Gawker ensina: como aniquilar seu império mexendo com a pessoa errada

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Xeque-mate, Denton. Você perdeu.

Confesso, eu não nutro um pingo de simpatia pelo Gawker Media. O conglomerado que engloba os sites Gizmodo, Kotaku, io9, Jezebel, Jalopnik, Lifehacker e outros, embora alguns deles sejam bem decentes e contarem com correspondentes de qualidade sofre de um mal congênito: é hipócrita em sua essência. Mais de uma vez se envolveu em rolos em nome do “jornalismo verdade” quando na verdade buscava apenas angariar cliques e dinheiro, e não sou eu quem digo isso. Basta analisar o histórico.

Mas chegou o dia em que a empresa mexeu com as pessoas erradas e, bem… acompanhemos.

A companhia gerida por Nick Denton tem como mote buscar sempre o furo das notícias, mas não mede esforços e não possui um pingo de escrúcupulos. Suas matérias não poupam ninguém, irão atacar quem quer que seja independente das consequências. Uma boa lembrança para se medir o quanto o Gawker foi prejudicial é lembrar da ferramenta Gawker Stalker, um feature que permitia ao leitores do site informar o paradeiro em tempo real das celebridades em Nova Iorque. Um verdadeiro GPS de famosos.

Na época a jornalista do Gawker Emily Gould foi entrevistada por Jimmy Kimmel no Larry King Live, e este acusou (com razão) tanto ela quanto o Gawker de jornalismo irresponsável por colocar pessoas em risco:


artquest — Kimmel Takes On Gawker Stalker

A cena aliás foi magistralmente reproduzida em The Newsroom:


The Newsroom Season 3: Episode #5 Clip #3 (HBO)

Eu poderia tecer vários casos aqui, mas vamos nos concentrar nos dois que levaram à derrocada de Nick Denton e do Gawker Media.

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Tudo começou em 2012, quando o site Gawker.com publicou um extrato de dois minutos de uma fita caseira que trazia Terry Bolea, aka Hulk Hogan fazendo sexo com Heather Clem, na época da gravação (2006) esposa do radialista Todd Clem, conhecido como Bubba The Love Sponge. Até então o caso estava morto e enterrado, todos os danos possíveis e imagináveis já haviam sido feitos.

Até o Gawker trazer a bendita fita de volta à baila e se recusar a tirá-la do ar, clamando “compromisso com a verdade”.

gawker-media-men-women-treatment

Eu chamo isso de hipocrisia, mas sigamos em frente.

Hogan processou o Gawker Media, exigindo que a postagem fosse tirada do ar. O juiz negou o recurso, alegando que como o caso era de conhecimento público ele não teria como impedir a divulgação, ao mesmo tempo que não tinha direitos autorais sobre a obra. Quando o ex-lutador já estava prestes a jogar a toalha eis que surge uma ajuda inesperada, na forma do investidor do Vale do Silício Peter Thiel.

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Thiel, mais conhecido como co-fundador do PayPal e que hoje está em voga não só pelo caso Bollea vs. Gawker mas também por seu apoio à candidatura de Donald Trump (indo na contramão de todas as empresas e investidores do cenário tech) financiou a empreitada judicial de Hogan contra o Gawker quando este já não buscava seguir em frente, e ele tem seus motivos para tal. Homossexual, ele foi tirado do armário à força graças a um post do site, numa atitude de tremendo mau caráter em busca de cliques e obviamente, dinheiro.

Regra número um: você NUNCA tira uma pessoa do armário contra a sua vontade. Thiel levou isso para o lado pessoal e se comprometeu a fazer de tudo para ANIQUILAR o Gawker de todas as maneiras possíveis. Quando o veredito recente saiu, em que Hogan finalmente ganhou e o juri fixou uma indenização de US$ 140 milhões, o investidor veio a público admitindo seu envolvimento, tendo ele injetado grana no processo com o único intuito de derrotar o Gawker e fazê-lo pagar pela humilhação pública a que foi exposto. Vingança, pura simples.

Sem ter como pagar, o Gawker Media abriu falência e foi a leilão. Ontem saiu o resultado: a Univision comprou o grupo por US$ 135 milhões, Denton foi desligado em definitivo da companhia e o site Gawker.com será fechado na próxima semana. O futuro sobre os arquivos do site, bem como o de seus colaboradores é incerto. O mais provável é que estes sejam absorvidos pelos outros sites do grupo, mas nada foi confirmado.

Hogan ainda cravou a faca e girou:

Enquanto isso Peter Thiel, em um editorial recente no The New York Times deixou claro que a cruzada dele contra o Gawker Media não acabou, visto que ele pretende financiar qualquer um que deseje entrar com ações judiciais contra o conglomerado. Resumindo, a Univision comprou uma dor de cabeça e o investidor não vai sossegar enquanto o grupo não sumir da face da Terra.

É claro que não serei tão babaca a ponto de dizer que a morte do Gawker como um todo seria benéfica ao jornalismo na internet. Embora tenha cometido MUITAS gafes no passar dos anos (e acusar Thiel de realizar uma cruzada injusta contra o site… foram eles que começaram, se não sabe brincar não desça pro play), seus vários sites já publicaram matérias muito boas e ele conta com vários colaboradores de qualidade. O problema, a meu ver é a filosofia do grupo, algo em que muito provavelmente a Univision irá mexer para evitar dores de cabeça posteriores.

Uma coisa é certa: para o bem ou para o mal o Gawker Media como o conhecemos morreu. Quanto a Denton, que vá pela sombra.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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