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Battlefield V — Review

Battlefield V, o novo título da franquia de guerra da EA traz histórias pouco conhecidas da 2ª Guerra, mas oferece menos conteúdo do que o ideal

28/11/2018 às 10:00

A principal franquia de FPS da EA também voltou para casa: Battlefield V traz a série abordando mais uma vez a Segunda Guerra Mundial, mas de forma diferente e com muitas opções para o jogador se divertir. Claro, com alguns problemas irritantes, principalmente para quem adquiriu o título no seu lançamento.

Leia nossa análise e descubra o que o game tem a oferecer.

Wallpaper / capa de Battlefield V

Uma nova roupagem, mas ainda Battlefield

A série Battlefield sempre foi considerada mais voltada à história e direção de arte do que a rival Call of Duty, principalmente por não se focar em lançamentos anuais. Assim, a desenvolvedora DICE possui uma janela maior para entregar uma experiência de guerra melhor trabalhada, mas sem se afastar de suas raízes.

Em Battlefield V é o que temos: um retorno ao maior conflito armado que a humanidade protagonizou, com um multiplayer sólido e divertido mas ao mesmo tempo, experiências offline interessantes e muito bem desenvolvidas.

A diferença desta vez é que a DICE se afastou de histórias óbvias, e se concentrou em apresentar contos de frontes menos abordados em documentários e jogos.

Battlefield v / Histórias de Guerra

O modo Histórias de Guerra conta inicialmente com quatro episódios (mais sobre isso a seguir) que abordam eventos ocorridos no norte da África, em que o jogador assume o controle de um criminoso britânico que recebe duas escolhas, ir para guerra ou mofar na prisão, na Noruega, protagonizada pela força de resistência do país e em Provença, o mais interessante dos três.

Ele narra a história da Infantaria Tirailleur senegalesa, uma tropa da França colonial composta principalmente por negros africanos, convocada para defender um país em que nunca haviam botado os pés, e que depois do conflito foram bastante segregados (resumindo, os méritos deles passaram para as mãos de Charles de Gaulle, que ordenou o “embranquecimento” das tropas e a dispensa dos senegaleses, que levou a revoltas e casos extremos, com o Massacre de Thiaroye).

De forma prática, todas as três histórias possuem jogabilidade bem construída e apresentam belas locações, com um nível equilibrado de desafio e missões alternativas a serem completadas. O quarto capítulo é um prólogo, que resume tudo o que o jogador terá à sua disposição no game.

Battlefield V / cena do prólogo

No Multiplayer, temos os vários modos como o Operações Grandiosas, uma atualização do antigo Operações e que muda bastante a dinâmica dos combates, ao mesclar a captura de pontos no mapa com missões; as locações são dinâmicas, o desempenho muda conforme o que você acumular de um dia para o outro. Isso se reflete em sua munição, em como você retorna ao combate após ser abatido e muito mais. Cada Operação começa com uma inserção num território, e ele pode ser feito por terra ou por ar, como no caso do mapa da Noruega.

Os modos de combate multiplayer Cada Equipe Por Si, Conquista, Dominação e Ruptura e Linhas de Frente, este último uma mescla de vários elementos e bastante interessante propiciam uma grande carta de opções ao jogador, que também poderá customizar pesadamente seu esquadrão, armas e veículos conforme seu desempenho.

Tanto o modo Campanha quanto o multiplayer permitem o acúmulo de moedas virtuais, que são usadas para comprar trajes, armas, tanques, aviões e etc. E diferente dos últimos títulos da série (e um passo inesperado vindo da EA, mas que está se tornando comum, vide Star Wars: Battlefront II e Titanfall 2), Battlefield V não possui Season Pass; todas as customizações pagas com dinheiro real são cosméticas, na forma de uma expansão para a versão Deluxe que adiciona mais itens.

Sobre o game em si, Battlefield V está mais visceral e realista. qualquer jogador pode recuperar um companheiro caído e não mais apenas o médico, e a recuperação de energia não é mais total quando protegido dos tiros. Será preciso vasculhar o mapa atrás de kits de primeiros socorros, além de veículos, armas e munição. As caixas de cura, que todo mundo podia usar sumiram, e a recuperação passou a ser individual.

Battlefield V / tela de jogo

Cada líder de esquadrão pode acumular pontos de conquista para acionar o chamado de suporte, que varia entre veículos e suprimentos a bombas, e cada soldado pode construir fortificações para reforçar sua posição (nada como Fortnite, entretanto). Claro, se um inimigo te abater mesmo assim, ele pode pegar sua base para si.

