Home » Games » Análises » Marvel’s Spider-Man — Review

Marvel’s Spider-Man — Review

Com uma qualidade técnica muito acima da média, uma boa história e ótima jogabilidade, a nova aventura do Homem-Aranha é imperdível tanto para fãs quanto para quem apenas procura um ótimo jogo. Leia a nossa análise e entenda o porquê.

21/09/2018 às 8:04

De acordo com o dicionário Michaelis, herói é o ”homem que se notabiliza por feitos guerreiros ou atos de grande coragem; um indivíduo que se distingue por seus feitos.” Isso poderia servir para descrever um jovem de Nova York chamado Peter Parker, mas depois de conhecer a versão para a sua história que chegou ao PlayStation 4, acredito que não seria justo reduzi-lo a apenas essas poucas palavras.

Apesar de ter uma mente brilhante e trabalhar ao lado do cientista Otto Octavius na criação de próteses para amputados, Peter tinha tudo para ser um garoto normal. Ele vive com problemas para pagar o seu aluguel; tenta reatar o seu relacionamento com a bela repórter Mary Jane; possui uma série de dificuldades para cumprir horários e dedica parte do seu escasso tempo livre a uma instituição de caridade onde trabalha a sua tia, May. O que difere aquele rapaz dos demais é que nem tudo na sua vida é o que parece, já que Peter é o Homem-Aranha.

Assumindo que boa parte dos fãs já conhecem o passado do Cabeça de Teia, a Insomniac Games optou por não iniciar o Marvel’s Spider-Man contando a sua origem, nos entregando um personagem que já está calejado da sua batalha contra os bandidos e que logo no início precisa encarar um dos seus maiores adversários, o Rei do Crime.

O que torna o enredo do jogo mais interessante é a maneira como o estúdio consegui dar dicas do que aconteceu no passado mesmo sem recorrer a flashbacks. Peguemos como exemplo um trecho em que MJ vê uma espada que Wilson Fisk usou para quase matar o protagonista e ao afirmar que naquela ocasião foi ela quem cuidou do Aranha, faz com que a história entre eles tenha uma grande carga emocional.

Outro ponto que ganha muito com essa decisão da desenvolvedora é que embora saibamos que outros vilões darão as caras, nunca sabemos exatamente quando isso acontecerá. Isso funciona perfeitamente no caso do Dr. Octavius, afinal sabemos que ele se transformará no temido Octopus e conforme a história se desenrola, torna-se quase palpável a tensão por vê-lo desenvolvendo as garras que lhes servirão como armas.

Nova York, a cidade que nunca dorme

Porém, mesmo com uma história muito interessante a se contar, Marvel’s Spider-Man ainda é um jogo de mundo aberto e por isso teremos uma finidade de coisas para fazer no mapa. Para aqueles que sempre estranham o herói abandonar a missão principal para ficar catando migalhas pelo cenário, isso ainda existe aqui, mas felizmente a Insomniac fez um ótimo trabalho ao tornar a experiência mais imersiva.

Podendo ser descrita como a melhor recriação que a cidade já teve em um jogo eletrônico, explorar a enorme Nova York virtual nunca parece algo entediante, com assaltos, sequestros, perseguições e tiroteios acontecendo por todos os lados. Se considerarmos que algo assim realmente aconteceria, é plausível pensarmos que o Amigo da Vizinhança faria uma paradinha aqui ou ali para ajudar as pessoas.

Some a isso o fato de que as muitas missões secundárias nos darão itens que poderão ser utilizados para desbloquear equipamentos ou uniformes e tentar realizá-las nunca fica parecendo uma obrigação. Tudo bem que pode parecer estranho ter que caçar pombos ou passando por nuvens de poeiras pela cidade, mas a menos que você queira fazer 100% da aventura, basta ignorar as missões menos interessantes/plausíveis.

Homem-Aranha, mas pode chamar de Sr. Agilidade

Há também um detalhe que ajuda a aumentar essa sensação de organicidade que a cidade nos passa, que é a agilidade com que o aracnídeo se move pelos prédios. Chega a ser impressionante a maneira como a Insomniac conseguiu reproduzir os movimentos do personagem, tanto nas lutas quanto na própria locomoção.

