OS/2 25 anos. O Sistema que foi sem nunca ter sido

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Muito, muito tempo atrás a Microsoft e a IBM ainda viviam uma relação de parceria. Após o sucesso do DOS a IBM percebeu que precisava de um sistema mais robusto, para uso corporativo. Isso foi em 1985, com a primeira versão saindo em 1987, ainda em modo texto, terminalzão mesmo.

No final dos anos 80 era consenso que o OS/2 era o sistema do futuro, mas o projeto não ia bem. A IBM não gostou da Microsoft estar desenvolvendo em paralelo o WIndows 3.0, e a Microsoft por sua vez tinha dificuldade com a mão de obra alocada na IBM.

Com uma mentalidade interna muito mais próxima dos piratas da Apple do que dos engravatados da IBM, as brigas com os Microserfs eram constantes. Um caso clássico foi o dia em que gerentes foram chamados para uma reunião, e a IBM apresentou dados mostrando que a Microsoft tinha produtividade negativa.

 

Como a medida de produtividade dos programadores era por linha de código comitada no final do dia, as rotinas otimizadas pelos programadores da Microsoft, que cortavam às vezes 90% do código que vinha da IBM, geravam valores irracionais para a mente gerencial.

A IBM por sua vez reclamava que a Microsoft não comentava código, não escrevia as funções de forma clara, e que era um absurdo essa coisa de que o programador tinha que olhar e ENTENDER o programa, ao invés de ler um comentário explicando que a função fazia.

No final foi cada um pro seu lado. A Microsoft pagando Royalties por causa do HPFS,, sistema de arquivos usado no OS/2 e aproveitado e modificado no Windows NT, e a IBM vendendo uma versão do OS/2 com o Windows dentro.

Mesmo assim o sistema nunca deslanchou junto ao consumidor final. Fora alguns entusiastas, ninguém fora de empresas mexia com ele, e a tentativa da IBM em popularizar o OS/2 Warp como sistema de usuário final, em 1994 foi um fracasso.

Eu entendo perfeitamente o motivo.

Em 1995 eu estava em uma feira de informática no Riocentro. A IBM tinha um estande ENORME, cheio de modelos lindas, todo decorado com banners do OS/2 Warp. Nas revistas vinham anúncios de como ele era muito melhor e mais avançado que o WIndows (verdade, em termos) e iria mudar nossa vida.

Era um produto lançado, não era teaser. Fui até o estande, perguntei pra Dona Boa #1 sobre o OS/2. A mulher fez uma expressão de loura burra digna de um Oscar. Me encaminhou para a Dona Boa #2 e assim por diante. A 5a Dona Boa me apresentou a um nerd, a primeira pessoa que SABIA o que era OS/2 Warp.

Em resumo, naquela Fenasoft, uma mega-feira de varejo eu teria que preencher uma ficha, esperar 15 dias, ser contactado por um revendedor e então adquirir meu Warp.

No resto da feira literalmente centenas de estandes vendiam Windows 95. Ali, na lata, só pagar e pegar a caixa com o CD (era novidade!).

Tempos depois eu comprei um livro que vinha com uma cópia do OS/2 Warp. Tentei instalar, dava erro. Depois de tentar de tudo, liguei para o suporte: Descobri que a minha BIOS AMI não era reconhecida. Depois de explicar pro atendente que sim, meu computador era “montado”  (lembro até hoje o tom de nojo que ele usou) fui direcionado para o BBS da IBM.

Entrando via Modem, fazendo o DDD pra São Paulo, fucei até achar um arquivo com as instruções. Eu precisava de DOIS computadores, pois eu deveria alterar o Autoexec.bat durante a primeira metade da instalação, interromper no 1o Reboot, editar o arquivo para a versão original e prosseguir com a instalação.

Fiz isso, e UAU, OS/2 funcionando!

Muito bom, rápido, estável, mas cadê acentos?

Eu precisava entrar no BBS da IBM de novo e baixar vários drivers para que o OS/2 Warp em português acentuasse com teclado US International.

