Disputa de patentes pode colocar o Projeto Loon do Google no chão

Projeto Loon, o programa do Google que busca levar internet gratuita aos recônditos da Terra está ameaçado: uma pequena companhia conseguiu uma importante vitória nos tribunais em uma disputa de patentes e pode por todos os planos da gigante das buscas por água abaixo.

O plano original do Loon, hoje tocado pela Unidade X da Alphabet Inc. passou por mudanças nos últimos tempos mas a ideia permanece a mesma, levar internet veloz e gratuita para quem realmente precisa em lugares onde ela não chega, onde estes dependem de caras conexões via satélite para permanecerem ligados à web. O Google não o faz por caridade obviamente, é importante oferecer internet para que mais pessoas possam consumir seus anúncios e lhe render dinheiro, que é sua maior fonte de receita. Ainda assim é uma iniciativa louvável, que já se provou benéfica inclusive para o Brasil.

Só que em 2016 uma pequena companhia chamada Space Data invocou o processinho contra a Alphabet alegando quebra de contato referente a uma intenção de compra pelo Google em 2008, apropriação indébita de segredos comerciais e infração de patentes, no caso a tecnologia para a manobrabilidade da altitude e direção dos balões. Diz a reclamante que a ideia era dela em primeiro lugar.

A princípio nada aconteceu, o Google não levou as acusações a sério e tratou a Space Data como outra patent troll, mas no último mês esta conseguiu convencer o escritório de registro de patentes dos EUA a cancelar a supracitada patente da Alphabet e revertê-la para si, em um caso praticamente inédito. Nunca nenhuma das patentes do Google foi perdida para outrem por um processo de “interferência”, quando alguém registra uma ideia que já pertence a outro. E para adicionar insulto à injúria a Space Data vai levar o caso para os tribunais, acusando o Google de apoiar um grande negócio em cima de uma propriedade intelectual que pertence a ela.

Segundo Brian Love, co-diretor do Instituto de Direito Tecnológico da Escola de Direito da Universidade de Santa Clara, a vitória da Space Data colocou o Google de joelhos e este nada pode fazer para impedir que a rival raivosa consiga o que quer que deseje. A pequena companhia não parece a esta altura do campeonato propensa a fechar acordos ou teria resolvido toda a pendenga fora dos tribunais, mas dada a situação é altamente provável que ela clame propriedade sobre a tecnologia do Projeto Loon e consequentemente do programa em si, mas por não possuir os meios ou a infraestrutura para mantê-lo funcionado (e nem deve ser de seu interesse) acabe por forçar a Alphabet a encerra-lo, sob risco de sofres sanções pesadas por um sistema que já não o vê como o criador da tecnologia. Para todos os efeitos o Google roubou a patente da Space Data e está fazendo dinheiro com ela.

O ponto mais lamentável dessa história é a possibilidade de um programa útil e disruptivo de verdade, que tem tudo para resolver os problemas de conexão à internet de milhares de pessoas em todo o planeta acabe engavetado por mesquinharia de todos os envolvidos.

Fonte: Wired.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

    Só senti falta na matéria da explicação do porquê da patente ter sido revertida, vcs tem essa info?

    • Basta ir ao texto na wired. A empresa USA balões desde 2004. O google começou a FALAR sobre 10 anos depois.

      • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

        Se eu entro num site, é pra ler o conteúdo completo, não é pra ficar seguindo links…. mas obrigado pela resposta…

  • SacoCheio

    O Google não está fazendo caridade. Ele vê lucro, igual ao maps, gmail, etc etc.
    Se eles virem vantagem, vão pagar a empresa e continuar.

    • bruno torrente

      Concordo em parte, mas neste caso em si por mais lucrativo que possa ser não vale a pena pagar um terceiro, pois o lucro não esta no serviço ( ele não tem contrapartida ) e sim no ativo acrescido a empresa.

      Muito provavelmente se for interessante mesmo ao google ele vai aprontar uma das suas e dar sumiço nessa empresa de algum jeito ( ex tomada hostil das ações ).

      • Felipe Braz

        Ou o google pode até comprar essa empresa, se é que não é isso que eles querem no final das contas.

      • SacoCheio

        Como não tem contrapartida??? O Google vai ser o provedor dessas áreas inteiras, controle total.
        Ele ganha dinheiro vendendo publicidade, lembra? Mais gente na internet = mais page views

        • bruno torrente

          Então o que falou não eh contrapartida, e sim ativo a ser explorado não necessariamente resulta em riqueza ( resumindo risco de retorno ).

