Revista National Geographic admite que foi racista em suas coberturas

Em um artigo de edição completa sobre a Austrália que funcionou em 1916, os australianos aborígenes foram chamados de “selvagens” que “são os mais baixos em inteligência de todos os seres humanos”. FOTOGRAFIAS DE CP SCOTT

O que é racismo? Bem, podemos procurar as definições básicas em dicionários ou na Wikipedia, ou encontrar algum texto escrito dentro das ciências sociais que vai elucubrar sobre o tema em 150 páginas. Mas, independente da fonte, todo mundo tem na cabeça alguma definição sobre o tema. Infelizmente, estudar sobre isso também não pode ser separado do momento histórico. Um exemplo: todo mundo condena Hitler pelo genocídio judeu durante a segunda guerra mundial, mas ninguém fala que o pensamento corrente na Europa da época não era muito diferente do dele em relação à esse grupo específico. Ou seja, não foi tão aleatório assim.

Em tempos de justiça social exacerbada e lacrações infinitas, um dos bastiões do pensamento conservador finalmente fez uma Mea Culpa. A Revista National Geographic, que tantos fotógrafos influenciou, resolveu lançar uma edição histórica falando sobre o tema de Raça. E, para não ficar fora do processo, a editora da revista, Susan Goldberg, resolveu descobrir como a revista tratou o tema das raças durante sua história. Eles convidaram  John Edwin Mason , professor de história africana e história da fotografia na Universidade da Virgínia para investigar a história de sua própria cobertura de “pessoas de cor” nos EUA e em todo o mundo. Essa investigação resultou no artigo “nossa cobertura era racista” que foi publicado no site da revista nessa semana.

Segundo Susan, “Eu sou o décimo editor da National Geographic desde a sua fundação em 1888. Eu sou a primeira mulher e a primeira pessoa judaica – um membro de dois grupos que também enfrentaram discriminação aqui. Dói compartilhar as terríveis histórias do passado da revista. Mas quando decidimos dedicar nossa revista de abril ao tema da raça, pensamos que devemos examinar nossa própria história antes de voltar nosso olhar para outros”.

As conclusões do artigo, e vale a pena dar uma olhada, é que até a década de 1970 a revista nem sequer cogitou a existência de pessoas negras nos Estados Unidos que não estivessem em cargos de subserviência e que os negros mostrados de outras partes do mundo, como na África, eram retratados como exóticos, felizes caçadores, o bom selvagem. Interessante a revista fazer esse tipo de levantamento. Aprender com sua própria história é importante para que posturas duvidosas não sejam repetidas.

Mas, analisar o passado com os olhos do presente pode ser muito complicado. O recente exemplo dos adolescentes criticando posturas de personagens de séries antigas é a comprovação desse erro. A sociedade muda e as interpretações da realidade mudam com ela. Ninguém vive em uma bolha separada das concepções vigentes. Olhando com os olhos de hoje a revista pode ter sido muito racista, mas na época era o pensamento de toda a sociedade.

Preconceituosos todos somos. O ser humano não gosta do que é diferente por via de regra. Leva um tempo para costumar-se, mas o que importa, ao viver em sociedade, é agir com ética. E gosto muito da definição de ética do professor Clóvis de Barros Filho: Ética é tratar o a pessoa desconhecida da mesma forma que você trata alguém que é muito querido. Definição casca grossa para colocarmos em prática, mas continuamos tentando.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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