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Project Ara: seria a Motorola capaz de criar o tal do LEGOphone? [Spoiler: não]

Motorola apresenta projeto de smartphone modular tal qual o Phoneblok: fabricantes criariam módulos para consumidor montar seu LEGOphone como desejar

6 anos atrás

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Lembram quando Dave Hakkens, um designer (não podia ser diferente) apresentou o conceito impossível do Phoneblok? Apesar da ideia ser muito interessante (você poderia montar um smartphone com módulos, colocando o que você quisesse nele), para variar ele ignorou a realidade com um produto que não tem previsão de sair do papel pelos próximos dez anos, algo que ele próprio admitiu. Os motivos são muitos, e o Matheus já destrinchou o assunto aqui.

Entretanto uma empresa teve a mesma ideia e estaria trabalhando nela há pelo menos um ano: a Motorola. Ela anunciou o Project Ara, cuja missão é criar smartphones modulares tal como Hakkens idealizou, tanto é que ele se uniu à empresa para tornar o produto uma realidade. Mas eles serão mesmo capazes disso?

A princípio a ideia da Motorolaé "fazer pelo hardware o que o Android fez pelo software": vários fabricantes participariam do projeto, fornecendo componentes que seriam integrados da forma que o consumidor quiser, desde uma tela maior ou uma menor e um teclado físico, uma bateria mais potente e processador parrudo para jogos um conjunto mais modesto, uma configuração focada na câmera para melhorar a qualidade das fotos e por aí vai. O conjunto consiste de um "endoesqueleto" e os módulos, que seriam encaixados tal como o Phoneblok, como se fossem peças de LEGO.

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E é exatamente aí que mora o problema. Caso a Motorola fosse a única fabricante envolvida ainda vá lá, mas um sem número de empresas fabricando componentes compatíveis é um convite ao desastre. O que funciona num PC não se aplica a smartphones pelo simples motivo que o principal componente, a placa-mãe é uma peça única, o que não ocorre aqui. Componentes num só conjunto e o mais próximo possível uns dos outros são essenciais para manter a velocidade de transmissão de dados nas alturas. Módulos separados dependeriam de conectores padronizados e pior: a performance da memória cache para fazer tudo funcionar de acordo teria que ser absurda, o que elevaria e muito o preço. O resultado seria um aparelho caríssimo, que gastaria muito mais energia e com performance aquém de qualquer outro aparelho convencional.

Se a Motorola fosse a única envolvida o cenário melhoraria, mas não muito: ainda que ela detivesse um padrão único e excelência de fabricação dos módulos, a menor diferença de distância entre um componente e outro já influi na velocidade dos dados. Por mais bem fabricado que seja, um módulo não se comunicará na mesma velocidade que um componente integrado. Enfim, a Motorola está tão empolgada que já abriu inscrições para interessados que desejem ajudar no desenvolvimento. A previsão é de apresentar um Alpha do MDK (Module Developer's Kit) ainda durante o inverno do hemisfério norte.

Apesar da ideia ser legal, é um fato que ao menos para agora o Project Ara não passa de um produto-conceito, sem nenhum pé na realidade. Talvez daqui a uma década nossa tecnologia tenha avançado ao ponto de permitir que a comunicação entre módulos seja mais rápida, mas para um futuro mais imediato, eu não creio que seja possível.

Fonte: Mashable.

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