O triste fim do OLPC
Nicholas Negroponte é um sujeito que entende tudo de Internet antes mesmo de ela ter sido criada. Seu trabalho à frente do Media Lab do MIT foi brilhante, contribuindo em idéias e profissionais para muito do avanço que vemos hoje. Mesmo assim, como quase todo gênio chega uma hora em que o peso do cérebro se faz sentir, e Nicholas surtou.
Ele caiu na armadilha comum a todos que vivem imersos em tecnologia, achou que ela seria solução para todos os problemas, o que é uma visão simplista e tentadora. Eu mesmo me sinto assim umas duas vezes por semana.
Concordo plenamente com o diagnóstico de que grande parte dos problemas do mundo vem da falta de Educação, e nem digo o pessoal que xinga muito no Twitter, mas das crianças adestradas para repetir e aceitar tudo que alguém com uma voz autoritária, uma batina ou um uniforme digam, sem questionar. Educação é o que fez William Kamkwamba se diferenciar de milhões de garotos famintos africanos, e não é do interesse de ninguém em posição de poder que essas exceções tornem-se regras.
Os Fogueteiros do NIH
Era começo de 1957, a Era Espacial mal havia começado, o Sputnik só seria lançado em Outubro, mas um futuro de foguetes, naves espaciais, explorações de novos mundos, novas civilizações já enchiam as mentes e os olhos dos meninos. Dentro todos dois dos mais entusiasmados eram Terence Boylan, de 9 anos e Bruce Cook, seu melhor amigo, 5 anos mais velho, preso a uma cadeira de rodas pela paralisia cerebral, que o impedia de se mover mas não de sonhar.
Os dois decidiram que seriam capazes de construir um foguete; ninguém deu bola, claro, dois garotos esquisitos iriam replicar a tecnologia que somente as maiores mentes da Força Aérea dominavam?
Mesmo assim o pai de Terence não vetou o projeto. O Dr John Boylan, médico e pesquisador sabia que a curiosidade deve ser recompensada, não punida.
Os dois passaram semanas na biblioteca municipal de Amherst, Estado de New York. Acharam uma estante inteira dedicada a astronáutica, construção de foguetes e Werner Von Braun. Pacientemente devoravam os livros, tentando entender o que fosse possível, estudando os diagramas e gráficos.
Fizeram alguns protótipos em madeira de balsa, mas eles se desmanchavam. Era preciso algo mais sólido. Terence decidiu usar Alumínio, mas já haviam usado todas as mesadas e economias de dinheiro do lanche. Eles precisavam de verba. Lembrando que o pai era um pesquisador, Terence perguntou de onde vinham os recursos que bancavam suas pesquisas.
“Do Instituto Nacional de Saúde”
Os sistemas operacionais estão “emburrecendo”?
Chegou o Lion, novo felino da família OS X. A última versão do sistema operacional para computadores Apple traz diversas características do irmão menor para telas sensíveis, o iOS, e divide opiniões.
A Apple diz que o Lion aproxima as duas experiências, o que, de fato, se confirma com a inclusão de alguns recursos tais como rolagem “natural” (invertida), Launchpad e outros detalhes que remetem imediatamente ao iPhone/iPad. Se é um ponto positivo ou negativo? Difícil dizer, mas acredito que é um passo adiante em vez de retrocesso.
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Tem que morrer pra ver Deus? Nah, tem uma App pra isso™
Uma das aplicações mais faladas da App Store do iTunes no momento é a SeeJesus. A proposta é que o fiel executa o programa, olha fixamente por 30 segundos para a imagem com uma prece exibida no telefone. Em seguida desvia o olhar para uma parede ou objeto de cor sólida e graças a uma “ilusão de óptica” (aspas deles) verá a imagem de Jesus na tal superfície.
Como a maioria dos “milagres” (aspas minhas) há uma explicação científica simples. No caso é o fenômeno das imagens residuais, que ocorrem quando você sobrecarrega os receptores de cor em sua retina.
Não há mistério, você inclusive evoluiu um mecanismo para reduzir esse defeito, o olho faz micromovimentos o tempo todo, entre outras coisas para mudar a intensidade do sinal nos receptores. Quando a gente força uma imagem fixa essas células perdem sensibilidade momentaneamente, assim ao mudar o foco da visão para outro ponto, elas ainda emitem um sinal fraco da imagem antiga.
Então qual o problema?
Pra começar, as aspas. A tal aplicação FAZ uso de uma ilusão de óptica, é um fenômeno mais que conhecido estudado e destrinchado desde a Grécia Antiga. Insinuar que há um componente sobrenatural para justificar a visão é má-fé (sem trocadilhos).
Agravante? A aplicação é cobrada. Algo que pode ser feito com qualquer imagem bem contrastada ou silhueta custa US$0,99. Não sou contra cobrar por conhecimento ou comodidade, mas o caso em discussão é quase como cobrar pra fazer uma busca no Google.
Mesmo assim a aplicação tem ranking máximo.
Pode ser enquadrada na lista de aplicações picaretas, safadas, estelionatárias ladras do dinheiro alheio que infestam os esgotos da AppStore?
Vamos descobrir.
Revistas no iPad–O Hype Em Perigo
Quase antes do bicho sair um monte de publicações correu, precisavam produzir versões de suas publicações para iPad. Os números iniciais foram estupendos, a Wired vendeu 100 mil cópias, outras revistas tiveram desempenho inferior mas também surpreendente diante das projeções.
Agora o sonho parece que acabou. A Wired vendeu 31 mil em Julho. Daí foi ladeira abaixo até pífios 23 mil exemplares na edição de Novembro. A Vanity Fair por sua vez ficou em 8700 cópias na edição de Novembro de 2010. Quem divulga números está preocupado, quem não divulga está sorrindo mas suando na testa, assoviando pra disfarçar.
Mesmo com projetos como a revista de Ruppert Murdock e a magnífica Project, de Richard Branson o consumidor não se anima. A culpa não é dos produtos. Nas revistas convencionais o conteúdo está replicado, no caso da Project a ferramenta é excelente, foi a primeira experiência multimídia que tive que não foi paternalista, não há nada nela chamando o leitor de retardado. A Project não é kibificada, não vem com setinhas dizendo “aperte aqui”.
Então estão morrendo por quê?
Tirando Lúpus, a princípio pode ser qualquer coisa, mas acho que dá pra diagnosticar com precisão o ocorrido.


