Burnout Paradise Remastered — Review

Ah, Paradise City! A cidade onde a grama é verdade, as garotas são bonitas e os motoristas contam com o aval das autoridades pra disputar rachas violentíssimos pelas ruas. A primeira vez que visitei essa cidade foi lá pelo final de 2008 e se num primeiro momento a minha impressão sobre ela não foi das melhores, uma segunda chance foi suficiente para me fazer passar muito tempo explorando-a.

Desde então eu procurei diversas outras cidades que me entregassem tanta diversão quanto as que tive em Paradise City e embora algumas até tenham se aproximado disso, a sensação é de que nunca encontraria um lugar tão bacana e com corridas tão legais. Bom, isso até recentemente, quando o PC, o PlayStation 4 e o Xbox One receberam o Burnout Paradise Remastered.

Funcionando exatamente como o original, essa remasterização traz todo o brilhantismo dos acertos feitos pela Criterion há uma década, assim como evidencia os pontos fracos que um jogo com essa idade inevitavelmente teria. De certa forma, é justamente isso o que uma remasterização deveria ser, mas não há como deixar de criticar a falta de esforço dos envolvidos para implementar algumas melhorias na mecânica do game.

Hoje em dia é difícil aceitar, por exemplo, um jogo de corrida de mundo aberto onde não podemos fazer um fast travel para um determinado evento ou que não conte com um sistema de GPS. Em se tratando do Burnout Paradise, onde a exploração do mapa é parte fundamental da experiência, essas opções de design até podem ser compreensíveis, mas depois de um certo momento a única coisa que queremos é iniciar logo uma corrida e ter que atravessar todo o mapa acaba se tornando uma tarefa maçante.

Outro ponto que poderá desagradar alguns — mas que particularmente gosto — é a maneira como desbloqueamos os veículos. Ao invés de nos permitir juntar dinheiro para comprar novos carros, eles nos serão dados conforme vencemos eventos ou destruindo alguns os especiais que surgem na cidade de tempos em tempos. O interessante aqui é que assim como acontece com as placas e outdoors espalhados por Paradise City, tentar aumentar a nossa garagem rapidamente se tornará uma obsessão.

Também chamou a minha atenção a maneira como a porção online do Burnout Paradise continua funcionando bem, mesmo tanto tempo depois do seu lançamento. Graças a um inovador sistema implementado pela Criterion na época, era possível entrar e sair do multiplayer de forma extremamente simples. Isso tem um papel fundamental para incentivar o encontro entre jogadores e mesmo hoje em dia a ideia se mostra excelente.

Quanto as melhorias feitas na parte visual do Burnout Paradise Remastered, também é possível listar alguns pontos fortes e outros nem tanto. Enquanto o jogo entrega texturas mais bonitas e efeitos de iluminação melhores, tudo rodando a 60 frames por segundo e dependendo da plataforma até numa resolução 4K, não dá pra dizer que o salto de qualidade foi muito grande, principalmente quando comparado a o que tínhamos no original para PC.

Não é que essa remasterização tenha ficado feia, mas ao olharmos para ele tendo como referência títulos de corrida mais modernos, a diferença torna-se muito grande, mesmo com vários elementos tendo recebido retoques providenciais. Mesmo assim, Paradise City continua sendo uma cidade muito bonita, repleta de pontos de referência que logo passamos a reconhecer durante as corridas.

Ou seja, para quem procura novidades, essa remasterização só conseguirá atender aqueles que não jogaram os DLCs lançados para o original, com cada ferro-velho, cada monumento e cada tijolo de Paradise City estando exatamente nos mesmos lugares. Isso pode até servir para alguns dizerem que a remasterização do Burnout Paradise não vale a pena, mas por se tratar de um jogo tão espetacular e que continua tão divertido quanto era há 10 anos, é muito bom saber que uma nova geração terá acesso a ele.

Eu só lamentaria mesmo o preço que está sendo cobrado por este Burnout Paradise Remastered (US$ 40 ou R$ 150) e a falta de ousadia da Stellar Entertainment para implementar coisas novas, como por exemplo um mero modo para tirarmos fotos dentro do jogo ou até um sistema de danos mais realista para as batidas.

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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