Carlos Cardoso 7 anos atrás
No começo do mês um sujeito com o claramente falso nome de Puzant Ozbag postou várias fotos em um fórum de usuários (“dono” é pra carros burros) de Tesla, relatando um estranho acidente onde seu recém-comprado (5 dias) Tesla X no piloto automático acelerou subitamente, subiu canteiro, se estabacou em uma parede, airbags dispararam, a mulher dele ficou machucada, etc, etc.
Como sempre a história é mal-contada. O carro estava num estacionamento. O piloto automático só ativa acima de 30 km/h. O sujeito, claro, fez um senhor drama, exigiu que a Tesla parasse de entregar o Tesla X para os compradores, tentou arregimentar outros que tivessem passado pelo mesmo tipo de acidente, blá blá.
Normalmente esse tipo de situação é decidida em tribunal, com perícia, CSI, especialistas, etc. Só que hoje não precisa mais ser assim. No caso a Tesla entrou no circuito e explicou como a banda toca:
“Nós analisamos os logs do veículo e eles confirmam que esse modelo X estava operando corretamente, sob controle manunal e nunca esteve em Piloto Automático ou Cruise Control na hora do acidente ou nos minutos anteriores. Os dados mostram que o veículo estava trafegando a 6 milhas por hora quando o acelerador foi subitamente pressionado até 100%. Consistente com o comando do motorista, o veículo aplicou torque e acelerou como instruído.”
O sujeito respondeu furioso que a mulher dele, que estava dirigindo é muito boa motorista e jamais confundiria o freio com acelerador, e agora quer que a Tesla diga se o piloto automático pode acionar o acelerador “fisicamente”, pois assim apareceria no log que o pedal foi pressionado.
Com nossos carros se tornando mais e mais inteligentes teremos menos e menos acidentes “misteriosos”. Hoje a investigação de acidentes rodoviários é coisa da idade da pedra, comparada com os aéreos. Hoje seguradoras já dão descontos para carros com câmeras de pára-brisa, no futuro carros com “caixas-pretas” receberão bônus polpudos nas franquias, talvez sejam até eliminadas. Só que há um problema:
Seu carro vai te entregar se você fizer caquinha. Sem dó nem piedade. Nenhuma das Leis do Asimov diz que um robô tem que mentir pra proteger o dono (se bem que o Asimov escreveu várias histórias assim).
Isso não será algo que os consumidores vão aceitar com facilidade, ao menos internamente. Claro que todos os gentis e honestos cidadãos cumpridores da Lei afirmarão que o recurso é excelente, mas internamente já estarão pensando em googlar “como macetear a caixa-preta do Tesla”.
Pessoas mentem. Motoristas mentem mais ainda. Sistemas de log, gravadores de dados serão inevitáveis em todos os carros muito em breve, mas até lá será que o pessoal não vai pensar duas vezes, quando perceber que pagará US$ 80 mil num carro que vai delatar se pisarem na bola?
Fonte: Electec.