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Hubble captura incrível imagem da fusão de duas galáxias

Imagem do Hubble mostra fusão de galáxias a 520 milhões de anos-luz; situação do telescópio não é das melhores

13/07/2022 às 11:40

O Telescópio Espacial Hubble passou por uma série de problemas em 2021, todos causados pelo longo tempo em atividade e a falta de manutenção, graças ao fim do programa dos ônibus espaciais. Com 32 anos, mas originalmente planejado para operar por entre 40 e 50 anos, muitos se perguntam quando ele vai pifar de vez.

Por mais que o Telescópio Espacial James Webb (JWST) seja hoje o centro das atenções, o Hubble continua mostrando serviço e trazendo imagens do espaço de tirar o fôlego. A mais recente, um impressionante registro de uma fusão entre duas galáxias.

Hubble visto do Ônibus Espacial Discovery, durante a segunda missão de manutenção ao telescópio espacial, em 1997 (Crédito: Divulgação/NASA)

Hubble visto do Ônibus Espacial Discovery, durante a segunda missão de manutenção ao telescópio espacial, em 1997 (Crédito: Divulgação/NASA)

Embora relativamente raro, o Hubble captou três imagens do processo de fusão de galáxias em 2022. O primeiro foi em fevereiro, envolvendo três delas a 681 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Câncer; o segundo foi em abril, no sistema VV-689, apelidado de "Asa de Anjo".

O caso mais recente, e uma das imagens mais nítidas, foi capturada ao apontar o Hubble em direção à constelação de Órion, com o evento ocorrendo a 520 milhões de anos-luz de distância. OI sistema, chamado CGCG 396-2, é o que os astrônomos chamam de "fusão galática de múltiplos braços", onde ambos os discos das galáxias ainda são bem visíveis e definidos. É como dois aros para chaveiros entrelaçados, em uma posição formando um "X".

Neste caso, a união dos dois corpos celestes está bem mais adiantada do que nas outras observações, ao ponto de não ser possível mais considerar CGCG 396-2 como dois corpos, e sim como um único aglomerado. No seu interior, as forças gravitacionais são tão intensas, que elementos internos se colidem e formam nuvens que no futuro, darão origem a novas estrelas.

O mais interessante é que todas as galáxias em processo de fusão visualizadas em 2022, foram capturadas por astrônomos amadores do Galaxy Zoo, um projeto de Ciência Cidadã dentre os vários mantidos pela Zooniverse, financiado pela NASA e diversas universidades dos Estados Unidos, que conta com a colaboração online de hobbistas e curiosos, para ajudar na identificação e classificação de corpos celestes.

Qualquer um pode participar das pesquisas do Galaxy Zoo, a qualquer hora. Ele nasceu de um projeto de crowdsourcing, para reduzir a carga pesada de pesquisadores de classificar tudo manualmente, trazendo mais gente para um esforço conjunto.

Imagem da galáxia CGCG 396-2, localizada a 520 milhões de anos-luz da Terra, capturada pelo telescópio espacial Hubble (Crédito: William Kell/Alabama University/NASA/ESA)

Imagem da galáxia CGCG 396-2, localizada a 520 milhões de anos-luz da Terra, capturada pelo telescópio espacial Hubble (Crédito: William Kell/Alabama University/NASA/ESA)

Originalmente criado em 2007 para observar e classificar galáxias, o escopo foi sendo expandido para outras categorias de objetos, como fusões de galáxias e supernovas. Votações são conduzidas periodicamente para escolher um específico para ser alvo de um escrutínio mais preciso, e a CGCG 396-2 foi a mais recentemente contemplada.

A situação do Hubble

Infelizmente, nem tudo é festa quando falamos do Hubble. Tendo sido lançado em 1990, o telescópio espacial passou por uma série de problemas nas últimas 3 décadas, começando com o fato de ter nascido míope, graças a um desvio microscópico no espelho principal, o suficiente para fazer com que suas imagems ficassem borradas. O problema foi temporarialmente resolvido com a instalação de uma lente auxiliar, até posteriormente todo o conjunto ser trocado.

Em 2008, um defeito na Unidade de Comando/Formatadora de Dados Científicos (CU/SDF) forçou a NASA a substituir toda a Unidade de Comando de Instrumentos Científicos e Manipulação de Dados (SI C&DH) no ano seguinte, a última vez em que o Hubble passou por uma manutenção local; dois anos depois, os shuttles foram aposentados.

Sem ônibus espaciais para levar equipes e peças de reposição, os problemas começaram a se acumular. Em 2018, o Hubble apresentou um problema no giroscópio, corrigido com um reboot e uma série de manobras, feitas em terra e transmitidas remotamente.

Hubble é lançado do ônibus espacial USS Discovery, em 25 de abril de 1990 (Crédito: NASA/Smithsonian Institution/Lockheed Corporation)

Hubble é lançado do ônibus espacial USS Discovery, em 25 de abril de 1990 (Crédito: NASA/Smithsonian Institution/Lockheed Corporation)

Em junho de 2021, a Unidade de Controle de Energia (PCU) do SI C&DH instalado em 2009 deu pau, fazendo com que tanto o computador principal, quanto o backup, acionado pela primeira vez, deixassem de funcionar. O problema foi isolado e o segundo computador passou a usar sua própria PCU, ao invés da do principal, que era a fonte do bug.

Em outubro do mesmo ano, o Hubble voltou a apresentar problemas, desta vez falhas de sincronização, que novamente forçaram o desligamento dos instrumentos por um tempo. Embora este incidente tenha sido de menor gravidade, é preciso admitir que sem manutenção, os erros e bugs estão se acumulando.

O fim do suporte local, que só as equipes de astronautas em ônibus espaciais podiam prover, é uma das principais causas para a série de problemas que o Hubble está apresentando, o que poderá eventualmente levar a um erro que estará além de reparos remotos. A NASA tem esperanças de usá-lo em conjunto com o James Webb por algum tempo, mas...

É possível que o Hubble complete 50 anos de serviço ou mais, ou pode ser que ele pife de vez amanhã, deixando o trabalho todo para o JWST, é difícil afirmar com precisão. Mas enquanto ele estiver ativo, a NASA, a ESA e observadores amadores poderão continuar a usá-lo, e agraciar cientistas e leigos com imagens fantásticas do espaço.

Fonte: NASA, ESA

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