A IBM nunca soube lidar com consumidor final. Eles tinham um excelente sistema operacional, que por um tempo foi pior que o WIndows mas no final era bem melhor, mas ele sequer tinha drivers para a maioria do hardware não-IBM. Na cabeça deles o sujeito compraria Impressora, scanner, modem, tudo junto, é assim que as empresas faziam.

Dizer para o consumidor final que ele não vai poder instalar o sistema em uma placa com a BIOS mais popular do mercado, por ela não ser IBM, é inadmissível. Pouco importa que a IBM jogasse de forma agressiva a ponto de no lançamento do Windows 95 publicar um anúncio de jornal de página inteira listando 4 mil programas DOS incompatíveis com o sistema da Microsoft.

O fato é que a IBM teve os ANOS de atraso do então Chicago para mostrar a que veio, e foi derrotada não por falta de qualidade, mas por falta de entender seu público.

No mundo corporativo o OS/2 ainda teve uma boa sobrevida, com SO de caixas eletrônicos e servidor Web. Trabalhei com ele, rodando o PowerWeb, excelente webserver sulafricano, e era divertidíssimo ver hackers batendo com a cara na parede.

Só que O Mundo Não Pára, Correndo pelas beiradas veio o Linux, e enquanto o OS/2 tinha exigências de hardware draconianas e um preço salgado, o Linux rodava em qualquer chaveiro com hino de time de futebol, e era amplamente documentado, se você precisasse escrever seus próprios drivers.

A IBM hoje é uma empresa Linuxeira até morrer, e o OS/2 é uma fonte de despesa, pois continuam lançando correções de segurança.

Um triste fim para um sistema que por um tempo apresentou-se como a primeira e única ameaça real ao Windows, tendo o poder de rodar aplicações Windows melhor que o WIndows, devorando o sistema da Microsoft por dentro e no mínimo existindo em tantas máquinas quanto ele.

É preciso mais que superioridade tecnológica para vencer no mercado de TI. É preciso saber vender e saber pra quem está vendendo. Por isso talvez que a Apple tenha prosperado tanto com um cara de produto no comando, e a Microsoft tenha trocado um programador por um vendedor.

Senão, você pode ser a maior empresa de informática do mundo e ainda assim será superada por um bando de sujeitos que, a seu ver, tem produtividade negativa.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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  • Todo mundo que tem conta no Banco do Brasil já usou o OS/2 Warp, até hoje os caixa-eletrônicos deles rodam o sistema.

    Inclusive recentemente me deparei com uma tela azul, que a principio achei que era do Windows, mas fui surpreendido segundos depois com a tela de boot do sistema da IBM.

    • Já aconteceu dum caixa (não eletrônico, aquele com um funcionário mesmo) dentro da agência resetar sozinho enquanto eu estava sendo atendido. Apareceu um bootloader com alguma versão do Window, um Linux, e o OS/2. O caixa escolheu o OS/2, esperou alguns minutos e o ambiente dele voltou.

      Achei super interessante. E o caixa falou que acontecia com ele umas 3 vezes por dia, pelo menos.

      • Essa história eu já ouvi falar… Houve um hiato entre a morte do OS2 e a adoção do Linux nos terminais que os funcionários usavam… A solução adotada para manter alguma segurança e aproveitar os sistemas OS2 existentes foi curiosa… SO Windows rodando uma máquina virtual com OS2 dentro :0

        • Jonatas Cartaxo

          Trabalho em uma empresa de TV a cabo e o servidor que faz a comunicação do sistema com o decodificador ANALOGICO roda em OS/2, tive que improvisar um backup desse servidor e usei um conversor de Compact Flash para IDE pq a Bios nao aceitava discos rígidos acima de 4GB. Mas no mais está rodando firme e forte à 10 anos sem dá problema.

    • Muito legal o texto. Fiz estágio no BBC (Banco Bilbao Vizcaya) no final dos anos 90 e o sistema que usavamos era o OS2/WARP. Apesar de não ser tão “colorido”, realmente era bem mais avançado que o Windows NT (98 nem comento) e tinha umas ferramentas de desenvolvimento interessantes, coisa que Windows também não tinha.

