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Neil deGrasse Tyson quer pessoas explorando o espaço

Neil deGrasse Tyson comentou que devemos mandar exploradores humanos para o espaço, isso é importante também por ser uma grande fonte de inspiração.

21 semanas atrás

Todo mundo adora Marte ser o único planeta (fora Cybertron) unicamente habitado por robôs, mas como bem colocou Neil deGrasse Tyson, exploração de verdade só começará a acontecer quando humanos colocarem os pés em outros mundos.

Quando a Apollo XI estava quase pousando, além do monte de alarmes por causa do bug do radar de acoplagem que insistia em se ativar, sobrecarregando o sistema, Neil e Buzz ainda tiveram outro problema: eles não estavam exatamente na área planejada para pouso e a Águia se aproximava perigosamente de uma região repleta de pedras gigantescas.

O computador de bordo, apesar dos esforços da Margareth Hamilton, era burro demais para identificar o problema. Neil abortou o pouso automático, assumiu os controles e pousou manualmente, em uma área segura.

Hoje em dia, quando a Curiosity avança alguns metros, esse movimento é cuidadosamente coreografado, ensaiado e simulado, às vezes usando a réplica do robô na Terra. Todo aquele papo de sistema de navegação autônomo é pura groselha, a NASA não confia e não arrisca US$ 2 bilhões na ideia de que vai funcionar tudo direito.

Dos dois robôs menores, Spirity e Opportunity, o Oppy depois de mais de 15 anos foi o último que parou de funcionar. Ambos morreram por falta de energia, culpa do acúmulo de poeira em seus painéis solares.

Milhões de dólares, anos de exploração encerrados. Sabe como eles poderiam ser trazidos de volta à vida? Com ajuda da... Consuela.

Isso mesmo. Um espanador seria suficiente para salvar os robôs, mas instalar um sistema de limpeza seria pesado demais, e a vida projetada do equipamento não tornava necessário tal sistema. Se tivéssemos uma base em Marte, a manutenção dos robôs seria a tarefa mais simples do dia a dia dos astronautas.

Neste momento a INSIGHT, uma sonda de US$ 828 milhões está com dificuldades, seu penetrador (ui!) não está conseguindo penetrar no solo marciano, algum tempo atrás ele ficou preso e os cientistas levaram semanas para soltá-lo.

Ao invés de US$ 828 milhões, um astronauta com um martelo de US$ 5,00 e uma vara de metal seria mais eficiente do que a INSIGHT e sua broca.

Exploração espacial com robôs é mais segura e mais barata, mas tem o defeito de ser extremamente lenta. Um astronauta faz, fácil, o trabalho de dez robôs, além de ser muito mais versátil e poder lidar com o inesperado. Só lembrando, mandamos dezenas de sondas que se espatifaram na Lua antes de um pouso bem-sucedido, nas missões tripuladas acertamos de primeira.

Mesmo Neil deGrasse Tyson, que é bem conservador em termos de arriscar vidas, percebe isso e em uma entrevista consegue pensar bem grande.

Desde antes do começo da exploração espacial, cientistas e autores de ficção científica sonhavam com robôs construindo estruturas orbitais e em outros mundos, mas sejamos realistas, robôs ainda estão muito, muito longe de serem minimamente úteis em um ambiente variável e executando tarefas abstratas. Quem construirá nossas bases em Marte e na Lua serão os bons e velhos peões de carne e osso.

Humanos gerarão muito mais dados, muito mais informação e descobertas do que qualquer robô, mas mais que isso, eles gerarão, segundo Neil deGrasse Tyson, inspiração. Ver gente de verdade caminhando em outros mundos mudará a perspectiva de uma geração. Mais ainda, com as redes sociais nós vamos poder interagir com esses exploradores.

Imagine acompanhar em tempo real as aventuras de Colombo, Marco Polo, Cabral, Magalhães ou Leif Ericson. Ver um robô em Marte é legal, mas ver pessoas, humanos, mandar e receber um alô através de dezenas de milhões de quilômetros, isso é fantástico.

A grande briga, claro, é o custo. Elon Musk acha que consegue botar gente em Marte com US$ 10 bilhões. A estimativa de Jim Bridenstine, administrador da NASA, é que o voo dos próximos astronautas pra Lua custe entre US$ 20 e US$ 30 bilhões. Quem está certo? Provavelmente Elon Musk, ele não faz licitação para empresas construírem módulos de voo com filtros de CO2 incompatíveis.

Neil também acha que com a presença de humanos na Lua e em Marte, serão fomentadas novas indústrias, com invenções que movimentam economias inteiras. É verdade, pois uma base permanente muito rápido vai se tornar uma zona fabril de produção em microgravidade, e o quê podemos produzir em microgravidade? Ninguém sabe e essa é a beleza da coisa.

Talvez as câmeras dos celulares de 2040 venham todas da Lua, por causa de minerais extremamente puros e a facilidade de ter uma unidade industrial inteira em vácuo quase perfeito. A única certeza é que robôs trabalharão nessa fábrica, mas ela terá sido construída pelos bons e velhos e versáteis humanos.

 

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