Yashica digiFilm Y35 — voltando ao passado

digifilm-camera-yashica

Se você tem minha idade então deve se lembrar das câmeras fotográficas da Yashica. Como bem lembrou o Cardoso, câmeras fotográficas são equipamentos que usávamos para fazer fotografia antes dos smartphones. A primeira câmera que tive foi uma Yashica 35MF. Opções de regulagem inexistentes. Você puxava o filme e depois apertava o botão disparador. Simples assim. Foi a única câmera que tive da marca, embora até hoje tenho vontade de ter uma Yashica Mat na estante como decoração.

O que importa é que a Yashica possuía câmeras bacanas que ficaram bem conhecidas, mas nunca chegou a ser grande como uma Nikon ou Canon. Em 2008 a Kyocera, detentora dos direitos sobre a marca, vendeu esses direitos para uma empresa com sede em Hong Kong e a marca meio que sumiu dos mercados ocidentais. Aproveitando que o nome Yashica tem uma reputação entre os consumidores de fotografia, um retorno triunfal foi planejado. Algumas semanas atrás 3 comerciais enigmáticos começaram a circular pelas redes sociais prometendo algo novo e interessante. Vejam as três produções no vídeo abaixo.


Expect the Unexpected. digiFilm™ Camera by YASHICA

O primeiro lançamento que a nova Yashica (baseada em Hong Kong) fez foi um conjunto de pequenas lentes para smartphones. Foi tão impactante que quase não se acha notícias sobre isso. Mas, o alvo da campanha publicitária era o lançamento da Y35, câmera digital que chupa descaradamente o design da antiga Yashica E35, porém as similaridades não param por ai. Vejam só que coisa esquisita. A câmera possui uma lente fixa de 35 mm com abertura de f/2,8 e apenas 5 velocidades de obturador (1 s, 1 / 30 s, 1 / 60 s, 1 / 250 s, 1 / 500 s). Agora vem a parte estranha, você precisa ter filmes digitais para utilizar a câmera. Isso mesmo, embora tenha um sensor CMOS de 14 megapixels (1 / 3,2 polegadas), configurações de ISO, formato e cor devem ser acessadas através dos rolos de filme fotográficos digitais.

No lançamento terão disponíveis 4 rolos de filmes: filme com ISO 1600, ISO 400 preto e branco, ISO 200 ultrafino e ISO 200 formato 6×6 (foto quadrada). Se você está fotografando com o filme de ISO 400 preto e branco e quer fotografar com o ISO 200 é necessário desligar a câmera, abrir o compartimento interno, retirar o filme ISO 400 e colocar o outro. Porém, as fotos não são armazenadas no filme e sim em um cartão SD. Ao que parece, o que a empresa chama de filme fotográfico, é na verdade um módulo contendo um microprocessador que determina efeitos e sensibilidade do sensor. A câmera oferece um modo automático que determina a exposição conforme a velocidade do obturador e ISO escolhidos e é alimentada com duas pilhas AA comuns. E, fechando o pacote, para fazer cada foto é necessário puxar a alavanca de avanço do filme fotográfico, assim como nas câmeras analógicas (eu sei).

Sinceramente, eu achei bizarro. Deixem o passado morrer, por favor. A tecnologia avançou para tornar nossa vida mais confortável e não para criar esses monstros bizarros. Você tem a mesma opinião que eu? Então saiba que estamos do lado errado da coisa. A empresa colocou a campanha de lançamento no Kickstarter com o valor de US$ 150,00 pela câmera e os 4 filmes fotográficos. A empresa tinha como meta arrecadar HK$ 800.000 (dólares de Hong Kong). Ainda faltam 36 dias para a campanha acabar e eles já arrecadaram HK$ 8.540.545,00 (em torno de US$ 1.092.005.42).


Facts guru — The Yashica Y35 is a ‘digiFilm’ Camera with Pretend Film Rolls.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams “Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio”.

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  • W. W. Barros

    Hipsters com dinheiro.

    Para satisfazer meu lado nostálgico eu fico com minha Fuji X20, que faz tudo isso aí sem precisar “trocar o filme”.

  • major505

    Idéia é até legal, mas certeza que eu ia perder essa merda de digifilme depois de umas 4 cervejas.

  • Fernando Silva

    Ainda se as fotos ficassem armazenadas no “filme”, mesmo assim, muito bizarro o conceito…

  • Passo longe.

