que a principal limonada da empresa é o LimeWire, um programa open source, feito em Java, que atua como cliente P2P sob o doce protocolo Gnutella: não é difícil imaginar que muitos dos arquivos compartilhados nele foram muito além de inocentes distros GNU/Linux.

Ironicamente, em 2007 (um ano após a abertura do processo judicial), a tal empresa lima-limão lança a LimeWire Store, uma loja de música digital que oferece faixas e álbuns de artistas independentes, cujos downloads em formato MP3 (com tamanho de 256 kib/s !) são livres de DRM. A loja não possui qualquer integração com o cliente Gnutella homônimo: “Just business… Of course!

O tempo passa, o tempo voa e a situação do LimeWire não ficou lá muito boa: em maio do presente ano, o Lime Group perdeu a nobre causa na justiça norte-americana contra a indústria fonográfica. Esta não perdeu nem tempo: a RIAA agora quer indenização, na casa dos bilhões de dólares, por danos morais pelo suposto incentivo que o grande porte do LimeWire significou à violação dos direitos autorais das gravadoras.

Isso significa que foi retirada do LimeWire toda e qualquer capacidade de compartilhar arquivos entre seus usuários: o LimeWire morre, mas não há muita coisa que impeça o compartilhamento dos doces por programas como FrostWire, Cabos, MP3 Rocket ou mesmo um futuro fork do próprio LimeWire, graças à GNU GPL. Isso sem incluirmos os clientes daquele outro protocolo P2P, o BitTorrent.

Por falar em BitTorrent, vejamos como ficam os animês, muito compartilhados em programas que usam esse protocolo para a distribuição dos arquivos.

Tais obras audiovisuais japonesas têm uma péssima distribuição no Brasil: muitos são tratados como produtos infantis pelos distribuidores e patrocinadores, que parecem achar que algum dia obterão tanto lucro quanto o que os produtos licenciados conseguiram durante o meteórico sucesso que foram Os Cavaleiros do Zodíaco, na saudosa Rede Manchete de Televisão.

Um bom exemplo recente: Naruto.

Laguna_NarutoShippu_07nov2010

Naruto, em seu 401º episódio.

Sim, o tio Laguna gosta desse longo animê aí: a Panini Comics faz um trabalho muito bom com o mangá, mas quando olhamos para a situação do animê, a coisa fica muito, muito desanimadora.

Naruto é licenciado no Brasil por um distribuidor yankee de desenhos animados. Nada contra o distribuidor em si, mas nós espectadores vemos alguns problemas:

  1. Tal empresa até disponibiliza os episódios do animê por streaming, mas o serviço não funciona no Brasil;
  2. Os episódios em (precária) exibição no Brasil possuem um grande atraso temporal em relação aos lançamentos no US&A e estes já possuem uma bela defasagem na TV de lá, em relação ao país de origem (Japão);
  3. Cada episódio é censurado adaptado para poder ser visto pelo público infantil, aquele que seria o maior alvo dos produtos licenciados. Tal censura adaptação é inclusa até mesmo nos DVDs lançados no mercado e nós colecionadores detestamos qualquer tipo de corte em relação ao conteúdo original, afinal pagamos pela mídia física (e muito caro!).

Se a internê nos possibilitaria assistir ao conteúdo original intacto no mesmo dia do lançamento, por que a única alternativa para os fãs obterem esse acesso é ilegal?

Infelizmente, parece não haver algum distribuidor cujos patrocinadores estejam interessados em prover alguma alternativa legal, que não fira quaisquer direitos autorais.

Voltando ao campo musical…

É interessante notarmos que, até devido ao tamanho bem menor dos arquivos de música, a distribuição digital das faixas e álbuns musicais evoluiu bastante, ao ponto de podermos considerar que a maior barreira à compra de alguma música seja uma possível venda casada com o restante do álbum.

Quando passamos para os clipes dessas músicas, temos várias opções de serviços que os disponibilizam por streaming, embora possa existir nesses vídeos alguma barreira regional.

Seja como for, um bom exemplo de serviço que trabalha com o streaming de clipes musicais é a VEVO, uma joint venture entre a Sony Music Entertainment, a Universal Music Group e a Abu Dhabi Media. A gravadora britânica EMI até licencia conteúdo dela à VEVO, mas não parece ter participação acionária.

Como funciona tal serviço de streaming? Os clipes musicais da VEVO são disponibilizados gratuitamente no YouTube: a renda gerada pela propaganda é dividida entre a VEVO e a Google.

Só para termos uma idéia do sucesso de tal empreendimento, a diva Lady Gaga conseguiu ultrapassar Justin Bieber e é a primeira artista a alcançar o patamar de um bilhão de visualizações de seus clipes no YouTube. É uma audiência que não podemos simplesmente desprezar.

Enquanto isso, os fãs brasileiros de animês japoneses e seriados norte-americanos têm que se contentar com downloads ilegais e legendas esquisitas para tentar assistir ao conteúdo original intacto na mesma semana do lançamento no país de origem. E o tio Laguna enrubesce o cartão de crédito ao comprar mais e mais jogos no Steam.

Entretenimento difícil esse, não?  😕

[Agradeço ao caro Yeltsin Lima por ter me cedido a pauta. Dedico o post à tia Fabiane Lima, maior fã da diva LG que conheço. E gostaria de desejar feliz aniversário ao Rodrigo Ghedin, o qual eu sempre dou muito trabalho na hora de revisar meus posts. 😉 ]

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Autor: Emanuel Laguna

O “tio Laguna” nasceu no Siará em meio à Fortaleza de 1984. Sempre gostou de brincar de médico com os aparelhos eletrônicos e entender como um hardware dedicado a jogos funciona, mas pretende formar-se como Engenheiro Eletricista qualquer dia. Antes apaixonado pelos processadores gráficos desktop, vê nos smartphones, tablets e outras geringonças mobile o futuro da computação.

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