Disney teria desistido de comprar o Twitter para não prejudicar sua imagem

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As coisas não andam nada fáceis para o Twitter. A rede social, cujo crescimento estagnou nos últimos anos busca um comprador para entre outras coisas permanecer viva, já que não consegue fazer dinheiro e seu IPO não tem rendido bons resultados. O problema é que ninguém quer abrir a carteira, nem mesmo os suspeitos habituais.

Uma que teria demonstrado inesperado interesse no popular site de microblogs era a Disney, que como outras também jogou a toalha. No entanto, os motivos para tal não seria dinheiro, e sim algo característico da casa do rato: a imagem do Twitter não condiz com a da companhia.

A Disney não estava para brincadeira: fontes próximas relatam que a companhia contratou dois bancos de investimentos, JPMorgan Chase & Co. e Guggenheim Partners LLC para analisarem a oferta e estipularem um valor a ser oferecido pela rede social. As negociações estavam tão adiantadas que um time de executivos do Twitter chegou a fazer uma apresentação sobre o negócio aos diretores da Disney. Só que em algum momento o caldo desandou.

Claro que o negócio não seria pequeno, embora esteja sangrando o Twitter está avaliado hoje em US$ 12 bilhões, é muita grana. No entanto a Disney teria desistido da compra não só pelo valor, mas também pela imagem da rede social.

Não é algo muito difícil de se imaginar se analisarmos a fundo: a Disney é uma companhia que preza por conteúdo para a família, e mesmo suas diversas subsidiárias como as emissoras ABC e ESPN, os estúdios de cinema e a Marvel Comics precisam seguir essas diretrizes à risca. Conteúdo controverso ou pesado não tem lugar na companhia e sendo bem óbvio, o Twitter tem tudo isso: ela pode ser a rede social mais ágil e mais fácil de ser filtrada pelo usuário, mas é um poço de discursos de ódio, trolls, pr0n e etc., sem falar nos problemas que a rede social tem com o Estado Islâmico (o que afeta todas as redes, sejamos francos).

Caso a Disney comprasse o Twitter, de modo a alinha-lo com seus outros produtos (e liga-lo à suas produções, o que seria inevitável) a companhia seria obrigada a promover uma faxina em larga escala na rede social, removendo todo tipo de conteúdo inadequado para a família (aka no more pr0n), instalar filtros anti-trolls ainda mais potentes (ou botar o Conselho de Segurança para trabalhar com mais afinco) e bater de frente com usuários cáusticos e outros problemas.

Resumindo, não vale o esforço. A Disney não compraria uma rede social e sim uma dor de cabeça gigantesca, e este entre outros motivos teria estimulado a gigante do entretenimento a desistir da compra. A Alphabet Inc., holding proprietária do Google também perdeu o interesse na aquisição, bem como a Salesforce, empresa de software on demand. O próprio CEO Marc Benioff confirmou que sua companhia “seguiu em frente”.

Basicamente ninguém quer o Twitter. A Microsoft, que também seria um dos principais suspeitos por conta de sua fome absurda por dados nem se moveu, visto que já gastou uma nota preta com o LinkedIn. A Apple e a Verizon (esta última ainda pode desistir de comprar o Yahoo!) negaram ter interesse. A situação como um todo é péssima, ninguém quer abrir a carteira e os investidores estão loucos da vida porque estão perdendo dinheiro.

Há quem acredite que uma compra é a única alternativa para o Twitter continuar vivo, o que comercialmente é um fato. O problema é que a rede social é uma mina de ouro, bastando que alguém consiga quebrar o código para filtrar o ruído adequadamente. Deixa-lo morrer seria uma vergonha, mas a verdade é que sua imagem não é tão salutar e realmente não é tão difícil acreditar que a Disney, que tem bala na agulha suficiente e esteve perto de fechar negócio tenha desistido da negociação entre outros motivos para não comprometer sua própria imagem, ao adicionar ao seu portfólio um produto de conteúdo cáustico.

Fonte: Bloomberg.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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