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Não entre em pânico mas as fitas K7 estão com os dias contados

Fitas K7 estão cada vez mais próximas de seu fim, a cadeia de produção está nas últimas, dependendo de uma única fornecedora de matéria-prima

18/11/2019 às 18:58

Que me perdoem os donos de MP15, mas a forma mais prática, simples e eficiente de mídia musical já inventada são as Fitas K7, e é com tristeza que começamos a perceber que ela está finalmente nos deixando.

Fitas K7, millenials, millenials, fitas K7

Fitas K7, millenials, millenials, fitas K7

Quem lembra do inferno dos cartões de memória alguns anos atrás (SD, MiniSD, MicroSD, MMC, Memory Stick, Memory Stick Pro, Compact Flash, XD Card, Memory Stick Duo, PCMCIA, etc etc etc acha que no tempo das fitas K7 era mais tranquilo, mas em verdade quem assina o Techmoan sabe que foi a mesma desgraça, anos e anos de formatos incompatíveis competindo entre si, fitas que variavam em velocidade, número de trilhas, qualidade.

A Fita K7, adaptação muito bem-vinda para fugir do nada educado nome "Fita Cassette" foi introduzida em 1963 como uma bem-vinda substituição dos gravadores de rolo e os cartuchos de oito pistas, este trambolho aqui.

Cartucho de oito pistas. Um trambolho perto das fitas K7

Cartucho de oito pistas. Um trambolho perto das fitas K7

Ao contrário do LP a fita K7 era portátil e difícil de danificar, podia ser jogada na mochila, carregada no bolso e tratada de forma casual. Depois da padronização darwiniana dos formatos, a incompatibilidade caiu a zero, você podia comprar ou emprestar uma fita com 100% de certeza que seria lida.

A redução do formato foi acompanhada de um igualmente bem-vindo aumento no espaço disponível para músicas, mas mais que isso, fitas menores possibilitaram a criação dos players portáteis, iniciando esta revolução:

Walkmen eram maravilhosos mas foram dizimados pelos iPods da vida, apesar da certeza dos fãs da Apple que entrar no mercado de música era uma ideia idiota e sem futuro. Logo todo mundo parou de comprar fitas, e os EUA hoje têm uma única fábrica produzindo fitas K7, mas graças a obras saudosistas como Guardiões da Galáxia e Stranger Things, as fitas estão voltando, e apesar de insignificante comparadas até com LPs, as vendas só aumentam.

Claro, é nicho, ninguém em são consciência trocará o Spotify por uma fita k7 de 60 minutos e um Walkman que hoje é um trambolho, e os equipamentos são tenebrosos. Ou você compra um tape deck caríssimo no eBay ou um player portátil xing-ling de abominável qualidade, e mono, claro. Só existe uma fábrica, na China, construindo os módulos mecânicos para tocadores de fitas K7.

Essa escassez de recursos foi agravada quando a National Audio Company, a única empresa dos EUA que ainda produz fitas k7 emitiu um comunicado para seus clientes: Não estão conseguindo comprar a matéria-prima necessária para as fitas magnéticas, óxido férrico gama de alto grau de pureza, ou γ-Fe2O3.

Encontrada naturalmente em Hematita, essa forma de óxido férrico se estabiliza em uma estrutura cúbica, e por causa disso (acho) apresenta propriedades magnéticas, o que a torna ideal para o uso em fitas K7.

Ele também pode ser sintetizado de FeO(OH), mas o importante é que somente uma fábrica no mundo refina γ-Fe2O3 com o grau de pureza exigido pena National Audio, e essa fábrica entrou em reformas  no começo de 2019, as entregas atrasadas já passavam de 50 toneladas.

A fábrica prometeu entregar pelo menos 11 toneladas até o final de Outubro, mas o problema é mais sério. Temos uma única fábrica de fitas que depende de um único fornecedor. Em 2015 a National Audio vendeu US$5 milhões, o que é troco de pinga, e se levarmos em conta que a matéria-prima é só uma fração desse custo, os chineses não estão faturando muito também.

Logo vai se tornar economicamente inviável produzir novas fitas, como está acontecendo com os filmes fotográficos. Hoje há 12 fábricas no mundo produzindo filmes, a maioria adaptando filmes de 35mm de cinema para cartuchos de fotografia.

A turma da nostalgia precisa se precaver, montar um bom estoque de fitas, e é bom que museus façam a mesma coisa. A marcha do tempo é cruel e não pára pra ninguém.

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