Da série “nada dá certo neste país”: satélite SGDC subiu mas antenas de terra não estão prontas

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Você lembra do SGDC, o satélite que foi empurrado com a barriga por anos, e zicado como tudo que é brasileiro, teve seu lançamento adiado por causa de uma… greve. O lançamento foi excelente (thanks Arianespace) e o satélite funciona direitinho (thanks Thales Alenia Space). Ele está pronto para cumprir sua missão retransmitindo dados para os mais remotos rincões do Brasil, aonde nenhum Amaral Neto jamais esteve. Mas como isto aqui é Brasil, você sabia que alguma hagada teria que ocorrer, certo?

O SGDC é um projeto antigo, tanto que depois de toda a burocracia envolvida ele foi oficialmente implantado com um decreto da Dilma em 2012, mas vem pelo menos desde o governo Lula. Pois bem, o que importa é que o bicho subiu, certo?

Ceeeerto. Veja esta notícia:

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Isso mesmo. A licitação estava suspensa e só saiu agora. O satélite deveria subir 22 de março. A decisão sobre quem construiria as antenas para receber os sinais do satélite saiu 10 de março.

Não é como se um satélite fosse um projeto de anos, não é como se houvesse algo chamado PLANEJAMENTO. É um replay da mesma história do CBERS, aquele satélite brasileiro que foi lançado, com vida útil de 5 anos e depois de seis meses no ar (tecnicamente, vácuo) ainda não tinham escrito o software pra gerenciar o bicho.

Segundo o Cláudio Humberto (eu sei) a Gilat do Brasil encomendou as antenas para um fabricante chinês, que obviamente não ficaram prontas a tempo (nem a China é tão rápida) e quando mandaram uma comissão para inspecionar o progresso da fabricação, não tiveram acesso ao equipamento.

Agora o Brasil amarga R$ 200 milhões de prejuízo mensal, o pessoal que seria beneficiado com internet decente em escolas e fazendas está chupando dedo, o ecossistema de provedores locais que seria criado morreu antes de nascer, e o SGDC está sendo bombardeado por raios cósmicos e queimando propelente à toa. Ele só funciona onde não é necessário.

Fazendo uma analogia, seria o mesmo que Elon Musk lançar um Falcon 9 e só então alguém lembrar de ver se o fabricante entregou a balsa pra ele pousar, encomendada 3 dias antes.

O SGDC teria 5 gateways:

  • Campo Grande;
  • Salvador;
  • Florianópolis;
  • Rio de Janeiro;
  • Brasília.

O projeto da GILAT envolve os 3 primeiros, os dois últimos já estão funcionando afinal antena da Embratel por aqui não falta, e em Brasília é a antena de controle, nem o Brasil seria (acho) incompetente a ponto de lançar um satélite sem uma antena de controle. A questão é: Salvador e Florianópolis têm carência de banda larga? Como isso ajuda Rondônia?

Detalhe: mesmo essa informação de que Rio e Brasília já estão operando como gateways é vista com ceticismo por alguns especialistas.

Em conclusão: se você achou que tinha parado em um universo paralelo onde o Brasil funciona, não se preocupe. Tudo continua como sempre, nada dá certo neste país.

Fonte: dica do Gustavo, via tuinto.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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