    • A maioria dos terminais (inclusive de auto-atendimento do BB) de hoje roda linux e o motivo é simples: Hardware mais novo não tem driver para OS2, posso estar enganado mas acho que nem USB ele tinha.

    • Marcelo Eiras

      Já faz um bom tempo que trocaram tudo por Linux.

    • Também passei por isso uns 3 anos atras.

  • Foi o primeiro sistema operacional inteiramente 32 bits em um mundo 16 bits. Além dos motivos citados, o OS/2 fracassou porque era avançado demais para a época.

    • É verdade!
      Toda tecnologia quando é lançada frente ao seu tempo não tem a sua devida aceitação!
      Isto ocorre em vários tipos de segmentos.No mundo dos video games, vimos a Atari lançar o Jaguar que era tido na época o mais avançado console e por não ter sido muito bem aproveitado, logo foi descontinuado!!!
      A problemática toda pode ser muito mais simples do que a complexidade do produto em si, a forma como ele é exposto ao mercado, preço, suporte, dentre outros fatores não forem devidamente observados o resultado é o fracasso!
      Ótimo post Cardoso!Parabéns!

    • Creio que foi porque dependia de tecnologias de terceiros: MS/DOS/WINDOWS/FAT e objective C, que a APPLE somente com o OS X yosemite e a linguagem criada recentemente superou, ou está superando.

      Mas a APPLE vai amargar a opção pela linguagem orientada a objetos.

      O OS/2 era escrito em linguagem OO e o shell (REXX) também era OO, mas o OS X não é OO.

      • Paulo Cavalcanti

        Se entendi o que vc quis dizer, o OS/2 não dependia do MSDOS pra rodar. Já existia OO naquela época? (Valeu por ressuscitar minha thread de três anos atrás. )

  • Por volta de 96 eu instalei o OS/2 Warp no meu 486 Compac… 40 disquettes! Ele era MUITO mais estável e rápido que o windows 3.11 que eu rodava na época. Inclusive rodava quase todos os joguinhos de DOS sem complicações de ficar configurando o QEMM.

    Infelizmente meu 486 só tinha 8MB de RAM, e assim o micro ficava travando na hora de jogar Warcraft2 por causa do swap. Meu pai foi categórico em dizer que eu podia fazer o que quizesse com o PC, desde que o Warcraft2 continuasse funcionando. Como não tinha grana pra dobrar a memória do computador, acho que nem dava, o OS2 sambou e eu voltei pro DOS + Windows3.11.

  • Naquela época eu arriscava tudo quanto é sistema para tentar fugir do Windows. O OS/2 e o BeOS eram dois que, se tivessem boa orientação e bom suporte, dominariam a parada.

    • Fábio Emilio Costa

      Eu fiquei muito tempo usando OS/2 em dual boot… Gostava muito mais do OS/2, cheguei até mesmo a comprar uma revista importada que por um acaso tinha o Lotus SmartSuite para o OS/2… Só que o tempo derrubou as coisas e acabei voltando ao Windows na época… Até descobrir um certo Slackware…

  • Daniel Almeida

    Excelente história.
    É o que falo pros colegas que defendem tanto o Linux. As pessoas não querem ficar procurando na internet como instalar isso ou aquilo, embora o que experimentei do Ubuntu tenha sido bem menos traumático.

    • Minha experiência é justamente o contrário… no Windows todo hardware novo eu preciso baixar o driver na net (já que o do CD é desatualizado), mas SEMPRE existe o driver. O linux reconhece TUDO sozinho e instala de maneira mais simples do que o Windows. Por coincidência ontem mesmo instalei uma M-Audio Fast Track Pro… O windows reconheceu mas não permitia fazer os ajustes, tive que baixar do site da M Audio ai funcionou perfeitamente (Poderia ter instalado do CD mas a versão do site é mais atual, claro). No linux ela foi reconhecida automaticamente com todos os controles disponíveis.
      Repare o que estou dizendo QUANDO EXISTE O DRIVER OFICIAL PARA LINUX a instalação é mais simples… O problema é que tem relativamente MUITO hardware que não tem driver para linux, ai começam as marretadas, essas sim dificílimas para o usuário comum, além é claro que alguns softwares que não tem versão para Linux e cujas alternativas livres não estão no mesmo nível … Ficando no meu exemplo: Protools, Cubase, etc não tem versões para o Linux.

