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Sharp é vítima de “calaboca” de parceira chinesa, que adquiriu divisão de TVs dos EUA

Roupa suja não se lava em público, até porque a Sharp foi impedida de tecer comentários sobre processo contra a Hisense; chineses estariam vendendo TVs de má qualidade com o nome da companhia nos EUA.

3 anos atrás

A Sharp pode ter feito uma péssima jogada ao abrir mão do mercado de TVs nos Estados Unidos: a companhia japonesa, hoje pertencente à Foxconn abriu um processo contra a chinesa Hisense, que vende aparelhos com seu nome no mercado norte-americano por conta de outra ação que simplesmente a obriga a calar a boca, impedindo-a de tecer quaisquer comentários públicos sobre um contrato ruim e TVs de má qualidade.

A história envolvendo ambas empresas é bem única no âmbito legal pelas proporções que o arranca-rabo tomou. Desde 2012 a Sharp vinha enfrentando dificuldades financeiras em diversos setores e vinha cortando excessos de todas as maneiras possíveis, culminando em 2015 com a venda de uma fábrica no México voltada à produção de televisores à Hisense, ao mesmo tempo em que cedeu os direitos de uso do nome nos aparelhos por cinco anos. Dessa forma a companhia japonesa se retirou oficialmente do mercado de TVs dos EUA enquanto a Hisense só teria a obrigação de vender produtos de qualidade com o nome impresso.

Tal acordo não é um caso isolado: a TVP por exemplo é a fabricante oficial de displays para companhias como AOC, Philips, Dell, Lenovo e Positivo para o mercado brasileiro; a empresa só tem que atender aos padrões de qualidade de cada cliente e imprimir seus nomes na carcaça, mas na prática a mãe de todos esses produtos é uma só.

Só que segundo a Sharp a Hisense pisou na bola: tão logo a companhia chinesa assegurou os direitos ela começou a produzir TVs com uma qualidade muito aquém do esperado, produtos ruins mesmo e todos com o logo impresso da japonesa, o que reverteu em uma declaração em abril para cancelar a parceria tão logo a aquisição pela Foxconn foi firmada (com o dinheiro da matriz de Taiwan as coisas ficam mais fáceis).

Na sequência a Hisense entrou com uma notificação de arbitragem em Singapura, de modo a resolver o conflito fora dos tribunais, só que o caso desandou de forma inesperada: no dia 9 de maio o mediador entrou com um pedido de "emergência" que obriga a Sharp a ficar absolutamente calada sobre o processo, se omitindo de fazer declarações públicas ou de "prejudicar os negócios da Hisense". Foi basicamente uma ordem de silêncio (um calaboca ou mordaça, como preferir) e como o pedido foi feito na Central de Arbitragem internacional, a companhia não pode soltar um pio sobre o caso em lugar nenhum. Ela sequer pode publicar reclamações em órgãos regulatórios como a FCC e sem surpresa, a Hisense não foi punida em nada (o certo seria uma imposição unilateral; não foi o caso).

O caso foi para a justiça de qualquer forma: em junho a Sharp abriu um processo na Califórnia (cuidado, PDF) buscando o cancelamento do contrato, e agora os advogados da empresa alegam que a ordem de silêncio fere a Constituição dos EUA e estão tentando derruba-la, além de cancelar o acordo e impedir que os chineses continuem vendendo TVs de segunda classe com seu nome. Já a Hisense apresentou uma moção em junho (PDF de novo) detalhando as alegações da Sharp contra seus produtos: níveis de radiação superiores aos permitidos pela FCC, níveis de brilho em desacordo com os padrões, diferenças nas resoluções e cabeamento interno de má qualidade, representando risco ao consumidor. A companhia chinesa não comenta se tais afirmações são verdadeiras ou não, mas é fato que essa briga não deve se estender por muito tempo.

Obviamente, por conta da mordaça a Sharp não pode comentar nada a respeito; já a Hisense não respondeu às solicitações de contato.

Fonte: Ars Technica.

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