Resenha — Samsung Gear IconX (2018): mais bateria, mas ainda bem caro

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Em 2016 a Samsung introduziu no mercado brasileiro o Gear IconX, fones de ouvido totalmente sem fio que se pareavam com seu smartphone mas que podiam até mesmo funcionar sem ele, oferecendo armazenamento de músicas local e um sensor de batimentos cardíacos integrado, ideal para quem vive a vida fitness.

O problema: ele chegou custando muito caro (R$ 1.399,00) e sua autonomia era risível; com apenas 47 mAh de bateria ele só aguentava 90 minutos de transmissão de áudio via Bluetooth, ou três horas de execução local. Uma piada de mau gosto, que ninguém em sã consciência recomendaria.

Um ano depois a Samsung tenta de novo com a segunda geração do Gear IconX, prometendo melhores funções e principalmente mais bateria. Desta vez a companhia acertou? Descubra na resenha a seguir.

Especificações e Design

Comecemos pela listinha fria:

  • acelerômetro e sensor de profundidade;
  • dois microfones embutidos por fone;
  • conexões: Bluetooth 4.2;
  • porta USB Type-C, acompanha adaptador para conectar o cabo USB a smartphones com portas Micro-USB;
  • bateria: 82 mAh (fones) e 340 mAh (case);
  • dimensões dos fones: 21,8 x 18,9 x 22,8 mm;
  • peso dos fones: 8 g cada;
  • dimensões do case: 31,4 x 73,4 x 44,5 mm;
  • Peso do case: 54,5 g.

 

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A princípio o Gear IconX (2018) não é muito diferente do modelo de 2016; a proposta não mudou, ele continua sendo uma solução em si mesmo que procura dispensar o smartphone, atochando componentes essenciais dentro dos fones intra-auriculares. A fixação nas orelhas é bastante firme, a caso você não se adapte é possível trocar os suportes, há ao todo três pares de diferentes tamanhos; se ficar folgado ou apertado, é só substituir a borrachinha e o processo é bem simples, tanto quanto substituir os fixadores intra-auriculares (também três pares de diferentes tamanhos).

Nos detalhes vemos as diferenças: os fones do Gear IconX (2018) são um pouco maiores e ligeiramente mais pesados, 8 g contra 6 g do modelo anterior mas isso se justifica pelo acréscimo na bateria, e no fim das contas não torna o acessório desconfortável. Ainda assim, eu senti um certo incômodo após quatro horas de uso ininterrupto e ele é um pouco mais aparente que a antiga versão, não mais passando despercebido na rua.

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Sobre a case em si, ela conta com dois LEDs frontais que avisam quando os fones estão carregados e um traseiro sobre sua própria capacidade de carga, além de um botão Bluetooth para ativar o pareamento entre dispositivos. A conexão física é feita através da porta USB-C e ele não vem com um carregador, logo ou você terá que conecta-lo no seu computador para alimentá-lo ou utilizar o adaptadores para micro-USB, de modo a utilizar carregadores de smartphones da Samsung ou de terceiros.

No mais a mudança de formato, causada pela mudança na posição dos fones internamente o deixou mais maneável, já que ele ficou mais curto (ainda que um pouco mais largo) e por causa disso, é bem prático leva-lo no bolso ou na bolsa.

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No fim das contas as mudanças dos fones se deram para corrigir erros passados, e essa é a parte que interessa.

Performance

Não há como não dizer isso de outra forma, o Gear IconX (2016) era boa porcaria. Graças à ridícula bateria de 47 mAh ele não resistia a 90 minutos de transmissão de áudio via Bluetooth, ou três horas se as músicas ou podcasts fossem armazenados localmente e aí residia o outro problema: fazer a transferência usando o computador (apenas Windows) era mais complicado do que deveria, ele não reconhecia transmissão direta e era preciso fazer uso do gerenciador proprietário da Samsung, fazer o mesmo de smartphone só era possível via cabo (não, não faz o menor sentido) e no fim das contas, os usuários eram obrigados e se virar numa situação absurda de usar o fone por uma hora e recarrega-lo, toda santa vez.

Com o Gear IconX (2018) alguns desses problemas persistem: de novo o gerenciador é necessário para transferir arquivos, ele só roda em Windows e a transmissão via cabo ainda não é uma opção das melhores (vai depender muito do seu smartphone), mas pelo menos agora você pode pegar as músicas do seu gadget e joga-las no fone via Bluetooth. YAY evolução!

Mas a maior preocupação dos usuários ainda era a bateria. Neste modelo ela aumentou para 82 mAh e embora ainda não seja um número muito alto é melhor do que tínhamos antes: o acessório resistiu a quatro horas e 35 minutos de transmissão de áudio via Bluetooth, o que está próximo das cinco horas que a Samsung defende; segundo a fabricante o Gear IconX (2018) tem autonomia de até sete horas em modo de execução interna, o que não é um número desprezível.

