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Senadora dos EUA quer desmembrar Google, Facebook, Amazon e Apple

Para Elizabeth Warren, Google, Facebook, Amazon e Apple constituem monopólios, e devem ser fragmentados para não prejudicarem a concorrência

11/03/2019 às 9:30

Google, Facebook, Amazon e Apple ganharam uma nova inimiga: Elizabeth Warren, senadora do Partido Democrata pelo estado de Massachusetts, e pré-candidata à presidência dos Estados Unidos em 2020, revelou um plano para fragmentar as companhias, que ela considera monopólios, em empresas menores, de modo a favorecer a livre concorrência e a inovação do setor.

Logos Google, Apple, Facebook, Amazon

O plano da senadora, publicado na última sexta-feira (08) no Medium é uma promessa de pré-campanha, que visa combater o atual cenário do mercado de tecnologia. Segundo Warren, toda e qualquer empresa do país deve "jogar segundo as regras", mesmo e principalmente as grandes, que por conta de seu tamanho e valor, se julgariam no direito de fazerem o que querem.

Ao mesmo tempo, a senadora defende que o cenário para futuras novas empresas não é saudável, com Google, Amazon e Facebook (ela se focou nessa trinca, mas calma que eu já chego na Apple) dominando tudo, o que representa uma séria ameaça ao desenvolvimento e surgimento de novas soluções.

"Elas (Google, Facebook e Amazon) arrasaram a concorrência, usaram nossas informações privadas para obterem lucro, e viraram o campo de jogo contra todos os outros (concorrentes). E no processo, elas prejudicaram as pequenas empresas e sufocaram a inovação."

O que Warren propõe, caso seja eleita presidente dos EUA, é dividir as companhias em empresas menores, separando quaisquer partes que lidem com produtos de terceiros, como a loja da Amazon ou a Play Store, que ficariam proibidas de vender produtos e softwares desenvolvidos por ela própria.

Este ponto, segundo uma nota da equipe da senadora enviada à rede CNBC, atinge de forma intencional também a Apple, que a seus olhos, pratica monopólio ao não permitir a entrada de nenhuma outra loja de apps no iOS. Dessa forma, a companhia teria que escolher entre manter a App Store, ou desenvolver suas aplicações e distribui-las de outra maneira.

A medida também afetaria o Google, que oferece seus próprios serviços através do mecanismo de busca, enquanto retorna os resultados similares de concorrentes solicitados pelos usuários.

Senadora dos EUA Elizabeth Warren (DEM/MA) / google apple facebook amazon

Senadora Elizabeth Warren: segundo ela, as gigantes tech precisam ser desmembradas

O segundo passo a ser dado é ainda mais ousado: Warren prometeu revogar processos de fusão e aquisição dessas e outras companhias tech, que venham a ser consideradas "ilegais e anticompetitivas". Ela cita as compras do Waze, Nest e DoubleClick pelo Google, e do Instagram e WhatsApp pelo Facebook, como exemplos de processos que deverão ser desfeitos, de modo a estimular um ambiente mais saudável para o livre mercado, e para forçar maior responsabilidade das mesmas para com os dados dos usuários, vide os mais recentes rolos do Facebook.

Tais ideias não são novidade nos Estados Unidos, que possui histórico de quebrar monopólios em empresas menores: vale citar os casos da Standard Oil Co. em 1911, e da AT&T em 1982. Ainda que em ambas ocasiões alguns "filhotes" tenham se recombinado, gerando outras grandes companhias (ExxonMobil, a atual AT&T, CenturyLink e Verizon), o processo de fragmentação deve ser visto com o contexto de suas épocas, e os danos que as gigantes originais causavam ao mercado como um todo.

Claro que o plano de Warren já enfrenta resistência: Carl Szabo, vice-presidente e conselheiro geral do NetChoice, um grupo de comércio eletrônico (do qual o Facebook faz parte) disse que as medidas levariam a alta de preços de produtos e serviços; já Jessica Melugin, diretora associada de Tecnologia e Inovação do CEI (Competitive Enterprise Institute), instituto de estudos que promove iniciativas de livre mercado, disse que o plano é "um experimento regulatório condenado", e que não devem haver barreiras para a criação de soluções que mudem o setor.

Vale lembrar também que Google, Amazon e Facebook estão entre os maiores doadores a políticos, tendo desembolsado respectivamente US$ 21 milhões, US$ 14,2 milhões e US$ 12,62 milhões em 2018 (dados do Congresso) para fazer lobby. Logo, a ameaça de uma redução nas doações de campanha pode levar ao Partido Democrata a não fechar com a candidatura de Warren, optando por outros senadores, como Bernie Sanders (que não passou da última prévia), ou Kamala Harris.

Com informações: CNBC.

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