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Cientistas acham indicações de outros Universos

8 anos atrás

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Existem dezenas de teorias detalhando a Estrutura do Universo, desde as que o colocam em expansão eterna às que antecipam um momento onde o crescimento cessará, se reverterá e o Universo terminará no Big Crunch.

Algumas teorias definem esse momento como o Fim de Tudo, outras o tratam como um momento de renascimento, onde outra explosão primordial dará início a um novo ciclo.

Outras teorias trabalham com o conceito de Multiversos. Seriam outros Universos, cada um em sua própria bolha de espaço-tempo, totalmente isolados do nosso. Absolutamente indetectáveis. É um conceito interessante, que resolve de forma elegante algumas questões matemáticas, mas exigir que acreditemos na existência de algo intangível, invisível e inalcançável, baseado apenas em um texto é algo que pode funcionar em teologia, não em ciência.

 

Os doutores Hiranya Peiris, Daniek Mortlock, Matthew Johnson e Stephen Fenney, que gostam dos Multiversos mas não têm vocação para pastor decidiram pesquisar se havia alguma forma de comprovar ou derrubar a hipótese. Para isso tiveram que pensar fora da caixa, e por caixa entenda nosso Universo inteiro.

Embora continue sendo impossível interagir com um Universo distinto do nosso, conjecturaram que há ocasiões onde esses universos entrariam em contato uns com os outros, visto que surgem e desaparecem aleatoriamente. (por surgir e desaparecer, entenda o ciclo completo de dezenas de bilhões de anos que englobaria do Big Bang ao Big Crunch)

Se um Universo surgir, com sua própria bolha de espaço-tempo muito perto do nosso, na verdade tocando-o, isso vai deixar uma marca. Um arranhão na lataria do Universo, em várias dimensões.

O grupo de cientistas percebeu que uma forma de identificar isso é através da radiação cósmica de fundo. Essa radiação é a razão do vácuo não estar no Zero Absoluto, mas a uma temperatura de 2,75Kelvin. Radiotelescópios detectaram, conforme previsto pelos modelos um sinal de microondas, muito fraco e vindo de todos os lugares.

De todos os modelos cosmológicos o único que explica essa radiação de fundo é o Big Bang. Um Universo primordial, repleto de plasma de Hidrogênio, formando uma névoa branca ocupando toda sua extensão.

Com o período inflacionário, o Universo começa a se expandir, o plasma se esfria, átomos se formam e o calor se dissipa. Lembre-se, não é uma névoa se espalhando, o próprio tecido do espaço-tempo está crescendo, como pontos pintados na superfície de um balão, que vai-se enchendo aos poucos.

Essa radiação não é uniforme, é afetada por pequenas flutuações no início do Universo, interações tardias com objetos cósmicos, tudo contribui, o resultado é a imagem que abre este texto, criada num período de seis meses pelo telescópio europeu Plank. É apenas um mapa do Universo inteiro, visto na luz infravermelha residual do Big Bang.

Só que nossos cientistas aplicaram várias transformações bayesianas aos dados, chegando a um algoritmo que detectasse variações gravitacionais em uma escala…. universal. A idéia era um tiro no escuro: Verificar se durante a História do Universo outro Universo por acaso surgiu próximo ao nosso.

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O resultado, publicado neste paper aqui foi surpreendente: Nada menos que QUATRO marcas foram achadas, indicando que em algum momento em seus primórdios nosso Universo foi atropelado por outros.

Ainda é cedo para considerar a hipótese a sério, mas novos telescópios bem mais sensíveis e algoritmos alternativos irão ser usados para tentar validar os resultados da pesquisa original.

Mesmo ficando no campo das hipóteses a idéia é quase inconcebível. A escala é grande demais. Estamos falando de Universos inteiros colidindo. Pense no grana que deve ser a franquia.

Não mantemos contato com eles pois no modelo de Inflação Eterna (tipo Brasil nos anos 80) os Universos estariam se afastando uns dos outros, então o contato seria momentâneo. Claro, momentâneo em termos astronômicos.

Adaptando a frase de J.B.S. Haldane, “Os Universos não são mais estranhos do que imaginamos, são mais estranhos do que conseguimos imaginar”.

Fonte: BBC

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