É preciso prestar atenção à bateria do case no entanto, seus 340 mAh podem fornecer até três dias de carga, mas ele não possui um indicador de autonomia no app e caso esqueça de carregá-lo, você poderá se ver numa situação em que não tem energia para fornecer aos fones. No fim das contas ele não é bem provido de energia e existem outras soluções no mercado com baterias maiores.

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O que é possível fazer com esse fone então? Principalmente utilizá-lo para monitorar seu exercícios físicos, ele foi pensado para usuários que precisam ter suas mãos livres enquanto caminham, correm ou pedalam. Nesse ponto ele oferece inclusive dois microfones embutidos em cada fone, que permitem a inserção de áudio captado externamente em sua trilha sonora. Esse recurso é voltado principalmente para evitar acidentes de trânsito, em que o crossfitteiro está distraído pensando na batata que vai comer de almoço e não percebe o mundo à sua volta; como o isolamento de som não é completo oferecer a possibilidade de ouvir o caminhão buzinando ao seu lado é algo bem importante.

Já sobre o gerenciamento de exercícios, uma ressalva: a maior capacidade de bateria teve um preço, nesse caso o sensor de batimentos cardíacos deu adeus. De resto ele continua não enviando informações a apps de terceiros, tudo fica armazenado nos apps proprietários Samsung Gear e Samsung Health mas por outro lado, o acelerômetro e o sensor de profundidade aliados aos demais sensores do smartphone permitem a coleta de dados de forma precisa e dessa forma o app ainda lhe dará dicas valiosas, mas não mais ficará de olho no seu coração.

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“E quanto ao som?” Bem, a minha avaliação é que a qualidade de áudio é apenas regular, e isso vindo de alguém que não é um audiófilo pode ser preocupante para alguns. O Gear IconX (2018) possui uma boa execução de graves e agudos, mas tudo fica apenas “na média” e se sua intenção é adquirir um acessório com som de qualidade, passe longe. Embora seja um produto direcionado a esportistas a Samsung deveria ter caprichado mais na execução de áudio, mas tal qual o modelo de 2016 esse quesito foi o último na lista de prioridades e deu no que deu.

No mais ele conta com controles simples através do touchpad: um toque executa ou pausa a música; dois toques passam para a próxima faixa ou atendem/encerram uma ligação; três toques voltam para a faixa anterior; deslizar para cima ou para baixo ajusta o volume; manter pressionado rejeita uma chamada ou aciona a leitura de Menu e dois toques e manter o terceiro pressionado passa para a próxima lista de músicas.

Conclusão

O Samsung Gear IconX (2018) é sem sombra de dúvida um fone de ouvido muito bom para quem deseja manter as mãos e smartphone livres, e foi um aparelhos mais interessantes que testei em 2017. No entanto ele ainda possui alguns problemas, desde a perda do sensor de batimentos cardíacos aos constantes problemas de conexão caso opte por ouvir música armazenada em seu dispositivo móvel. A qualidade do som é questionável, fones do tipo não são voltados para audiófilos e sim para quem deseja ter um gadget que lhe permita mobilidade, principalmente na hora de fazer exercícios mas ainda assim, ele poderia ser melhorzinho.

No entanto seu maior ponto fraco continua sendo o preço. A Samsung o lançou no mercado brasileiro por proibitivos R$ 1.499,00, 100 reais mais caro que o modelo de 2016 e os lojistas hoje não oferecem descontos volumosos; o mais irônico é que ele chegou custando mais do que os AirPods da Apple (preço oficial de R$ 1.399,00) mas conta com controles dedicados de fácil adaptação, são bem confortáveis e ficam firmes no lugar, sem deixar pontas esquisitas à mostra. No mais ele só funciona com dispositivos Android do 4.4 KitKat em diante, e com no mínimo 1,5 GB de memória RAM disponível.

A principal diferença entre os modelos 2016 e 2018 do Gear IconX é que este pode ser recomendado, desde que o usuário esteja ciente de que vai gastar uma boa grana num fone com qualidade de áudio apenas mediana; se você precisa MESMO de um acessório para ouvir suas músicas enquanto caminha, corre ou pedala que ofereça liberdade de movimentos e está disposto a pagar caro por ele, o Gear IconX (2018) talvez seja uma boa opção. Para qualquer outro caso de uso, há outras opções melhores e definitivamente mais baratas.


Samsung Gear IconX (2018): How to move freely without missing a beat

Pontos Fortes:

  • fones leves e bastante compactos, que ficam bem firmes ao serem colocados;
  • agora sim, temos uma autonomia decente;
  • opção de ouvir músicas localmente poupa a bateria.

Pontos Fracos:

  • o preço ainda é proibitivo;
  • fones perdem a conexão frequentemente, caso opte por ouvir músicas armazenadas no smartphone;
  • novo modelo perdeu o sensor de batimentos cardíacos.

Agradecimentos à Samsung por gentilmente nos ceder o Gear IconX (2018) para testes.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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