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O dia em que Neil Armstrong usou a Força

Durante vôo da Gemini 8, o Controle da Missão detectou que estava girando. A nave tenta corrigir, mas a rotação volta. Veja como o jovem Jedi Neil Armstrong salvou o dia.

6 anos e meio atrás

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Em 1966 o Programa Apollo já estava a todo vapor, mas havia tantas coisas nunca antes feitas que vários programas secundários foram criados. Entre eles o Gemini, que em sua missão Gemini 8 testaria a capacidade dos astronautas em realizar atividades extra-veiculares complexas e a possibilidade de acoplar duas espaçonaves em vôo.

A tripulação era composta de Neil Armstrong e David Scott, que se tornaria o sétimo homem a andar na Lua.

Tudo correu bem durante as manobras de aproximação do veículo Agena, uma nave não-tripulada projetada para o teste. Assumindo controle manual, Neil Armstrong foi só no sapatinho e executou com perfeição o primeiro acoplamento entre duas naves espaciais, mostrando que uma fase crucial do pouso lunar, o acoplamento da cápsula de comando com o módulo lunar, era possível.

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Após a conexão, o computador da Agena iniciou um comando para girar o conjunto das duas naves em 90 graus. O giro foi efetuado, mas não parou. Neil comandou os jatos de manobra e cessou o giro, mas assim que ele parou, o giro voltou. Imediatamente desligaram o Agena, mas alguns minutos depois o giro reapareceu.

Consultando os instrumentos, descobriram que só tinham 30% de combustível nos jatos de manobra da Gemini, e o giro aumentava. O consenso era que havia algo de errado com a Agena. Ejetaram a nave automática, Houston a comandou pra se afastar, nas o giro só aumentou. Sem a massa extra, logo a Gemini girava a 60 rotações por minuto.

Foi tudo registrado em vídeo, veja abaixo, a partir do minuto 6′10″ a apavorante rotação:


Matthew Travis — Part 2: Gemini 8 "This Is Houston Flight" - NASA Spaceflight History Video

Era evidente que o problema estava na Gemini. A nave se aproximava do limite de integridade estrutural, os astronautas já apresentavam visão de túnel e logo perderiam a consciência. Só havia uma coisa a fazer:

Usando de seu treinamento Neil Armstrong desligou os jatos de manobra, passando para controle manual os jatos de controle de reentrada, um sistema independente que controlaria a posição da nave quando retornasse para a Terra.

Tendo aprendido a pilotar antes de aprender a dirigir, com 78 missões na Coréia e experiência de piloto de testes do X15, Neil Armstrong conseguiu identificar, reverter e anular o giro, revertendo um pesadelo de desorientação espacial, evitando um desastre certo.

Testes mostraram que um dos propulsores de manobra da Gemini havia permanecido ligado, gerando o giro descontrolado. O jeito agora era pousar, pois não podiam usar os propulsores principais e os de reentrada só tinham 25% de combustível sobrando, Neil usou 75% da reserva para corrigir o giro da nave.

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Programando uma rota de mínima energia, pousaram no Pacífico, ao invés do Atlântico, como planejado, mas ninguém reclamou. Neil Armstrong sozinho salvou a Gemini, David Scott e provavelmente todo o programa espacial, pois mesmo que um acidente fatal não significasse o fim do projeto, um segundo, a morte dos astronautas da Apollo I em 1967, seria o fim de tudo.

Por isso quem conhecia Neil não estranhou ele estar perfeitamente calma ao pousar na Lua com qualquer coisa entre 15 e 45 segundos de combustível remanescente. Para Jedis como ele isso é uma eternidade.

Hoje nós perdemos esse Jedi. Perdemos esse herói, piloto, pioneiro, explorador e celebridade relutante. Neil nunca quis ser famoso, não se sentia bem sequer dando autógrafos. Uma vez ele disse:

“Eu sou e sempre serei um engenheiro meio nerd, de meias brancas e protetor de bolso”

Você foi muito mais que isso, Neil. Em meio a tantas guerras, tanta miséria, tanta mediocridade, tanto ódio, tanta desesperança você fez, em 1969 com que bilhões de pessoas, muitas talvez pela primeira vez na vida, erguessem os olhos para o céu. Não com medo, não implorando, mas com orgulho, sabendo que há Homens na Lua.

Sabendo que apesar de tudo nossa espécie é capaz de feitos magníficos, é capaz de pelo menos por alguns momentos, ficar de pé na borda do berço e vislumbrar todo um Universo de possibilidades a explorar.

Obrigado, Neil. Tenha a certeza que seu legado será ainda mais duradouro que suas pegadas, que só durarão alguns milhões de anos.

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Neil Alden Armstrong 5/8/1930 – 25/8/2012

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