      • Marcelo Eiras

        Eu acho constrangedor para a comunidade Linux em especial para o Ubuntu não reconhecer uma simples e popular Sound Blaster. E olha que a Creative liberou o código dos drivers.

  • Não adianta ter um produto bom, se ele não é feito pra quem você quer vender. Nem ter um produto bom que e dificil de instalar, de manter, de adquirir. Se tem uma serie de entraves, e melhor mudar de fornecedor mesmo.

  • Era lento pra caramba.. acho que o maior tempo de boot que presenciei num S.O… eram uns 5 min de boot.

  • Geraldo Dal Berto Jr.

    Eu tentei instalar o OS/2 num IBM Aptiva (486 25Mhz… hehe) e não deu. A própria IBM me disse que não tinha drivers… Não suportar hardware de terceiros até seria compreensível se, na mente megalômana da IBM, isso fizesse povo optar pelo seu próprio hardware. Mas não suportar a linha IBM Aptiva foi power-fail-extreme-ultimate para mim…

    • Mas convenhamos, o Aptiva era um power-fail-extreme-ultimate por si só. Era tanto hardware proprietário que um upgrade era quase impossível, tal como os computadores Compaq da época (aquele todo integrado no monitor)

      • Fausto Biazzi de Sousa

        Não me lembre desse demônio!!!!

      • Fábio Emilio Costa

        Trabalhei com manutenção nessa época e… DEUS DO CÉU, que máquina satânica a tal Aptiva. Para ajusta um flat cable do drive de disquete você tinha que desmontar a máquina inteirinha… Existiam coisas que ficavam em posições que fariam contorcionistas do Cirque De Soleil ficarem doloridos. Era doloroso!

  • Xultz

    “Muito, muito tempo atrás” Puxa, faz tanto tempo assim? Droga.
    Uma lembrança que tenho é que na época tinham os grupos de usuários de OS/2, que tinham plena convicção de que ele ia destruir o Windows, a Microsoft, acabar com todos os bugs e todas as guerras. Era divertido ver aquele povo se reunir prá trocar informações, etc.
    Alguns poucos anos mais tarde fui numa palestra dum grupo de usuários de Linux, e eram os mesmos do OS/2,e com as mesmas convicções 😀

    • A diferença é que o sistema da IBM parou definitivamente no tempo enquanto o linux está por aí rodando nos mais diversos dispositivos, afinal de contas fabricante algum vai licenciar o Windows para construir um dispositivo inteligente qualquer (seja uma torradeira, uma tv, uma geladeira, um receptor de sinal, um roteador e etc e etc).

      Eu não seria um desses entusiastas da sua postagem, mesmo porque os desktops é a área do Windows, há anos ele tem pleno domínio (um domínio esmagador) e sempre será assim enquanto o conceito desktop existir.

      Nenhum sistema da atualidade está aqui com a missão de “destruir o Windows”, mas o habitat natural do velho Windows (os desktops) está perdendo relevância em relação aos dispositivos móveis, o leão é o rei das selvas, mas se a selva for drasticamente reduzida ao quase nada do que adiantará o reinado do leão?
      Claro que os desktops não irão desparecer da face da terra (sempre que falo da progressiva falta de importância dos desktops aparece neguinho deturpando minha postagem ), o mercado de servidores, das pesadas aplicações de edições de imagens e games garantirão o mercado dos desktops, mas mesmo assim não será suficiente para segurar a sua relevância no mercado geral.

      Então o Windows vai morrer? Longe disso, a bilionária empresa por trás dele não iria deixar isso acontecer ( a interface metro está aí pra provar isso), mas fora dos desktops o Windows tem que descer da condição de rei, fora dos desktops ele é apenas mais um e o consumidor agradece, afinal de contas dinheiro não é capim para ficarmos alimentando monopólio para todo o sempre…

  • Droga, estou ficando velho. Eu já mexi em um desses quando era novidade em 1995 ou 1996 e era bem mais interessante que o Windows 3.11 ou até o Windos 95.

