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Era uma Vez no Oeste - a minha interminável saga no Red Dead Redemption 2

Depois de várias semanas explorando o Velho Oeste, minha saga no Red Dead Redemption 2 ainda está de longe de terminar e estou achando isso muito bom!

48 semanas atrás

Eu tenho um sério problema com jogos de mundo aberto. Para mim, começar um título com essa característica é garantia de que passarei muitas horas explorando cada canto, conversando com todos os personagens que encontrar pelo caminho e tentando realizar todas as missões que me forem dadas. Eu sabia que com o Red Dead Redemption 2 não seria diferente, mas o que eu não poderia esperar era que com o tempo cresceria em mim a vontade de nunca terminar esse jogo tão espetacular.

Parte disso se dá ao fato de que, ao contrário do que vemos normalmente em jogos assim, a criação da Rockstar raramente tem me obrigado a seguir por um caminho pré-determinado, seja interrompendo as minhas andanças com uma missão, seja me incentivando abertamente a encontrar colecionáveis que estão ali apenas para fazer volume.

Oferecer metas ao jogador costuma ser a tática mais utilizada pelas desenvolvedoras para nos manter presos a um game, mas no Red Dead Redemption 2 isso acontece de maneira tão sutil, que não me espanta um número tão pequeno de pessoas terem chegado ao seu fim. Nele não veremos o protagonista adquirir muitas habilidades com o tempo, não teremos que alcançar lugares altos para desbloquear pedaços do mapa, nem precisaremos adquirir itens poderosíssimos para enfrentar o chefão final.

O game até tenta nos incentivar a continuar jogando ao nos dar por exemplo um pouco mais de fôlego com o tempo ou mira manual ao desacelerar o tempo, ao nos permitir criar um vinculo com o nosso cavalo ou liberar armas melhores do que as que temos. Há ainda o acampamento onde moramos, que também pode ser melhorado, mas nada disso chega a ser fundamental para a progressão da aventura.

O lado negativo dessa aposta da desenvolvedora é fazer com que o jogador se sinta abandonado, achando que nada do que ele fizer será recompensado e por isso entendo quando alguns dizem que o Red Dead Redemption 2 é um jogo arrastado, quase um simulador de faroeste onde precisamos apenas dormir, comer e tentar passar mais um dia vivo.

Porém, essa tentativa de nos entregar um jogo mais realista me faz crer que a melhor qualidade do Red Dead Redemption 2 está justamente na maneira orgânica como tudo se encaixa naquele universo. Ao explorar o fictício oeste americano criado para o game, a todo momento presenciaremos situações capazes de chamar a nossa atenção, com cada construção ou personagem se encaixando de forma mais natural possível na paisagem.

Eu pelo menos nunca esquecerei dos meus primeiros minutos após fugir da montanha, quando ao me dirigir para uma cidade nas redondezas encontrei um sujeito e seus filhos construindo uma casa. Após conversar um pouco com eles, segui a minha vida e pensei que nunca mais voltaria ao local, já que o natural seria a obra nunca passar daquele estágio inicial e se eu fosse falar novamente com eles, só veria uma repetição de frases.

Para minha surpresa, alguns dias depois eu estava passando por perto e notei que naquele momento a casa já contava com uma parte do telhado e ao me aproximar, vi a família sendo atacada por bandidos. Inconscientemente tomei as dores daquele pessoal, salvando-os da morte e se isso permitiu que a construção continuasse, não sei o que aconteceria caso os deixasse morrer.

Situações assim, onde podemos interferir no mundo a nossa volta, acontecem por todos os lados e mesmo sabendo que existe uma boa história principal a ser contada no Red Dead Redemption 2, são aquelas secundárias, aparentemente irrelevantes que tem me fascinado. São pessoas que precisam de ajuda ou que simplesmente podemos explorar, são decisões que precisamos tomar e que não fazemos ideia dos efeitos que elas terão, é a ideia de viver uma época ao mesmo tempo tão fascinante e repugnante...

Tudo bem, o Velho Oeste da Rockstar é uma coleção de clichês e estereótipos visto nos filmes do gênero, mas sinceramente? Eu não me importo. Não me importo se Sadie Adler é a mais uma mulher que busca vingança após ter a sua família destruída, se Dutch Van der Linde é um chefe de gangue manipulador ou se o reverendo Swanson é o típico homem de fé que afoga suas mágoas na bebida. Sim, nós já cansamos de ver tudo isso em faroestes, mas como tenho gostado de estar ao lado dessas pessoas e de certa forma construir a minha própria história ao lado delas!

Contudo, se existe algo que realmente pode quebrar a imersão que o jogo tem a oferecer, é a maneira como o nosso personagem se comporta. É estranho ver que se num momento Arthur Morgan está ajudando uma donzela indefesa ou levantando questões morais sobre os crimes que comete/presencia, no outro ele pode muito bem estar tocando o terror numa vila ou agindo como um verdadeiro psicopata. O sistema de moral até tenta colocar um freio nas nossas ações, já que qualquer atitude fora da lei colocará um alvo enorme nas nossas costas e logo surgirão caçadores de recompensas. Ainda assim, essa bipolaridade do protagonista soa estranha.

Esses pequenos detalhes podem servir para explicar porque eu tenho encarado o Red Dead Redemption 2 sem pressa, tentando aproveitar o máximo que posso do enorme mundo que ele nos entrega e as muitas pequenas história que tem para contar. No entanto, com isso não quero dizer que o jogo deva ser aproveitado desta ou daquela maneira, apenas elogiar o trabalho feita pela Rockstar em relação a nos proporcionar algo tão aberto que cada um poderá encontrar diversão ali da forma que achar melhor.

Trata-se de um jogo complexo, que deixa claro a todo momento que os seus criadores pensaram nos mínimos detalhes e que exigirá muita dedicação e paciência por parte de quem o jogar. O simples fato de irmos de um ponto a outro do mapa normalmente exigirá vários minutos de cavalgada, mas o que alguns podem apontar como um defeito, prefiro ver como um acréscimo para a imersão e uma forma de aumentar a chance de termos alguns encontros inusitados.

Pode até ser que um dia eu veja o desfecho desta parte da saga da gangue Van der Linde, mas hoje eu só consigo pensar que o melhor é aproveitar a viagem e não me importar com o destino. Enquanto isso seguirei buscando comida, caçando procurados pela justiça, descobrindo aos poucos a história de Arthur Morgan e seus parceiros de crimes, mas principalmente, conhecendo as muitas histórias absurdas que o Velho Oeste tem para contar.

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