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Banda Larga Ilimitada: nossos problemas são maiores que a franquia

Não é apenas no Brasil que a internet funciona com franquias. Doa a quem doer: entenda porque a franquia de tráfego na internet banda larga fixa é necessária.

3 anos e meio atrás

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Imagine a seguinte situação: seu provedor lhe cobra 55 reais por mês por um link de 75 Mb/s, mais TV a cabo e ainda no pacote você recebe os canais HBO. Parece tentador? Pois é isso que a ComCast oferece com o Xfinity, lá nos EUA. Só tem um problema: a banda larga tem franquia.

Estava bom demais pra ser verdade, você pensa. Mas aí o provedor te oferece outra opção: por mais 30 reais, você tem banda larga ilimitada. Negócio da China, não é mesmo? 85 reais por tudo isso. Provavelmente você paga hoje mais do que isso apenas pela banda larga, ainda é obrigado a levar telefone fixo no pacote e só tem acesso a velocidades inferiores a 10 Mb/s.

De quem é a culpa dessa baderna toda? Ora, nem sua, nem da operadora.

Todos os contratos de banda larga já preveem a aplicação da franquia de tráfego há anos e anos. Por opção, as operadoras escolheram não colocá-los em prática. Isso não as tira o direito de aplicar isso quando bem entenderem. Você provavelmente nunca leu o seu contrato de adesão, mas pode procurar que tem essa cláusula lá.

Há várias razões para explicar porque reclamar da franquia é inútil, irrelevante e queimar cartucho à toa. Vamos tentar ilustrar algumas.

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Como já dito antes, os contratos já preveem a franquia há anos e anos. Juridicamente, as operadoras não estão cometendo nenhum tipo de abuso ou fraude. Dos EUA à Austrália, os provedores possuem franquia de dados há muito tempo. Diferentemente daqui, lá eles aplicam isso.

Com a crise e provavelmente com a queda de receita com serviços migrando para streaming e nuvem, as operadoras querem abocanhar uma fatia desse mercado, que faz uso de sua infraestutura sem pagar nada. Não vamos aqui falar de Marco Civil ou de neutralidade da rede. A questão é que empresas como Netflix e YouTube geram grandes volumes de tráfego sem dividir a receita com as operadoras. Tente pensar como empresa, não como pessoa física.

Nos EUA, a T-Mobile oferece planos onde o trafego de streaming sequer é abatido da franquia. Tudo é uma questão de ajuste de mercado. O consumo de conteúdo só aumenta, assim como o volume de dados trafegados. No caso do Netflix, para dividir essa conta, eles tem o OpenConnect, uma parceria realizada com provedores onde eles disponibilizam o conteúdo já dentro da rede do seu provedor, reduzindo a carga do tráfego.

Seria um enorme contrassenso reduzir o acesso dos usuários num momento onde a demanda só aumenta exponencialmente. Essa é uma briga de empresas gigantes e bilionárias. O usuário, o elo mais fraco dessa corrente, sempre paga a conta, de um jeito ou de outro.

E o Brasil nisso?

O grande lance daqui é que pra começo de conversa, os impostos cobrados dos provedores beiram os 50%. Nos EUA cobram uns 7%. A infraestrutura daqui é absurdamente precária, demandando investimentos astronômicos para executar melhorias. Vai somando tudo isso e você descobre porque sua fatura é tão cara e seu serviço é tão precário.

É por isso que franquia de dados não é um absurdo. É algo normal, previsto. O absurdo é ter que pagar uma fortuna por uma conexão instável, lenta, precária e, agora, com franquia. Se os preços fossem minimamente razoáveis, pouca gente reclamaria, pois seria acessível a todo mundo. Com 10 h de trabalho, um americano que ganha salário mínimo consegue ter 75 Mb/s de conexão, TV a cabo e HBO em casa. Algo que parece muito distante da nossa realidade.

Em vez de reclamar da franquia de dados, a gente deve questionar principalmente dos impostos exorbitantes que são cobrados e repassados na nossa fatura, da completa ineficiência de agências como a Anatel e do péssimo serviço e atendimento prestados pelas operadoras. Além disso, o oligopólio das operadoras está na mão do governo, com concessões para operar que impedem que empresas invistam e concorram livremente no mercado. Se tivéssemos opção de escolher, com as empresas lutando entre si pelo melhor serviço e preço, a situação seria bem melhor.

Esses questionamentos sim, são muito mais eficazes para que a gente tenha uma internet de melhor qualidade.

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