  • Eliezer Souza

    O que me impressionou quando mexi com o OS/2 foi o reconhecimento de voz.. apesar de não funcionar direito, aquilo foi surreal pra mim, sensacional!!!

  • eu fui nesta feira em 1995 e devo ter ido depois de vc já q “logo” na Dona Boa #2 recebi a informação de q teria de preencher a ficha, como o nerd nao estava (acho q no intervalo) e Dona Boa #XX nao saberiam me explicar mais nada fui embora

  • Feira de informática em 95 no RioCentro?? Eu só lembro de uma, naquele ano, e era a Condex-Rio. Fenasoft era em São Paulo. Aliás, eu lembro dessa Condex, o Windows 95 era recém lançado, e tinha até stand da Microsoft com um apresentador lá demonstrando todas as novidades conceituais do sistema. Eu lembro que entrei de graça, graças à um passe que ganhei ao assinar a Micro Sistemas num quiosque da mesma no CEFET (aliás, assinei por um ano, mas ganhei os DOIS ANOS ANTERIORES de brinde, um catatau de 24 revistas embaladas para levar para casa na mochila!). Legal que por conta do meu cadastro no evento recebi mais um convite cortesia para a Condex do ano seguinte. Bons tempos 🙂
    Já quanto o OS/2, esse para mim sempre foi um grande mistério. Mas lembro que na época o B. Piropo era um ardoroso defensor do sistema, que nunca deslanchou

    • A primeira revista onde publiquei um texto foi a Micro Sistemas 😉

      • Queria ter memória suficiente para lembrar disso. A assinatura que eu fiz já foi perto do “fim” da mesma, e as últimas edições demoraaaavam para ser entregues. E depois ela adotou um esquema de entrega revista à revista: um cara de lá me ligava, perguntando se eu iria querer, confirmava, ele aparecia lá no escritório, entregava a revista e eu pagava. Ela nem era mais vendida em bancas, nessa época capenga, até que finalmente pereceu.
        E queria ter podido conservar todas as revistas, também, mas elas ficaram guardadas numa caixa perdida na garagem da minha avó, numa época que fomos dividir a casa dela, e deu umidade, com uma infestação de traças e baratas que estragaram todas as Micro Sistemas E InfoExames que eu tinha guardado. Foi TUDO para o lixo, em 98 🙁

        • Micro Sistemas… me lembro de copiar, manualmente, auqueles programas em BASIC para o TK-85… rs

    • Eu também fui nessa CONDEX de 95 no RioCentro.

  • Uma coisa que eu admiro muito na IBM é a capacidade dela de se reinventar. Se ela teimasse nos seus pontos de vista como fazia na época do surgimento do PC, já estaria morta ainda na década de 90. Ter abandonado o mercado que ela mesmo criou no final das contas foi uma atitude mais do que acertada, coisa que a HP não teve culhões para fazer.

    • Marcelo Eiras

      Ela não abandonou o mercado de PC, ela foi abandonada por ele.

  • Se você fizer compra nos mercados do Wal-Mart, saiba que todos aqueles caixas rodam OS/2. Detalhe, são terminais recebendo o SO por boot pela rede.
    Arcaico e chato pra caramba, mas show de bola.

  • Ramon E. Ritter

    Essa incompatibilidade com a BIOS AMI foi um dos motivos para desistir do OS/2 na época. Para conseguir drivers para qualquer coisa era preciso se conectar na BBS da IBM em São Paulo (pagando ligação DDD, que na época custava uma fortuna). As vezes levava mais de 15 minutos só para conseguir conexão, pois as linhas viviam ocupadas. E, como citado pelo Cardoso, era bem difícil conseguir drivers para qualquer dispositivo que não fosse muito conhecido.