Confesso que nos primeiros minutos sofri um pouco para “entender” a física do jogo, mas não demorou muito até que eu dominasse a arte de lançar teias nos edifícios e conseguir ir de uma ponto ao outro com extrema rapidez. Com tempo até fui capaz de orquestrar ataques aéreos surpresas, dar rasantes no meio do trânsito ou fazer acrobacias entre um salto e outro.

Já nos combates, a movimentação do Spider parece um balé, com vários dos seus golpes vindo da nossa capoeira e em muitos casos os inimigos nem sabendo como foram acertados. Embora o jogo claramente tenha se inspirado na série Batman Arkham neste aspecto, a leveza e a graciosidade do Homem-Aranha torna as lutas bem mais dinâmicas e o simples fato de podermos nos mover usando a teia torna a experiência única e simplesmente fantástica.

Nos pequenos detalhes

Mas se não bastasse uma jogabilidade que beira a perfeição, um enredo cheio de vilões e uma qualidade gráfica impressionante — inclusive sem quedas de frames perceptíveis, mesmo no PlayStation 4 normal —, um dos principais destaques do Marvel’s Spider-Man é o cuidado que a equipe responsável teve pelo game.

A todo momento é possível vermos pequenos detalhes que dão um toque especial à aventura, como o fato de os bandidos jogados dos prédios nunca morrerem, já que são presos pelas teias do Aranha ou a inclusão de uma espécie de Twitter, que mostra mensagens publicadas pelos habitantes de Nova York de acordo com as ações que tomamos. Também vale citar as cenas não-interativas sempre mostrarem o uniforme que tivermos escolhido anteriormente para usar.

Por falar nessas sequências, foi muito legal a Insomniac ter recheado a campanha com elas, algo que dá um ar de filme de ação (dos bons) ao jogo e que mostra que o estúdio fez a lição de casa direitinho ao estudar o universo do personagem. Algumas até contam com Quick Time Events, mas eles são poucos e não chegam a incomodar.

Uma localização (quase) perfeita

Em se tratando da versão brasileira do jogo, temos elogios e críticas a serem feitas. Com atuações muito boas, não houve um momento em que eu achasse que amadores participaram das gravações, com as vozes casando bem com os personagens e passando a emoção correta.

O que pesa contra aqui é o fato de várias vezes ouvirmos personagens nas ruas falando em inglês, algo que quebra a imersão e mostra que faltou um pouco de cuidado.Outro detalhe que incomoda é não terem adaptado os nomes dos vilões, o que faz com que o Escorpião seja chamado de Scorpion, o Abutre seja tratado como Vulture e assim por diante.

Nada disso chega a ser algo terrível, mas incomoda um pouco e pelo menos, aqueles que não entendem a língua original não perderão pontos importantes da histórias.

Por fim, infelizmente a versão em português não conta com um recurso muito bacana do original, que é a entonação do Peter ao falar no telefone. Em inglês, se alguém te ligar enquanto estiver parado ou apenas andando, a conversa ocorrerá normalmente, mas se por acaso a chamada acontecer enquanto vocês estiver balançando entre os prédios, notará que a fala do protagonista será mais ofegante. Além disso, a dublagem mudará caso alteremos a ação durante a conversa, algo que sem dúvida é muito legal.

♫ Spider-Man, Spider-Man ♪

Contudo, de todas as qualidades que a Marvel’s Spider-Man pode entregar, aquela que mais chamou minha atenção foi a sua capacidade de nos fazer sentir um herói. Quando criança, o que muito de nós sempre sonhou foi em poder ser um personagem dos quadrinhos e acho que nem o mais otimista poderia imaginar que um dia um videogame seria capaz de nos permitir isso de maneira tão “real”.

É verdade que o Marvel’s Spider-Man não foi o primeiro título a nos dar essa sensação, mas em se tratando do Cabeça de Teia, não tenho a menor dúvida de que nenhum outro jogo conseguiu fazer isso com tamanha maestria.

E como dizem por aí, “nem todo herói usa capa.

relacionados


Comentários