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BAE Systems pesquisando cockpit virtual. Sim, igual o Homem de Ferro

Interfaces são extremamente importantes para tudo que usamos, de elevadores a armas nucleares, e o principal não é mostrarem muita informação mas informação relevante. a BAE Systems por isso está desenvolvendo uma interface para caças em... realidade aumentada.

1 ano atrás

A parte mais complicada de qualquer sistema é a Interface. E falo isso enquanto programador. Desenvolver as funcionalidades é tranquilo, por mais que a gente bata cabeça, mas fazer com que elas estejam acessíveis ao usuário, quando ele precisa delas isso é difícil. A Microsoft gasta milhões estudando como as pessoas usam seus programas, uma simples mudança de layout economiza fortunas em ligações para o suporte.

Muitos usuários trocam de programa atrás de novas funcionalidades que seus programas antigos eram plenamente capazes de atender, mas esses recursos estavam escondidos no fundo de algum menu perdido. Um bom exemplo foi quando eu resolvi aprender a usar o editor de vídeo do Blender e um monte de gente inclusive muitos usuários de Blender perguntaram "QUÊ editor de vídeo?". Sim, o Blender tem um.

A interface ideal precisa ser intuitiva e contextual, e sequer precisa de montes e montes de texto. Um exemplo didático de como uma boa interface consegue passar informação é no Star Wars Episódio 1, durante a corrida de pods, quando o Sebulba sabota o pod do Manekin Skywalker, e o garoto conserta o problema ali mesmo. Mesmo com uma interface literalmente alienígena, sem a gente entender nada do que está escrito, percebemos exatamente cada passo do processo, veja (a partir do minuto 2:30):

Nem sempre a ficção acerta, Jornada nas Estrelas por exemplo é famosa por seus painéis psicodélicos de botões coloridos sem nenhuma inscrição ou indicação de função, e a Nova Geração tinha a LCARS - Library Computer Access/Retrieval System. Composto basicamente de dioramas, era feita com painéis de silk screen para ficar bonito no fundo das cenas, mas como interface era uma tragédia:

Por pura necessidade as interfaces de antigamente eram obrigadas a mostrar todas as opções de uma vez, como resultado temos aberrações como a cabine do Concorde:

Ou então a Apollo, uma nave com menos espaço que coração de ex e que mesmo assim tinha nos painéis  24 instrumentos, 566 botões, 40 indicadores de eventos e 71 luzes.

Com o tempo o pessoal foi percebendo que seria mais prática uma interface mais contextual, onde ao invés de sobrecarregar o usuário com 18 milhões de informações por segundo, fosse mostrada apenas a relevante praquele momento.

É uma questão de praticidade, o comando pra ativar o gerador de chemtrails é inútil abaixo de 10 mil pés, só está ocupando espaço e poluindo o painel, atrapalhando o piloto de achar o botão de Taxi, que serve para chamar um Uber quando ele está chegando para pousar e já ficar esperando pra ir pra casa.

 

As interfaces contextuais, claro, dependem de telas e processamento, que só começaram a aparecer nos Anos 60, mas ainda eram acompanhadas de backups analógicos para instrumentos importantes. O ônibus Espacial por exemplo tem muitos displays multifuncionais mas ainda bastante comando tradicional:

Agora compare o Cockpit de um Boeing 747 das primeiras gerações...

Com o cockpit do KC-390 da Embraer:

E não pára por aí. O Saab Grippen NG, o caça que o Brasil (finalmente) comprou e está sendo desenvolvido na Suécia em sua versão mais moderna usa um painel único no cockpit:

Detalhe, esse painel está sendo desenvolvido pela AEL Sistemas de Porto Alegre, e como não é projeto do nosso programa espacial, o primeiro foi entregue no prazo, ano passado.

Esse não é o fim, custando US$400 mil o F-35 vem com algo mais moderno ainda, que as crianças chamam, para alegria do Thomas Green Morton de RA! A Realidade Aumentada.

O brinquedo usa um monte de câmeras e sensores para dar visão 360 graus ao piloto, ele pode literalmente olhar para baixo e ao invés das pernas, ver o céu (ahá! estava voando invertido!) e os alvos à sua volta.

Isso dá uma percepção situacional excelente, mas também não é o fim.

A BAE Systems inglesa está pesquisando o chamado "cockpit vestível", usando rastreio ocular e realidade aumentada.

Os painéis reais do avião seriam apenas peças brancas ou com algum tipo de marcador de RA, o capacete faria o resto.

Com o sistema sabendo exatamente para onde o piloto está olhando, ele nem precisa esticar o braço para acionar um comando, imagine que uma tecla fique realçada confirmando que está sendo focada, e um simples gesto de mão aciona o comando.

O Leap Motion já demonstrou que é possível manter interfaces em realidade aumentada bem estáveis, e ele é basicamente um brinquedo comparado com a tecnologia de uma BAE Systems.

A idéia de interfaces em Realidade Aumentada em si não é nova, mas esbarra no problema de você precisar de um equipamento muito caro pra ter um campo de visão realmente grande, e é incômodo usar um capacete gigante cheio de fios no meio de um escritório. Já um cockpit de um caça é o ambiente ideal para esse tipo de tecnologia.

Com muito pouca imaginação podemos ver esse tipo de interface funcionando em tanques, dando aos comandantes uma percepção que antes estava restrita aos generais e aos gamers.

Fonte: BAE Systems

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