    Mas tecnicamente ele era bem superior ao Windows (tem coisas que até hoje o WIndows 7 não faz e ele fazia na época estupidamente rápido, como formatar um dispositivo de armazenamento enquanto copiava dados para outros sem perder performance).

    • O que ferra o Windows é a quantidade de código legado que ele tem pra poder dar suporte a coisas antigas.

  • “minha BIOS”, “com a BIOS mais popular do mercado”. Parece que a grande maioria não sabe usar a concordância certa para o termo BIOS. O certo é ‘O’ BIOS. ‘Meu’ BIOS …. ‘O’ BIOS mais popular do mercado.

    • Fausto Biazzi de Sousa

      e o que isso alterou o sentido do texto?

  • O interessante é justamente assim que a Apple funciona. Um sistema bom, que “só” funciona com hardwares vendidos por ela, por um preço consideravelmente mais caro alem dos outros aparelhos que exigem o software da empresa (iTunes) para sincronizar.

    A sutil diferença é justamente na venda, e na experiência para usuário leigo.

    • A APPLE [e uma empresa voltada para atender ao cliente.
      IBM e Linux não têm CLIENTES, têm USUÁRIOS, e não ligam a mínima para os usuários.

  • Allan Teixeira Almeida

    Um detalhe válido é que hoje, apesar de “abandonado” pela IBM, outra empresa assumiu e lançou com outro nome, eComStation, pena que sofre do mesmo mal, bem complicado pra instalar(consegui a duras penas em uma máquina virtual, pois na real não funcionou) e drivers bem capenga, pra ser bonzinho.
    Vale um torrent + virtual pc pra brincar nas aulas de “micro informática” de sábado.

    Ahh, tenho uma tela salva de um terminal travado com OS/2 em um drive-thru do BB. Ficaria interessante pro post 😉

  • Marco Rodrigues

    Alguém sabe o por quê da IBM não liberar o código fonte do OS/2? Criar um novo projeto na comunidade e manter quem ainda usa o sistema?

    • porque a IBM vendeu os direitos do código fonte para uma empresa que o comercializa com o nome de ecomstation.

  • Marcelo Eiras

    Se existia uma coisa que o OS/2 humilhava o Windows era no I/O. Me lembro que no stand da IBM na Fenasoft era comum criarem e deixarem rodando em varias janelas um .bat tipo:

    @echo off
    dir c: /s
    call arquivo.bat

    Ou seja o programinha listava o disco c: recursivamente em looping. No OS/2 funcionava perfeitamente em várias janelas, no windows era um desastre.

    Por sinal o OS/2 era tecnicamente muito superior, em especial em I/O, gerenciamento de memoria e multitarefa. Era uma especie de batalha VHS x Betamax, venceu o pior.

    A MS levou decadas para ter tem um gerenciamento de I/O e memória tão eficiente quanto o OS/2. O NT por exemplo capotava com um simples DVD arranhado.

    Mas o calcanhar de aquiles do OS/2 era a falta de desenvolvedores, e mais uma vez se mostrou que vence uma guerra de SO é a quantidade de softwares e de drivers.

  • Adriano Macedo

    Lembro de ter conseguido, com o OS2/Warp, abrir duas janelas: Na primeira, acessando uma BBS e fazendo download a 2.400bps e na outra jogar o Mortal Kombat 1. E sem travar. Bons tempos.

  • Me lembrei de quanto comprei um OS/2 só para descobrir o quanto o suporte da IBM era péssimo para o usuário final.

  • rfsenger

    Tentar instalar o OS/2 Warp da IBM, mesmo que em sua última versão MCP-2 de 2001, em hardware moderno é práticamente impossível. Para que tem intenção de utiliza-lo a única opção é versão distribuída pela Serenity, o chamado eComStation cuja última versão é a 2.1.

    As razões são óbvias. Hardware atual é quase que totalmente baseado em ACPI e sómente com uma ACPI moderna é possivel a instalação e utilização. Eu utilizo em um Lenovo T61 e em um “montado” Asus/Phenom sem maiores problemas.

