DIRCM — o sistema que protege o Trump, Israel e o Brasil

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No ano de 2002, em um hangar em Israel o equivalente local do estagiário do Aviões e Músicas teve um dia cheio. Foi obrigado a trocar os assentos da cabine de comando de um Boeing 757 de Arkia Israel Airlines, pois nenhum método conhecido pelo Homem seria capaz de desinfetá-los.

A culpa foi de um grupo de terroristas quenianos que algumas horas antes haviam detonado um carro-bomba em frente a um hotel em Mombasa, matando 13 pessoas e ferindo 50. Ao mesmo tempo eles dispararam 2 mísseis Strela-2, de origem russa contra o avião comercial israelense, que acabava de decolar.

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Como o Strela-2 é uma bela porcaria, os DOIS mísseis erraram e os pilotos os viram passar ao lado do 757, mas ficou o susto, a memória e a mancha nos assentos.

Querendo evitar que outros malucos com mais sorte gostassem da idéia e a moda de lançar mísseis contra aviões israelenses se popularizasse, foi iniciada a pesquisa para adaptar tecnologia militar para aviões civis. O resultado foi o sistema C-MUSIC™ da Elbit Systems.

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O conceito é em teoria bem simples: uma penca de sensores detecta o lançamento de um MANPAD (Man-Portable Air-Defense system) e direciona um laser para cegar o sensor infravermelho do míssil, fazendo com que ele perca contato com o alvo.

É algo que existe faz tempo em aeronaves militares, o nome genérico é DIRCM (Directional Infrared Counter Measures) contra-medidas direcionais infravermelhas. Dizem que o Hair Force One está equipado com um monte desses equipamentos, mas o Pentágono não comenta.

A diferença é que com aeronaves civis correndo risco, várias empresas aéreas estão instalando DIRCMs, em Israel a El-Al pretende que toda sua frota tenha o equipamento funcionando o quanto antes. Aqui um vídeo curto com direito até a demonstração real do bicho:

E se você reparou no vídeo é mostrado o KC-390 da Embraer, o nosso excelente transporte militar que tem tudo pra faturar horrores agora que os Hércules D-130 estão todos caindo de velhos. Ele também é é equipado com o sistema MUSIC (Multi Spectral Infrared Countermeasures), então os hermanos nem precisam se animar.

Claro, esse sistema não funciona com mísseis por radar como o sistema BUK, nem equipamentos mais avançados, mas a imensa maioria dos MANPADs que estão em mãos erradas são STRELAs e IGLAs russos e Stingers americanos.

O mais interessante é que nem por isso a passagem da El-Al aumentou.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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