Novo diretor do FBI também não gosta de criptografia

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O FBI, a Apple e o Google vêm dançando a valsa da criptografia há um bom tempo: quando ambas empresas anunciaram que protegeriam seus sistemas móveis de xeretas em geral, incluindo aí os profissionais (agradeçam a Edward Snowden) vários governos e agências de segurança não gostaram nem um pouco, jogando com a carta do FUD (Fear, Uncertainty and Doubt ou Medo, Incerteza e Dúvida) em declarações de que a criptografia protegia criminosos. Até o Brasil entrou na dança.

Com o FBI não foi diferente. Desde o início o então diretor James Comey vociferou que a criptografia total era intolerável, que o Bureau tinha direito de ter acesso a tudo que as pessoas conversam ou deixam de conversar e exigia, junto com a NSA que as empresas instalassem portas da frente no iOS e Android, uma espécie de conjunto de chaves-mestras que seriam cedidos aos órgãos de segurança e seriam utilizadas em conjunto com a companhia somente em casos específicos. Obviamente Google e Apple obraram e se locomoveram, e com o tempo mais e mais empresas de tecnologia que mantém softwares de comunicação vêm criptografando seus dados.

O tempo passou, Comey rodou após bater cabeça com o presidente Donald Trump (mas ainda anda por aí) e foi substituído pelo moderado Christopher Wray, que assumiu o órgão no meio de uma tempestade (a investigação sobre o envolvimento da Rússia nas eleições), mas também tem de lidar com a onda de ataques e crimes que podem ser solucionados com um acesso garantido aos Androids, iPhones ou iPads de criminosos ou suspeitos. Sobre isso, Wray deu uma declaração no domingo durante uma conferência em que revelou que apenas metade dos dispositivos que caem nas mãos do FBI foram invadidos, deixando cerca de 6.900 smartphones e tablets (a porcentagem de quantos são dispositivos iOS e quantos são Androids não foi revelada), seja através dos métodos da Cellebrite (que invadiu o iPhone dos terroristas de San Bernardino) ou outros.

E acrescentou:

Resumindo, isso (não conseguir invadir os dispositivos) é um problema gigantesco (…) que vai impactar investigações de todo o tipo — tráfico de drogas, tráfico humano, contraterrorismo, contrainteligência, ações de gangues, crime organizado, exploração infantil.”

Wray aparentemente é um pouco mais moderado do que Comey, não chegou a mencionar a necessidade da criação de portas da frente ou dos fundos nos sistemas móveis mas diz que há um ponto de equilíbrio em que as empresas e o governo devem atingir, e que a proteção total dos dados do usuário não é uma boa coisa apelando também para o FUD, em tese porque criminosos, terroristas e meliantes em geral seriam protegidos por seus dispositivos:

Eu entendo que há um ponto de equilíbrios que precisa ser atingido entre criptografia e a importância que é nos fornecer as ferramentas de que precisamos para manter o público a salvo (…). As ameaças que enfrentamos vêm se acumulando, e são complexas e variadas (sobre células terroristas e extremistas domésticos).”

Eu entendo o ponto de Wray ao argumentar que é dever do FBI zelar pela segurança dos cidadãos dos Estados Unidos, só que fornecer meios para agências vencerem a criptografia do iOS e Android não é uma solução pois invariavelmente a solução será abusada; a melhor alternativa é deixar como está e que o Bureau continue dependendo de ferramentas caras e complexas como a fornecida pela Cellebrite, em que seu uso só é justificado em investigações essenciais e não para casos de ladrões de galinha. E que os federais que se virem para criar novas formas de acessar os dados, tão cascudas e caras que seu uso constante seja inviável.

Fonte: AP News.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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