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The Writer’s Map, um atlas de terras fictícias

O livro The Writer’s Map conta com mapas de lugares imaginados desde a Terra Média até Nárnia, além de depoimentos de artistas e autores.

08/11/2018 às 15:37

O livro The Writer’s Map (O Mapa do Escritor) é como um atlas dedicado a terras que não existem de verdade, mas saíram da imaginação de autores de livros, conquistando no processo a imaginação de milhões de leitores ao longo dos anos, para os quais elas se tornaram praticamente reais. Talvez o termo “atlas” não seja apropriado, pois o livro não mostra apenas mapas, mas sim as histórias por trás deles.

Lewis-Jones, o editor/autor de The Writer’s Map, é historiador e já escreveu livros sobre grandes aventuras humanas no Monte Everest e no Pólo Sul, mas desta vez, resolveu se dedicar somente ao universo da ficção. Na obra, ele leva os leitores em uma viagem por mapas dos mais variados lugares imaginados, desde os da Terra Média de J.R.R. Tolkien em O Hobbit até os de Nárnia na obra de C.S. Lewis, passando pelo Bosque dos 100 Acres do Ursinho Puff de A.A. Milne.

The Writer's Map

Além dessa linda capa, The Writer’s Map tem depoimentos de vários autores que contam as histórias de como criaram seus mapas, e também qual foi a influência dos mapas fictícios que os inspiraram, como o de David Mitchell, que mostra com suas palavras e seus desenhos como crescer vendo os mapas de Tolkien o deixou fascinado com mapas, e também sua experiência ao criar o mapa para o seu livro Cloud Atlas, e eu inclusive recomendo a leitura na New Yorker de um pequeno trecho do livro no qual ele fala sobre sua cartografia imaginária (e explica de onde ela veio).

Entre as colaborações, outra que chama a atenção é a de Miraphora Mina, que conta detalhes sobre como adaptou o ”Mapa do Maroto” criado por J.K. Rowling para a tela nos filmes do Harry Potter, fazendo todo o trabalho manualmente, com papel, tinta e muita paciência: “Ao fazer isso, as linhas entre o que é real e a fantasia, entre o material de referência e o recriado, são reduzidas. Os artifatos parecem reais, talvez até mais reais. Eles estão vivos.”, nas palavras da artesã.

The Writer’s Map também tem um texto bem legal de Robert Macfarlane, que fala sobre a influência do mapa do clássico Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson. Joanne Harris, autora do livro Chocolate, fala sobre os mapas nórdicos dos vikings (seu capítulo se chama Reconstruindo Asgard), e Daniel Reeve conta como adaptou os mapas de Tolkien para a trilogia do Hobbit nos cinemas.

Em outro trecho do livro que pode ser lido online, Lev Grossman, autor da trilogia The Magicians, conta como os jogos de RPG e Dungeons and Dragons levaram muitas pessoas a desenharem seus mapas de suas aventuras em cadernos e papéis quadriculados nos anos 80. No seu texto, Grossman também cita o fato de que a fantasia virou algo mainstream hoje em dia, e como ela pode ser importante para lidar com o nosso mundo, que enfrenta problemas reais simplesmente fingindo que eles não existem.

Nas palavras de Grossman: “Todos os mapas são fascinantes, mas existe algo extra-hipnótico sobre mapas de lugares que não existem. Mapas são parte do aparato da realidade, e da sua navegação. Existe um prazer subversivo e elétrico em vê-los religados em algum lugar fictício. Na maior parte dos casos, o mais perto que você chega de realmente visitar o lugar em um mapa ficcional é lendo sobre ele, mas na minha juventude, eu cheguei um pouco mais perto. Eu fiz isso ao jogar Dungeons & Dragons.”

O final do livro fica por conta do desenhista Chris Riddell, um artista cujo trabalho que eu admiro muito, e que é conhecido pelas parcerias com Neil Gaiman. Pra quem tiver ficado curioso sobre o livro, além dos trechos já citados, também é possível ler partes dos capítulos de Frances Hardinge, Robert Macfarlane and Miraphora Mina no The Guardian.

A capa de The Writer's Map é absolutamente linda.

Saiba mais sobre The Writer’s Map no GoodReads.

Outro livro interessante de Lewis-Jones é Explorers’ Sketchbooks, que foi lançado ano passado, e mostra os cadernos de desenhos de aventureiros e exploradores, incluindo alguns bem ilustres como Sir Edmund Hillary, Charles Darwin e Thor Heyerdahl, e outros nem tão conhecidos, mas também muito interessantes. Fiquei curioso pra ver os cadernos de Adela Breton, que documentou monumentos Maias nas florestas do México.


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