        • Ivan

          vender publicidade para quem mal tem energia eletrica?

          • SacoCheio

            Não, dizer para os pobres anunciantes (que pagam o Google) que tiveram um aumento X de page view dos seus anúncios. Só não vão dizer que os potenciais clientes são os Yanomamis da Amazônia hahaha

    • Maximus_Gambiarra

      É que pode ser o caso de eles verem vantagem, mas não tanta assim. E aí, se houver complicadores, o projeto se inviabiliza.

  • Rômulo Catão

    Gogoni, arruma no texto “sob risco de sofres sanções”

  • Ou seja, ironicamente a Google deu um balão na Space Data.

  • cesar m

    O negócio de patentes nos EUA é uma patifaria, já tive várias experiências por lá e posso afirmar, as grandes empresas nadam de braçada, registram o que querem e como querem tudo em tempo recorde, as pequenas empresas sofrem anos até conseguir uma patente que fica toda podada e restrita a quase nada da proposta original, normalmente até inutil.

    • Diego Marco Trindade

      Pelo que já vi, é possível patentear até uma idéia, assim, qnd alguém aparece com um produto que se encaixe naquela descrição, eles podem meter um processo. É verdade?

      • Ivan

        Esse é o conceito de patente troll, patenteia a coisa mais vaga do mundo e depois processa quem chegou perto da ideia, tem uma serie que chama Sillion Valley, uns eps atrás abordaram isso, tinha até um advogado especializado em processar com patente troll.

      • cesar m

        Sim, você faz patente de ideias, não precisa haver um protótipo funcional como muitos pensam, mas, não é simples assim, você até pode ir lá e patentear um desenho de moto voadora, mas será na modalidade plástica apenas entende? apenas do desenho específico que vc fez, não do fato de ser voadora, “a ideia” de moto voadora não se patentea, agora uma combinação de motores e processos de engenharia que tornem possível uma moto voadora isso se patentea, e quem conseguir isso vai lá e patenteia os desenhos da sua técnica Mecanica inovadora que permite a moto voar aí sim, entendeu, aí quem quiser fazer moto voadora pode, só que terá que fazer por outra técnica que não copie a sua. Existe patente de invento de formato (Desenho industrial), invento de modelo de utilidade (aperfeiçoamento) e invento de criação industrial. Cada um te dará segurança apenas no que diz respeito. Esse negócio de patente troll, a na “minha opinião” é mais uma invenção das grandes empresas, pois, na verdade quem mais faz trolagem com patentes são as grandes contra os pequenos. Os bancos e grandes empresas aqui no Brasil criaram vários conceitos assim também, ex: “indústria do dano moral”, (eles fodem os consumidores e depois não querem pagar pelo dano), aí eles soltam “estudos” e “matérias” pagas espalhando o “conceito” como se fosse justo.

  • Vagner Da Silva

    Mas vem apenas uma dúvida, são patentes ou patentes à moda americana? As patentes ao estilo americano, com apenas um conceito vago, não costumam ter força fora das fronteiras.

  • Oberaldo Gilmentoo

    O Google se deu bem com essa, achando uma saída honrosa.

    Eu penso que isso era mais para filantropia e para ganho de imagem, e não para ganhar dinheiro.

    Não é porque podem anunciar para uns gatos pingados em regiões remotas / pobres que eles iriam ganhar tanto dinheiro para pagar essa farra. O criador de cabras no interior de Botsuana não tem instrução, não tem comida, água, saneamento, internet não é a maior necessidade dele.

    Uma escola pobre no fim do mundo pode acessar a wikipedia, mas nao precisa acessar sites com anuncios.

    Quem está em regiões remotas e precisa MESMO de internet, e tem condição economica (e é preciso ter condição econômica para que os anunciantes se interessem por lhe mostrar anuncios) já arrumou um jeito de ter internet.

    • Deepdark

      Boa colocação

  • Juaum

    Quase certeza de que a Rambus está envolvida.

  • Era legal tu ter lido o artigo da wired que tu cita. Lá diz claramente que a tal empresa utiliza balões desde 2004 para este fim em específico, inclusive para clientes corporativos. A reviravolta foi por conta da compra da empresa não realizada em 2008, mas ela tem essa tecnologia – e funcional – desde 2004.

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