    De uma foram resumida pode-se dizer que o eCS é um OS/2 atualizado que roda todo programa nativo OS/2 que um OS/2 Warp roda, todos aqueles programas de windows 3.1, e mais uma série de programas atuais, comuns em outras plataformas operacionais, decorrentes de open software. Open Office, Mozilla Firefox, Thunderbird, Flash 11, Java 6, players de multimídia compilados a partir do VLC, do Mplayer, etc. Apesar de ser distribuido por uma pequena empresa americana, pode-se dizer que ele atualmente é 80% russo (eCoSoft) e 10% holandes (Mensys) e 10% entusiastas que geram as versões OS/2 a partir dos programas linux.

    A título de curiosidade, tenho uma máquina K6-2 550 /Asus P5A-B montada em 2001 onde estão instaladas as versões OS/2 2.1, OS/2 Warp 3, OS/2 Warp Connect e OS/2 Warp 4 (1996), todas rodando perfeitamente. Foi o hardware mais moderno que consegui com que isto fosse possível. Faz parte do meu hobby “Museu do OS/2” e apresenta algumas curiosidades como por exemplo, o fato de o OS/2.1 de 1992, quando nem mesmo existia drive de CD-ROM reconhecer e executar os CDs no driver com a instalação do driver de interface IDE do Warp 3. De fato sempre foi um sistema avançado demais para sua época. Para curiosos também, tenho o Microsoft OS/2 1.3 rodando em uma máquina virtual com programas como Word for OS/2, Excel for OS/2, Aldus Pagemaker for OS/2 entre outros.

  • Renee Fernando Senger

    Poderia me informar o porque de meu comentário ter sido deletado?

  • Algumas coisas que me lembro do OS/2 Warp 3.0:

    – Sim, ligar pra BBS da IBM era rotina, todo dia. Foi um sufoco achar um driver para uma placa de video comum na época e com muito sufoco consegui chegar a resolução SVGA;

    – Maior boot que já vi na vida. Uns 7 minutos, no mínimo; Pessoas hoje reclamam de boot de 40s. Vocês não imaginam o que é ligar um computador e ter de tomar um café pra quando voltar ele estar pronto pra usar.

    – Eu não gostava da disposição dos icones, eram todos desarrumados em locais irregulares dentro da janela. Apesar disso, a bandeija era uma maravilha;

    – Eu não sabia onde começava e onde terminava o PC-DOS e o OS/2. O autoexec.bat e o config.sys tinha chamada de drivers de 32 bits (bizarro) ao mesmo tempo que lidava com o PC-DOS. Era bastante confuso lidar com os arquivos de sistema;

    – Um ponto muito forte do OS/2 que justifica muito seu uso: rodar programas do Windows 3.1 sem ver GPFs. Isso era real, o mesmo programa rodando no mesmo computador sob Windows 3.1 era GPF de 5 em 5 minutos. No OS/2 era plenamente estável. O mesmo acontecia com o DOS. Por mais customizado e ninja que fosse seus arquivos autoexec.bat e config.sys, por mais que voce tenha usado memmaker, nada se comparava a executar aquele joguinho a partir do OS/2; O sistema magicamente rodava os jogos melhor que para plataforma que ele fora projetado: DOS e DOS4GW;

    – A comunidade era muito amigável. A OS/2 Brasil era formado de gente de 25 anos pra cima. Em comparação com as listas de Linux, era como se OS/2 Brasil fosse um escritorio e o br-linux a quinta-série, com usuarios reprovados por sucessivos anos; Não usei Linux tamanha quantidade de besteiras que os moleques espalhavam pra todo canto da internet. IRC? lá estavam eles. ICQ? sempre tinha um que começava a pirar. Newsgroups? infestados deles.

    – Abandonei OS/2 completamente quando tive contato com o Windows 95. Tudo muito mais organizado, limpo, bonito mas instável. Troquei a estabilidade pela facilidade, praticidade e oferta de programas. Não havia para o OS/2 nada do nível do Office 95, principalmente o Publisher que só perdia para QuarkXpress no Mac e o Corel rodando em 32 bits e tirando leite de pedra do meu DX2 66Mhz.

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