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Cities: Skylines II e a dificuldade em reconquistar a confiança

Após o conturbado lançamento do Cities: Skylines II, CEO da Colossal Order diz que jogo pode não ser para todos, mas que deseja recuperar a confiança

10 semanas atrás

Há quem diga que o difícil não é chegar ao topo do mundo, mas se manter por lá. Verdade ou não, após a Colossal Order conseguir conquistar muitos admiradores com o primeiro jogo, a expectativa para o Cities: Skylines II se tornou imensa, mas um lançamento complicado agora tem feito eles lutarem para continuar sendo referência em jogos de construção de cidades.

Cities: Skylines II

Crédito: Divulgação/Colossal Order

O primeiro indício de que o jogo não estava devidamente otimizado foi dado quando a desenvolvedora finlandesa anunciou que sua versão para consoles precisaria ser adiada. Logo depois, eles emitiram um comunicado admitindo que o Cities: Skylines II não estava com o padrão de qualidade esperado, mas o que isso realmente significava só foi descoberto após o título ser disponibilizado, em 24 de outubro.

Com as principais reclamações falando sobre baixas taxas de atualização de frames, engasgos e resoluções estranhas, o estúdio imediatamente entrou em alerta. Isso fez com que eles cancelassem provisoriamente o lançamento de DLCs e focassem em melhorar a maneira como o jogo utiliza GPU e CPU, para assim rodar mais suavemente.

Porém, a maneira como os finlandeses vêm se comunicando com os fãs não está agradando todo mundo. Recentemente, em uma publicação no fórum da Paradox Interactive, que responde como editora do Cities: Skylines II, eles publicaram uma mensagem sobre o editor presente no jogo e que tem sido utilizado por modders. Como era e se esperar, o espaço foi utilizado para críticas e a resposta dada pela CEO da desenvolvedora foi direta. Talvez direta demais.

“Obrigado por todo o feedback. Quando se trata da jogabilidade e simulação, definimos objetivos para o jogo e alcançamos esses objetivos,” escreveu Mariina Hallikainen. “Certamente há problemas que estamos investigando e corrigindo bugs, mas a experiência geral de jogabilidade é o que almejamos. O Cities: Skylines II é um jogo melhor quando comparado ao primeiro. Se você não gosta da simulação, talvez esse jogo não seja para você.”

A executiva continuou, dizendo que jogos são experiências subjetivas e que é impossível agradar todo mundo. Ela está errada? Tenho certeza de que não, mas quando você está no olho de um furacão formado por um mau lançamento, o que menos precisa é atrair atenção com uma opinião que sugere que alguns consumidores não são bem-vindos.

Cities: Skylines II

Crédito: Divulgação/Colossal Order

Numa indústria em que os egos costumam ser tão inflados e a soberba de alguns é digna de causar inveja em muitos popstars, Hallikainen poderia ter ficado marcada como apenas mais uma entre tantos profissionais insensíveis. Porém, numa nova publicação, a CEO deu um passo atrás e falou sobre a dificuldade em recuperar a confiança dos jogadores.

Ela iniciou seu comentário pedindo que os usuários do fórum tivessem um pouco de respeito, afirmando que o mundo já possui negatividade suficiente e ao responder uma pessoa que usou o conturbado lançamento do “Cyberbug 2077 como exemplo, deu a seguinte resposta:

“A confiança é difícil. Após perdê-la, leva tempo para reconstruí-la e agora devemos fazer o trabalho. Erros foram cometidos, mas acredito no aprendizado e que o crescimento tanto emocional quanto profissional é possível, se houver vontade. Portanto, seja qual for o próximo título desta empresa, estamos mais sábios, tanto durante a fase de desenvolvimento, quanto no lançamento. Contudo, essas palavras significam muito pouco agora, só teremos que provar o nosso valor no próximo jogo que lançarmos. E primeiro, espero que possamos focar no Cities: Skylines II por cerca de uma década.”

De fato, aquilo que as pessoas que compraram o jogo menos precisam neste momento é de promessas em relação ao futuro da Colossal Order. Porém, temos que levar em consideração que Hallikainen foi instigada a falar sobre o assunto, não se tratou de um comentário aleatório.

Cities: Skylines II

Crédito: Divulgação/Colossal Order

Ela também tem razão quando diz que recuperar a confiança é algo complicado. O próprio Cyberpunk 2077 é um bom exemplo disso, pois apesar de a CD Projekt Red ter feito um ótimo trabalho ao melhorar bastante o jogo desde o seu lançamento, alguém pode garantir que o problema não se repetirá em projetos futuros?

Por outro lado, situações como a deste jogo servem para mostrar que há esperança em relação ao Cities: Skylines II. Mais uma vez, tudo indica se tratar de um projeto feito às pressas, com os desenvolvedores sofrendo uma forte pressão da editora e o alto escalão de ambas as empresas apostando que o melhor seria trocar o pneu com o carro em movimento. Se deu certo para o Cyberpunk 2077 (e tantos outros), por que não daria para o simulador de construção de cidades?

E por falar em simulação... Mariina Hallikainen voltou a abordar o assunto. Porém, ao responder uma pessoa que criticou como essa parte do jogo funciona, dessa vez ela foi mais comedida.

“Acredito que exista grandeza no jogo,” defendeu-se. “Isso não está sendo traduzido aos jogadores como esperávamos e isso é algo em que estamos trabalhando para melhorar. Estou orgulhosa do trabalho feito e mesmo que tenhamos ficado sem tempo, sei que a equipe e eu mesma estamos trabalhando duro para melhorar o jogo, para que a experiência não seja prejudicada pelos problemas.”

Crédito: Divulgação/Colossal Order

Pode ser que tudo não passe de redução de danos. Talvez o protocolo apenas tenha sido ativado e a CEO esteja recebendo apoio do pessoal de relações-públicas antes de interagir com os fãs. Talvez ela tenha realmente percebido que o melhor é assumir os erros e torcer para sua equipe corrigir os problemas que afetaram o jogo.

Em todo caso, fico triste ao ver um jogo tão promissor quanto o Cities: Skylines II ser mais uma vítima da política imediatista de uma desenvolvedora/editora. No estágio em que ele se encontra atualmente, a certeza é que provavelmente ainda seriam preciso alguns meses de polimento, mas se os envolvidos podiam lucrar com a venda de um protótipo, por que não o fazer?

Eu perdi as contas das muitas horas que passei no primeiro jogo, tanto no PC quanto no Xbox One e estava ansioso pela chegada desta continuação. Hoje fico feliz por não ter apostado na sua aquisição, pois o melhor mesmo é esperar até que essa criação da Colossal Order esteja minimamente aceitável.

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