Como ponto negativo, a DICE removeu os veículos colossais e armas especiais, que poderiam virar o resultado de uma partida de uma hora para outra, mas no geral, o combate é bastante dinâmico e melhorou bastante, quando comparado com Battlefield 1.

Cadê o conteúdo que deveria estar aqui?

Tecnicamente Battlefield V é excelente, com gráficos no mesmo nível dos vistos em Battlefield 1, ma no geral, quando comparado ao título de 2016, ele parece… menor. Um ponto negativo da EA ter aberto mão do Season Pass, como forma de atrair mais jogadores, incluinddo conteúdos através de atualizações gratuitas é que a grana obviamente encurtou.

É aí que reside o problema: a versão de lançamento do game é raquítica. No Modo Campanha você possui uma história a menos, já que O Último Tiger (que contará os últimos dias da guerra sob o ponto de vista de um oficial nazista) só chega no dia 04 de dezembro.

Battlefield V / Modos de Jogo

Ele faz parte do primeiro pacote de atualizações que o game deverá receber até o fim do primeiro semestre de 2019, que incluem os modos de Treinamento, o retorno do clássico modo Rush no multiplayer, e em março, o tão esperado modo Fogo Cruzado.

Este nada mais é do que o modo Battle Royale, que reunirá 100 jogadores em um cada por um si, seguindo a tendência de PlayerUnknown’s Battlegorunds e Fortnite: Battle Royale. A Activision, mais ligeira já incluiu o modo em Call of Duty: Black Ops 4, chamado Blackout.

Claro que é uma estratégia para viabilizar a inclusão de conteúdos gratuitos tendo como base as vendas do jogo-base, já que não poderá contar com a grana do Season Pass desta vez, mas o problema é que a DICE foi conservadora demais. O escopo dos mapas e a dimensão dos capítulos do modo Campanha são bem mais limitados do que vimos em Battlefield 1, e em uma comparação direta, ao menos por enquanto Battlefield V é um título menor do que seu antecessor. Em todos os sentidos.

Em outros detalhes, em nome da sensibilidade das pessoas que hoje em dia reclamam por qualquer coisa, a EA removeu completamente a existência de suásticas ou mesmo o termo “nazista” do jogo, trocando-o por “alemães” ou “exército alemão” (o termo “Eixo” permaneceu), até no modo Campanha, algo que Call of Duty: WWII não chegou a tanto (mas tirou do multiplayer). Se comparado então com os títulos da franquia Wolfenstein, tal atitude chega a ser ridícula.

Ninguém está defendendo nazistas, mas ao mesmo tempo o jogador não é idiota, ele conhece a história e não é removendo um símbolo que você apaga o que aconteceu, algo que a Apple já fez.

Conclusão

Battlefield V / cena de Nordlys

Battlefield V é talvez o melhor e mais completo game de combate sobre a Segunda Guerra Mundial, mas ao menos por enquanto, quando comparado com Battlefield 1 ele parece fraco, com pouco conteúdo. Ainda assim, as opções de jogo tanto no modo Campanha, que ganha pontos ao fugir do lugar comum, quanto no Multiplayer são várias e há diversas opções de customização.

A EA tomou vergonha na cara e pela primeira vez em muito tempo, lançou um game que não possui Season Pass e todos os conteúdos relevantes serão inclusos gratuitamente, mas outro lado colocou no mercado um jogo incompleto, que ainda não recebeu uma série de elementos. A meu ver, ele ficará muito mais interessante a partir de março, quando o modo Fogo Cruzado estiver disponível.

Até lá, CoD: Black Ops 4 continua uma experiência levemente mais completa, mesmo com conteúdos ligados ao Season Pass.

Ficha Técnica

  • Título — Battlefield V;
  • Plataformas —PS4, Xbox One e PC;
  • Desenvolvedora — EA DICE;
  • Distribuidora — Electronic Arts;
  • Preço — R$ 239,90 para PS4, R$ 239,00 para Xbox One e PC via Origin;
  • Pontos Fortes — modo multiplayer sólido e dinâmico; não tem Season Pass, todos os DLCs são cosméticos e atualizações de conteúdo serão gratuitas; foco do modo Campanha em frentes pouco conhecidas da Segunda Guerra Mundial;
  • Pontos Fracos — o game ainda está bastante incompleto; escala e ambientação menores do que o esperado da franquia.

O Meio Bit analisou Battlefield V no PS4 Pro com uma cópia digital cedida pela Warner Games Brasil.


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