Cientistas simulam 1% de um cérebro por 1 segundo, mas calma, HAL não nasceu ainda.

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Arthur Clarke, como todo bom futurista era pessimista ao extremo em suas estimativas. Quando perguntado sobre seu célebre artigo de 1945 onde criou toda o conceito de satélites de comunicação, Clarke disse que imaginava aquela tecnologia sendo desenvolvida em uns 40 anos.

Quando escreveu 2001 – Uma Odisseia no Espaço, em 1968 ele colocou a data de “Nascimento” de HAL-9000 como 12/1/1997, e foi bem criticado. Na época a Inteligência Artificial era um campo vibrante, muita gente achava que em 10 anos computadores estariam pensando.

Com o tempo descobriu-se que não é tão simples. Não é NADA simples, e alguns pesquisadores, como Roger Penrose em seu excelente livro “A Mente Nova Do Rei” teorizam que o pensamento sequer é computável, por envolver processos quânticos.

Hoje se a Siri não abrir o goatse.cx por engano eu já fico feliz.

Mesmo assim as pesquisas continuam, mesmo um modelo incompleto de um cérebro tem aplicações imensas. Pense o quanto um cérebro de formiga é superior a qualquer sistema de navegação terrestre. Imagine um drone com cérebro equivalente a um pombo, a flexibilidade que teria para cumprir suas missões.

O último recorde em simulação foi quebrado por um grupo de cientistas alemães e japoneses (sempre uma boa combinação) utilizando o K, um supercomputador da Fujitsu instalado no Instituto Avançado de Ciência da Computação em Kobe. Veja o bichinho:

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São 88.128 processadores SPARC64 VIIIfx de 8 núcleos rodando a 2 GHz, em termos de velocidade ele chega a 10,51 petaflop/s, ou 53 FPS no Crysis com tudo no máximo.

Desse conjunto 82.944 processadores foram usados no projeto (o resto deve ter ficado minerando bitcoins). Foram simulados 1,73 bilhões de neurônios e 10,4 trilhões de sinapses. Cada sinapse consumiu 24 bytes de memória, totalizando um petabyte. Foi modelado o equivalente a 1% de um cérebro humano.

O software utilizado foi o NEST, Open Source e disponível aqui, mas nem se atreva, no máximo seu PC vai simular o cérebro de um Ex-BBB. Overclockado, claro. O cérebro, digo.

O K não saiu falando, e convenhamos, com suas limitações no máximo diria algo como “ahá! Pegadinha do Malandro”. Os neurônios foram conectados aleatoriamente, o objetivo foi determinar a viabilidade de uma simulação em larga escala. Nisso foram bem-sucedidos.

A simulação executou o equivalente a um segundo de processamento cerebral, mas levou 40 min para ser completada. Ou seja: simulamos 1% de um cérebro rodando a 1/2.400 da velocidade. Pode parecer pouco, mas dê um desconto. Estamos competindo com 4 bilhões de anos de Evolução, chega a ser covardia.

A Lei de Moore continua firme e forte, a cada ano os computadores estão mais rápidos e mais baratos. Computadores quânticos estão vindo por aí, a spintrônica ameaça utilizarmos estruturas atômicas singulares para processar informação e, correndo por fora, temos a engenharia genética. Pode ser que em 100 anos tenhamos abandonado computadores mecânicos e toda nossa computação seja feita por cérebros flutuando em jarros.

A única certeza é que não vamos parar só porque o caminho é árduo e o objetivo distante. Está em nosso DNA, somos exploradores e criadores, e nada mais justo que façamos nossas máquinas à nossa imagem.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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