San Picciarelli 15 anos atrás
Analisemos por um segundo o grande momento dos dois maiores OS mobile atualmente: iOS e Android. Essas duas houses ganhando os tubos, os desenvolvedores desbravando mercados com uma abordagem made-in-Indie, usuários frenéticos consumindo à rodo, tanto que nem mesmo a pirataria de software chegar a incomodar. Mas esse leaking não é só de grana...
Independente daquilo que procuramos explorar em pormenor, destacando falhas e sucessos em ambos, o fato é que a vida ficou bem mais fácil com sistemas portáteis e enxutos, também extremamente robustos e que, até um certo ponto, fazem bem o papel de converter um dispositivo mobile em algo realmente útil hoje.
Okay, Okay.
Uma característica igualmente comum em ambos os OSs é a, digamos, dependência dos aplicativos. O que torna um smartphone ou tablet interessante e multifacetado não está no quão bad-arse podem ser as suas especificações de hardware, seu design ou as suas funcionalidades padrão: são os apps que rodam neles.
Sem aplicativos o mercado mobile seria... medíocre.
Estes que são desenvolvidos por terceiros e que alimentam uma cadeia mercantil que pode render bilhões, à velocidades nada comuns em outros setores da indústria da tecnologia da informação.
Nessa trama, se costuram grandes movimentações e atrativos, como redes sociais para as mais infinitas finalidades, sistemas e programas para o gerenciamento de tudo, projetos incríveis de ciência, gaming e entretenimento.
Já evidamente aclimatados à telinhas menores, abraçamos o que o mobile tem produzido e continuamos sedentos por mais, esperando que o formato dê o seu tão esperado e definitivo salto, realmente ajustando-se às nossas demandas, vontades e expectativas.
Mas qual é o custo, para o usuário, dessa evolução tão ágil e poliforme que se instala, semana a semana, com a tecnologia no mobile?
Segundo uma empresa de auditoria chamada ViaForensics e um importante estudo que realizaram, o custo é alto. Demais.
De 100 aplicativos testados para Android e iOS, os pesquisadores conseguiram recuperar 76 dados pessoais de seus usuários. Por quê? Porque segundo a empresa, a maioria dos desenvolvedores faz um trabalho "porco" de proteção da identidade. Só por isso.
Não faz muito tempo me lembro dos amontoados de pesadas críticas contra o modelo fechado da Apple de aprovar e licenciar o a mão-de-obra alheia de desenvolvimento, dizendo que eram coronelistas demais para acharem que era possível dominar o mundo e controlarem todos via o típico cabresto curto e totalitarismo posh, griffe da casa.

A ViaForensics analisou os principais segmentos de aplicativos e seus maiores expoentes em ambas as plataformas (iOS/Android) e constatou que a maioria deles mantem registros de dados do usuário em formato de texto puro, escancarada e escandalosamente desprotegidos.
Nesse aspecto em particular, os Blackberries acabam até sofrendo com o excesso de zêlo no coding de encriptação de dados e a altíssima confiabilidade na segurança da informação que fazem trafegar entre os seus dispositivos.
"Enquanto muitos podem não considerar seu nome de usuário uma informação sensível, ela é na realidade uma peça muito importante (...) Muitos sistemas requerem apenas o nome de usuário e uma senha (simples), portanto, obter esse nome de usuário quer dizer que 50% do quebra-cabeças na violação já fica resolvido"
-- explica a ViaForensics, dando também um panorama das implicações de segurança em se manter dados sensíveis em formato simples de texto.
O papel aborda áreas como Risco para o Consumidor, Google e Apple, Processos de Testing, Aplicativos Financeiros, de Redes Sociais, de Produtividade e de Vendas a Varejo, produzindo um cenário NADA entusiasmante em relação ao modo como os desenvolvedores se preocupam com a sua segurança.
Em paralelo, um outro estudo de segurança realizado pela Sophos revelou que 70% dos usuários não protegem seus dispositivos mobile.
Uma prática porcina, fruto de uma nova cena econômica e social que, de facto, não poderia ser mais rentável de um lado para uns; mais perigosa e sem sentido para outros.
Para baixar o Paper da Via Forensics, clique aqui (requer login).