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World Press Photo edita Código de Ética para 2016

Depois de 60 anos a organização do World Press Photo decide editar um código de ética para os fotojornalistas que vão participar do concurso.

4 anos atrás

World_Press_Photo

Pela primeira vez em 60 anos (tempo em que o concurso existe) a organização do World Press Photo (concurso fotográfico voltado para fotojornalistas) divulgou um Código de Ética para os participantes da versão 2016. Pode parecer estranho, mas o concurso vem sofrendo com algumas polêmicas nos últimos anos e está procurando se proteger de outras na próxima versão.

Em 2013, o grande vencedor Paul Hansen, foi acusado de ter fraudado a imagem com a qual levou o primeiro prêmio. Depois de análises decidiu-se que a foto era verdadeira, mas possuía uma quantidade gigantesca de manipulação digital para aumentar sua dramaticidade.

Em 2014 Giovanni Troilo foi vencedor da categoria Questões Contemporâneas com um ensaio intitulado The Dark Heart of Europe onde registrou imagens da cidade de Charleroi na Bélgica. Porém, o Prefeito da cidade acusou o fotógrafo de ter manipulado a realidade para gerar o clima depressivo que ele queria. Outro ponto interessante é que, em 2014, 20% dos finalistas foram desclassificados pelo uso excessivo de manipulação digital. Isso não é pouca coisa.

É por conta destas abobrinhas que agora nós temos um código de ética para a disputa. Quem bancou essa empreitada foi o diretor Lars Boering, que levou 5 meses para finalizar as diretrizes que levaram em conta os rolos e erros do passado. Resumindo o texto, os fotógrafos devem garantir que suas fotos são uma representação exata e fiel da cena que eles presenciaram, fazendo com que o público não seja induzido ao erro. O diretor ressalta que todos os elementos criativos da fotografia podem ser utilizados, mas eles devem servir ao propósito do jornalismo confiável.

Ou seja, nesse balaio entra tanto a questão da manipulação digital na pós-produção da imagem, quanto a interferência do repórter fotográfico na cena a ser registrada. Fora as orientações do código de ética, outras duas atitudes mais práticas serão tomadas. Agora os fotógrafos terão que produzir uma legenda mais detalhada para suas fotos. Existe uma orientação no site do concurso sobre isso. A segunda atitude é que, nos cinco dias entre a finalização da escolha dos vencedores e o anúncio ao público, uma equipe independente vai analisar as fotos levando em conta a legenda e os metadados da imagem para determinar se existe algum problema.

Mudanças interessantes e que devem tornar o processo mais justo. Só lembrando que não existe nada de errado em fazer o pós-processamento de uma imagem. Isso faz e sempre fez parte da fotografia mas, quando falamos em fotojornalismo, também estamos falando de representação fiel de uma cena. Mudar pontos para deixar a imagem mais agradável ou impactante não deve e, segundo o World Press Photo, não será aceito.

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