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Gwynne Shotwell Presidente da SpaceX atira pra todos os lados e detona a concorrência

Gwynne Shotwell aproveitou um bate-papo franco e honesto, e descascou a concorrência da SpaceX, chamando todo mundo de acomodado e lentos em inovação.

27/10/2019 às 23:46

Gwynne Shotwell costuma ser o lado mais racional da SpaceX, cuidando das tarefas do dia-a-dia, deixando os holofotes e a liderança dos projetos individuais para Elon Musk, mas de modo algum ela é uma burocrata, ou uma santa, e essa semana Gwynnie soltou o verbo em uma entrevista!

Gwynne Shotwell

Gwynne Shotwell, a Loura Má da SpaceX

Quando a SpaceX foi fundada em 2002 a Concorrência já estava plenamente estabelecida. O Delta IV da ULA voou em 2002, o Delta IV Heavy, concorrendo do Falcon Heavy, voou pela primeira vez em 2004. A SpaceX só foi lançar seu primeiro Falcon 1 (e falhou) no final de 2005. Entre aquela época e hoje eles construíram o Falcon 9, construíram o Falcon Heavy, aprenderam a pousar os foguetes, construíram as Dragons e estão prestes a mandar astronautas pro espaço.

A SpaceX consegue preços 40% abaixo da concorrência, mesmo direcionando o grosso de seu orçamento pra pesquisa e desenvolvimento. Enquanto isso a NASA vem empurrando com a barriga o SLS, um foguete que ninguém quer, e que vai custar US$1 bilhão por lançamento. Não, nada nele é reutilizável, nem os motores reutilizáveis dos ônibus espaciais, que serão usados uma vez.

Em uma conversa em um evento de Ron Baron, bilionário investidor que tem participação na SpaceX, Gwynne Shotwell criticou a lentidão de todo mundo, e com razão.

1 - Arianespace

Gwynnie explicou o motivo dos europeus usarem o Ariane V, o mesmo foguete desde 1996, e não investirem um centavo em reutilização:

"O programa espacial europeu é em grande parte um programa para manter profissionais de tecnologia e engenheiros empregados. Se você puder reutilizar seus foguetes então não precisa de uma população gigante construindo novas unidades."

2 - ULA

Embora não tenha mencionado diretamente a United Launch Alliance, a SpaceX já comprou briga com eles mais de uma vez, ao forçar sua entrada no lucrativo mercado do departamento de defesa, onde um lançamento de US$40 milhões se transforma em um de US$100 milhões, pois os militares pagam sem reclamar.

Hoje a ULA está ensaiando projetos de reutilização de foguetes e redução de custos, coisa impensável alguns anos atrás.

3 - Blue Origin

A realidade é que a empresa de Jeff Bezos, fora sua trosoba espacial não tem muito o que mostrar. Sim, estão testando o BE-4, um motor que em teoria fará seu primeiro vôo em 2021, e há a promessa do New Glenn, mas Gwynnie foi incisiva:

"Eles são dois anos mais velhos que a gente. e ainda não chegaram em órbita. Eles recebem US$1 bilhão de graça, todo ano, do Bezos.

Eu acho que engenheiros pensa melhor quando são empurrados ao máximo para fazer coisas grandes em um período curto de tempo, com poucos recursos. Não quando você tem 20 anos. Eu não acho que haja motivação ou interesse lá.

Eles têm uma tonelada de dinheiro, e não estão fazendo muita coisa."

Ouch!

Mas é verdade. O New Sheppard é legal, vai render rios de dinheiro pra Blue Origin, mas está ordens de magnitude abaixo de um foguete de verdade, ele sobe em linha reta até 100Km, depois pousa, colocar algo em órbita exigem muito mais energia e muito mais tecnologia, a SpaceX levou quatro anos até conseguir, A Blue Origin nem chegou na fase de tentar ainda. Tendo sido fundada em 2000.

4 - OneWeb

Fundada em 2012, a empresa pretende construir uma constelação de satélites para prover acesso internet. Dos 650 já subiram... 6. E nessa brincadeira já acumularam aportes de US$3 bilhões de investidores. A SpaceX com muito menos que isso está tocando seu serviço Starlink, e já tem 60 satélites em órbita. Shotwell atirou sem dó:

"Se você está pensando em investir na OneWeb, eu recomendaria fortemente contra isso. Eles enganaram algumas pessoas que vão ficar muito desapontadas a curto prazo."

Gwynne Shotwell não tem papas na língua, e não está preocupada em ser diplomática com quem não paga suas contas (da NASA ela não falou nada, claro). Já os concorrentes preferiram não comentar, ou mandar respostas genéricas. Não importa, a mensagem foi dada. Quem não se mover vai ser atropelado.

Fonte: CNBC

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