Home » Fotografia » Câmera fotográfica Prosumer — você sabe o que é isso?

Câmera fotográfica Prosumer — você sabe o que é isso?

Veja os equipamentos compactos que foram utilizados por muitos profissionais na época da transição do filme para o digital.

3 anos atrás

Hoje estou me sentindo nostálgico, e a culpa é do roteiro da terceira aula do curso de introdução à fotografia do canal do MeioBit no YouTube. Montando a fala sobre câmeras fotográficas compactas, me lembrei das saudosas câmeras prosumers. Vocês já ouviram o termo? Se começou recentemente na fotografia então não deve ter ideia do que estou falando, mas aqui vai uma explicação.

Quando a fotografia digital começou a se tornar viável comercialmente, investir em uma DSLR não era para qualquer um. Os preços eram absurdamente elevados e planejar a migração da fotografia de filme para o digital não era uma coisa fácil. Nesse período o profissional brasileiro passou a adotar um tipo de câmera que chamamos de prosumer (producer+consumer). Na realidade, estamos falando de uma câmera compacta com recursos avançados. A lente era fixa, o sensor era (em alguns casos) um pouco maior do que o normal e, o mais importante, os equipamentos possuíam sapata para utilização de flash externo (na maior parte das vezes no manual mesmo) e até conexão para cabo de sincronismo para disparar flashes de estúdio.

Muitos profissionais começaram com essas câmeras e, algumas, foram verdadeiros ícones da fotografia profissional. Porém, existem três modelos que ficaram em minha mente por serem os que mais presenciei sendo usados. Vejam como a fotografia profissional era bacana nessa época.

Sony F828 (lançada em 2003)

sony_f828

Essa foi a campeã de utilização em estúdios pequenos. A câmera tinha entrada para cabo de sincronismo, uma lente versátil com distancia focal equivalente a uma 28-200 mm e abertura de diafragma em f/2-2,8. A presença da sapata para flash externo também facilitou o seu uso em eventos e muito jornal pequeno do interior comprou uma para as reportagens. Como era comum nestas câmeras, ela utiliza um sensor de 2/3 polegadas com resolução de 8 megapixels, mesmo assim gerava muito ruido (ponto fraco da Sony no começo). O ISO variava de 64 a 800, o LCD tinha apenas 1,8 polegadas e ela utilizava o maldito Memory Stick e também o Compact Flash como fonte de armazenamento. Admito que eu queria ter uma. Valor no lançamento: US$ 1.200,00 (essa era bem salgada).

Fuji S7000 (lançada em 2003)

fuji_s7000

A Fuji S7000 (e alguns anos depois a S9000) foi um best seller. Vendeu como água por conta de algumas características bem interessantes. A primeira delas foi o preço. Enquanto a câmera da Sony passava de mil dólares, a S7000 custava US$ 600,00. Ela possuía um sensor Super CCD da Fuji com 6 megapixels de resolução máxima e 1/1,7 polegadas. Sapata para flash externo e velocidade ISO de 160-400 (podia chegar a 800 com redução da resolução da imagem). A lente era equivalente a uma 35-210mm com abertura máxima de diafragma em f/2,8-3,1. O legal aqui era a possibilidade de fazer fotos em RAW, embora fosse um beco sem saída, pois poucos programas conseguiam processar o RAW da Fuji. Recentemente (dois anos atrás) encontrei um fotógrafo artista que ainda utilizava uma dessas.

Olympus C8080 (lançamento em 2004)

olympus_c8080

A Olympus também entrou nessa brincadeira e essa C8080 eu tive o privilégio de brincar por um tempo. Sensor 2/3 polegadas com 8  megapixels de resolução máxima. O ISO começava em 50 e chegava apenas a 400, porém a câmera podia fazer fotos em JPEG, RAW e TIFF. A lente era uma 28-140mm (equivalente) com abertura de diafragma em f/2,4-3,5. Uma câmera interessante de usar, mas muito lenta se comparar com as câmeras atuais. Valor de lançamento: £ 899,99.

Só deixando claro que as prosumers nunca foram planejadas para uso profissional. Elas eram voltadas para o amador avançado poder usufruir de controles manuais, algumas perfumarias,  confortos e uma lente com distância focal confortável sem ter a necessidade de entrar no dispendioso mundo das DSLR. Em 2003, uma Canon Rebel era vendida por US$ 900,00 apenas o corpo, lembrando que no Brasil nesse ano o salário mínimo era de R$ 240,00. Em sites americanos o termo ainda existe para designar as compactas de alto rendimento, mas no Brasil ele meio que morreu.

Acho que a última câmera compacta construída dentro destes padrões foi a Fuji S200EXR. Você pode ver um pouco de minha experiência com ela aqui.

relacionados


Comentários