Só pirateia quem quer (Updated).

Eu sei que o título parece uma obviedade colossal, mas a frase esconde muito mais do que o seu significado literal. Durante muitos anos, os preços absurdos de jogos, música, filmes e softwares foram a justificativa de quem pirateia para validar um comportamento que trata-se apenas de roubo de propriedade intelectual. Roubo é roubo, não importa se é uma laranja na feira ou um aplicativo de um dólar. Parece muito complicado compreender isso, mas não existe desculpa ou “argumento” válidos que justifiquem a atitude de quem pirateia. É errado, ponto final.

O meu grande problema com quem pirateia qualquer coisa não é o ato em si, mas sim o sujeito achar que não está fazendo nada de errado. Ninguém está lhe impedindo de piratear nada, assim como ninguém lhe proíbe de pegar a contramão, de fumar maconha, de fazer gato na TV a cabo, etc e tal. Mas quando fizer isso, o mínimo que você deve ter é consciência de que é ERRADO, e que isso pode trazer consequências. Mas fazer todas essas coisas e falar com todas as letras que não está fazendo nada errado é coisa de quem trancou a matrícula nas faculdades mentais.

Algumas das justificativas são mesmo dignas de esquetes em stand-up comedy. A mais comum é a de que “jogos são muito caros”. TUDO no mundo é caro. Viver custa caro. Mas isso não é nem de longe uma justificativa válida para dar uma de Robin Wood e tomar dos ricos para dar aos pobres. Se os jogos são caros demais pra você (como são pra mim), simplesmente NÃO COMPRE. Espere uma promoção, compre usado, peça emprestado, ou pirateie, mas por favor, tenha a consciência de que você está se apropriando de propriedade intelectual alheia, que custou milhões pra ser desenvolvida.

A grande questão é que quem pirateia tem a sensação de total impunidade. O sujeito sabe muito provavelmente não vai lhe acontecer nada. Bem diferente, por exemplo, de roubar um pacote de biscoito no supermercado. Um jogo de PC, lançamento, custa uns R$100,00. Um biscoito custa R$1,50 (se for do bom). Mas a não ser que você esteja morrendo de fome, em estado de total inanição e desesperado por um alimento, não roubará um biscoito no mercado porque tem medo de ser pego e possivelmente preso. Com jogos, músicas, softwares é diferente, pois tudo é feito no conforto do lar.

Eu acredito que, hoje, só pirateia quem quer. Vejamos: centenas de jogos estão em promoção no Steam. Há jogos fantásticos, como os da série Batman que estavam custando 12 reais. Há milhares de jogos no Steam que custam entre 5 e 10 reais. Os Humble Bundles vão além, onde você paga O QUE QUISER pelos jogos. Em geral, jogos no Google Play ou App Store custam R$1,99, o que equivale a um sorvete de uma bola (se for do ruim). A Origin sempre faz promoções com jogos a preço de banana. E mesmo os jogos de PS3 e Xbox 360 tem caído de preço, com diversas promoções pouco tempo depois do lançamento. Além da infinidade de jogos e softwares que são gratuitos. O Windows, talvez o software mais pirateado do mundo, possui um substituto que se não é tão eficiente quanto, resolve muito bem para quem não quer gastar com um Sistema Operacional: o Ubuntu. Filmes idem: há possibilidade de comprar por meio digital com preços bem abaixo do mercado, além de serviços como o Netflix, onde você tem milhares de filmes e séries pelo preço de um lanche todo mês.

Algo que aprendi: se eu não tenho dinheiro pra adquirir um bem, eu simplesmente não compro. No caso de material digital, há meios ilícitos de conseguir, mas eu prefiro não utilizá-los. Não tenho nada contra quem pirateia qualquer coisa, vai fundo. Apenas não incentivo e me incomodo com o fato de que quem o faz não vê erro algum numa atitude como essa, onde propriedade intelectual é roubada (inclusive de desenvolvedores indie). Está errado. Period. Goste ou não, seja lá qual for o malabarismo gramatical que se queira usar, nada justifica. Piratear é como ir comer no McDonalds. Você sabe que é errado, que faz mal, mas vai mesmo assim em busca de um prazer momentâneo.

Vai fazer? Ok. Mas o mínimo que você precisa ter é a decência de saber que é errado.

* Diante de toda a discussão (muito boa, por sinal) gerada, vale ler dois links que complementam muito bem o texto.

Um brevíssimo conto sobre Propriedade Intelectual

Acordem, produtoras

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Autor: Marcel Dias

Pai, marido e sedentário.

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