  • Vinícius Rangel

    em 1995 a industria fotografica se reuniu para fazer justamente isso, criar o filme digital, mas cada uma foi pro seu lado e isso não vingou, agora a yashica desenvolve… achei bacana. as pessoas gostam de “colocar o filme na camera”

    • Gilson Lorenti Fotografia

      mas o conceito do filme digital de 1995 era um sensor fotográfico que pudesse ser utilizado em câmeras verdadeiramente analógicas (sei que não é correto utilizar esse termo). Seria interessante, por exemplo, fazer fotografia digital com minha K1000. Muitas empresas entraram nessa corrida, mas nenhuma conseguiu desenvolver o brinquedo de forma competitiva.

    • Gilson Lorenti Fotografia
  • Malditos hipsters.

    • Deckard

      E até estes estão sumindo, vejo poucos por aí…
      Uma pena, eram divertidos.

  • Claudio Hess

    estranho mesmo, e não parece melhorar a qualidade das fotos…
    uso o clip de lentes, especialmente a macro!,
    custa só 25 reais, mas vale 500!!
    tem um outro atradaptador para zoom q chega a aproximar crateras na Lua!! só 100 reais!
    acho q vou comprar…

    • PabloEscobar

      Tens o link dessa lente que comprou?

      • Claudio Hess

        oi Pablo, vc acha em qq loja de xingling, costuma custar 25 reais, é como um pregador de roupa c uma lente na ponta q vc atarracha.

  • Felipe Torrezini

    Aguardo ansiosamente o lançamento do LP digital.

    • Haadok

      Estou esperando pelos de 75rpm.
      Ou pelos K7 digitais – Êpa – Este existiam! Usei fitas K7 para gravar os programas de meu primeiro computador, um TK2000.

    • Henrique Crivelli

      Esses não seriam os laserdiscs? (Sendo sincero eu gostava bastante deles, pena que aqui na banânia tudo que presta é um absurdo de caro)

  • Douglas

    e 1º de Abril hoje e eu não sabia?

    • Claudio Hess

      kkkk!! parece uma bobagem mesmo, não consegui ver vantagem nenhuma sobre um celu de última geração, ou boa maq digital c lente razoável!

  • Angelo Vale

    Eu sinto falta do filme no cinema. Não é uma questão de saudosismo e sim de qualidade. Percebemos mais profundidade e faixa dinâmica com o filme do que com o digital apesar que em muitos casos nem faça diferença. Filmes como Lawrence da Arabia e entre outros ficaria horriveis no cinema digital.

  • Wilson Machado

    Eu não gastaria 1 centavo de real sequer nesse treco.

  • Geraldo Perdigão

    Para os que não gostaram, é normal achar que é um retrocesso… Acredito que seja uma camera pra quem realmente é fá de fotografia.. os 4 digifilm disponíveis são apenas o começo… Acredito que a seguir virão as cameras digifilm para profissionais.. que poderão juntar a praticidade da imagem digital com os rfecuros dos fiulmes analógicos. Poucas pessoas sabem tirar proveito de um filme Preto & Branco, mas profissionais da fotografia vão adorar ter esses recursos de volta.

    • Henrique Crivelli

      Profissionais da fotografia já tem esse recurso: é o menu da câmera. Se a pessoa quer uma foto P&B com iso 400, é só ele selecionar o iso 400 da câmera dele e o perfil de cor P&B. Um profissional não iria ter proveito nenhum se precisasse, no meio do evento, desligar a câmera dele, abrir ela, arrancar um módulo de controle e recolocar outro pra fazer a mesma coisa que ele faria ao apertar dois ou três botões na câmera. Pra um consumidor normal, alguém totalmente leigo ou algum hipster modista, tudo bem, é cool vc ter uma câmera extremamente limitada que depende de um processo complicado pra fazer o que qualquer outra já faz, mas pra um profissional que trabalha com momentos breves, perder tempo não é algo muito quisto

  • Pedro Carvalho

    Adoro o conceito, aliás, ainda adoro o analógico. O facilitismo na fotografia não melhora a mesma, torna mais fácil, é certo, mas tira o encanto. Mesmo estando já no digital, apenas porque o analógico é caro, mesmo assim quando quero tirar uma foto eu “paro”, é necessário ver e não apenas olhar, é necessário pensar e não apenas “disparar” até acertar. É a diferença de quem começou no analógico ou no digital. É como tudo, ser mais fácil é aliciante, mas sem a dificuldade fica apenas algo, sem conteúdo.

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