Casal processa Apple por motorista que matou sua filha estar usando o FaceTime

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A gente já disse isso várias vezes e vale sempre repetir: a tecnologia pode até estimular um comportamento imprudente por parte das pessoas, mas numa situação drástica a culpa é sempre dele, nunca da ferramenta. Ainda assim vemos casos de pessoas tentando responsabilizar empresas por presepadas causadas por humanos.

E chegou a vez da Apple entrar na dança: um casal norte-americano está processando a maçã acusando-a de ser responsável pela morte de sua filha de cinco anos, vítima de um motorista irresponsável.

O caso aconteceu em dezembro de 2014: um tapado colidiu sua SUV na traseira de um Toyota Camry, em que a família Modisette estava numa rodovia ao norte de Dallas. James, que estava ao volante sofreu ferimentos graves. A esposa Bethany e a filha mais velha Isabella, de oito anos tiveram lesões leves. Infelizmente Moriah Modissete, a filha mais nova do casal de apenas cinco anos não resistiu aos ferimentos.

Garrett Edward Wilhelm, o motorista da SUV (na época com 20 anos) admitiu estar ao celular no momento do acidente, mais precisamente utilizando o FaceTime, o app de chamadas de vídeo da Apple. Wilhelm muito provavelmente vai passar um bom tempo enjaulado ao responder por homicídio, mas agora um processo movido pelos Modissetes (cuidado, PDF) acusa a Apple de ser diretamente responsável pelo acidente.

Os reclamantes alegam que a Apple pouco faz para impedir que seus smartphones sejam utilizados enquanto uma pessoa dirige, ao mesmo tempo que ignora o “fator viciante” de seus produtos. Trocando em miúdos, o processo diz que a maçã sabe que seus iGadgets têm o potencial de estimular a estupidez e nada faz para evitar acidentes, e sob o entendimento dos Modissetes a empresa é conivente da morte de Moriah.

Para reforçar seu ponto, o processo cita uma patente de 2008 (aprovada em dezembro de 2014) em que a Apple descreve um método onde o FaceTime deixa de funcionar ao detectar uma velocidade de deslocamento equivalente a de um veículo. O grande problema para a Apple e qualquer outra fabricante de smartphones é algo que as empresas já apontaram no passado: o algoritmo não tem como diferenciar um motorista de um passageiro. Ao bloquear o sistema numa situação em que identifica estar dentro de um veículo, tanto o carona em um carro como passageiros de transporte público ficariam impossibilitados de utilizarem seus devices.

O problema a meu ver é uma questão de bom senso: culpe o usuário, não a ferramenta. O motorista deve ter consciência de que uma vez ao volante ele deve se concentrar na estrada e tão somente. Ao mesmo tempo, implementar um bloqueio total de dispositivos quando em modo viagem não é interessante, e introduzir um modo onde o usuário informa ser o passageiro não dá muito resultado como Pokémon GO já provou.

O processo busca compensação monetária junto à Apple pelos danos físicos e morais, além da responsabilidade pela morte da criança. Procurada, a Apple não comentou o caso.

Fonte: CNET.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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