Fotógrafo: uma profissão com pouco profissionalismo?

fotografo profissional

Vocês já se sentiram decepcionados e irritados com membros de sua profissão? Eu me sinto assim hoje. Tudo bem, isso acontece de vez em quando, pois nada no mundo é perfeito. Mas, onde vamos chegar? Faz muitos anos que várias propostas de regulamentação da profissão de fotógrafos circulam pelo Congresso Nacional. Eu sempre fui contra, pois vai dificultar a vida de muita gente que não teria acesso a um curso superior (não é em todo lugar que existe), além da burocracia de filiação a órgãos de representação de classe. Mas, hoje eu gostaria que fosse uma profissão regulamentada.

Fotógrafo é uma das poucas carreiras onde o indivíduo entra sem saber nada e não tem vergonha de dizer isso. Explico. Quando a gente fotografava com filme era necessário ter alguns conhecimentos básicos. Você não via a foto na hora, não sabia o que estava acontecendo, e isso acabava afastando alguns aventureiros que achavam o processo todo um pouco mágico e incompreensível. A fotografia digital meio que acabou com isso, pois a foto está lá na hora e, juntando a isso o fato de que todo mundo agora tem acesso a dispositivos que fazem fotos, temos a impressão de que tudo é muito fácil. Basta colocar a câmera no verdinho e sentar o dedo. É muito normal vermos nas redes sociais pessoas questionando: “olá pessoas, hoje vou fotografar meu primeiro casamento, poderiam me dar dicas?” Essa é a categoria de quem está vendendo serviços fotográficos no momento.

Certo, qual o motivo de minha revolta atual?

Semana passada entrei em um grupo do Facebook sobre fotos de aniversário infantil. Gosto de trocar informação e ajudar as pessoas quando dúvidas aparecem. O que no começo foi uma tentativa de encontrar novos contatos acabou se transformando em uma viagem ao inferno. O resumo do grupo é o seguinte: pessoas que não sabem nada dando conselhos absurdos para quem sabe menos ainda (a pessoa indicando o Picasa como software de edição profissional foi a gota d’água). O que me fez pensar o caminho que a profissão está seguindo e como reverter isso.

Não existe nada que impeça um indivíduo de comprar uma câmera, criar uma página no facebook (geralmente com a palavra Photographer) e começar a vender o serviço. Ele não precisa de qualificação, não precisa de nenhuma permissão e nem é obrigado a se cadastrar como autônomo ou MEI (a necessidade aparece depois). Ou seja, uma profissão que pode ser exercida livremente. Eles não sabem nada de finanças, custos, investimentos. Apenas estão lá para ganhar uns trocos no fim de semana.

Eles atrapalham o meu negócio? Não, pois eles cobram barato e pegam clientes que não são o meu foco, mas onde fica a responsabilidade e a ética da profissão? Quando pessoas que se dizem “profissionais” se unem em um grupo para incentivar a pirataria de software e outras práticas não muito bacanas, é que alguma coisa está errada. Um grupo onde as pessoas dizem que fazem isso mesmo, pois o governo faz pior com a gente estão me dando a prova mais contundente de que temos o governo que merecemos.

Não seja esse tipo de profissional. A fotografia é uma profissão maravilhosa. Te dará muitas alegrias (e algumas tristezas), mas trabalhar com a criatividade é uma coisa muito legal. Porém, é uma profissão, e como tal é preciso ter preparação. Iniciar uma empresa necessita de investimento (só na fotografia as pessoas acham que dá para começar de qualquer jeito). Você precisa das ferramentas (câmera, lente, flash, computador, softwares) e precisa de qualificação para utilizar tudo isso. Precisa entender de administração de empresas para não falir no primeiro ano, precisa de um plano de negócios, saber seus custos, planejar os investimentos, saber técnicas de vendas. Ou seja, uma empresa como qualquer outra. Seja um verdadeiro profissional. Honre a atividade que escolheu e seja ético e correto para com os outros membros da profissão e com seus clientes. Esse é o único caminho.

Existem fotógrafos fantásticos no mercado. Gente que começou certo e o negócio evoluiu rapidamente. Esses são os modelos que temos que seguir. Aceitar conselhos, avaliar o que está errado e abandonar a arrogância inerente à profissão são a receita básica para tudo dar certo.

Voltando agora à programação normal.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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