Ronaldo Gogoni 1 ano e meio atrás
O Windows 11 está completando três anos, e a Microsoft decidiu, de forma completamente inesperada, dar um "presente" aos usuários, ao publicar instruções que permitem instalar o sistema operacional em PCs que não atendem as configurações mínimas exigidas, incluindo o polêmico TPM 2.0, que a companhia considerava, até pouco tempo atrás, uma condição "inegociável".
No entanto, a Microsoft está sendo bem clara ao avisar que NÃO apoia tal abordagem, e se o usuário insistir nela, que não espere suporte oficial ou atualizações, mesmo as críticas.

Microsoft removeu exigência do TPM 2.0, mas se algo der errado, o usuário do Windows 11 não deve esperar suporte (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)
Quando o Windows 11 chegou às lojas em outubro de 2021, muitos usuários reclamaram da exigência da Microsoft para que o SO rode, a presença do TPM (Trusted Platform Module, ou Módulo para Plataformas Confiáveis). O protocolo, também conhecido como ISO/IEC 11889111, implementa a aplicação de um cripto processador para operações de segurança, como processar e proteger senhas, implementar ferramentas de DRM, e verificar se a licença de uso do Windows é legítima, entre outras coisas.
O TPM, na versão 2.0, pode ser implementado via hardware, como um componente integrado à placa-mãe de um PC ou como um módulo à parte, fornecido pelo fabricante ou adquirido pelo usuário, ou via camada de segurança em firmware. De um jeito ou de outro, a Microsoft EXIGIA sua presença, tanto que este foi um dos motivos para o fim da compatibilidade do Windows com Macs (a Apple deixou de usar o TPM em 2006, em prol de uma solução própria), o outro sendo a migração da plataforma do x86 para o ARM. Hoje, só via máquina virtual.
O problema: em 2011, o TPM 2.0 era um recurso relativamente recente, que a Microsoft passou a exigir de OEMs que embarcavam o Windows 10 em seus laptots a partir de 2016, mas era ignorado até então em desktops; com o Windows 11, ele passou a ser um recurso obrigatório para todo mundo, sem contar a exigência de processadores relativamente recentes como exigência mínima.
Em suma, a Microsoft estava tentando repetir a estratégia do Windows Vista, de levantar a barra e forçar usuários a trocarem de PCs, de modo a fomentar a venda de laptops, CPUs, GPUs, e memórias RAM de padrões mais recentes. Por anos, muita gente preferiu se manter no Windows 10 ou em SOs mais antigos, alguns migraram para o Linux, outros ainda para o Mac, mas Redmond se recusava a mudar de ideia; no dia 3 de dezembro de 2024, a companhia reafirmou que a exigência do TPM 2.0 era inegociável.
A reação de público e mídia foi mais feroz do que de costume, o que levou a Microsoft a meio que mudar de ideia... mas não muito. Redmond apenas adotou a política caveat emptor, ou em bom português, "o comprador que se acautele".

Eu consegui fazer uma prévia do Windows 11 rodar no Raspberry Pi 4; não foi nem de longe tranquilo, nem prático, muito menos recomendável... mas rodou (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)
Em uma nova guia de diretrizes publicada na página de suporte do Windows 11, a Microsoft diz que a instalação do SO em dispositivos com configurações abaixo das mínimas recomendadas, incluindo sem o TPM 2.0, agora é possível, mas deixa uma série de avisos aos usuários:
Em resumo, quem escolher instalar o Windows 11 em um PC não suportado, estará completamente sozinho, caso alguma coisa aconteça, e não terá a quem recorrer; além disso, o SO exibirá uma marca d'água constante e notificações, alertando dos problemas de compatibilidade, e tentando convencer o usuário a atualizar seu hardware; haverá também uma opção de downgrade para o Windows 10, que expira após 10 dias contados da instalação do sistema.
A mudança de ideia da Microsoft, em relação à instalação do Windows 11 em PCs não suportados, parece ter a ver com relatórios recentes, que mostraram um aumento na base instalada do Windows 10, cujo suporte será encerrado em outubro de 2025, e uma redução do número de usuários de seu atual SO.
Embora seja uma mudança radical de pensamento, considerando que a Microsoft era adamante sobre a exigência do TPM 2.0, a companhia deixou bem claro que rodar o Windows 11 em PCs antigos não é de seu agrado, e continuará fazendo de tudo para convencer o consumidor a atualizar seus dispositivos, o que já não deu certo na época do Vista, e não está dando agora, ainda mais em uma economia pós-Covid.
Fonte: TechSpot