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Tesla vai ganhar US$500 milhões sem vender um carro sequer. Thanks, Greenpeace!

23 semanas atrás

Esse carrinho aqui da foto é um Bugatti Veyron. É o carro de rua mais rápido do mundo. É uma maravilha tecnológica que com rádio, ar-condicionado e bancos acolchoados atinge 431Km/h. Isso pesando duas toneladas. Um Fórmula 1 que pesa 1/3 disso tem o recorde de velocidade da categoria de 372.6Km/h, estabelecido por Juan Pablo Montoya em 2005, mas mesmo assim a Bugatti tem um problema.

Curiosamente o fato de cada Bugatti ser vendido a US$2,25 milhões mas custar uns US$5 milhões para ser produzido não é o problema. Eles são demonstradores de tecnologia, uma amostra do que o conhecimento humano, nossa tecnologia e vontade consegue fazer quando dedicamos tempo e dinheiro a um projeto.

Mesmo o consumo não é (diretamente) problema, tá certo que em velocidade máxima ele faz 0.78 litros por Km, consumindo 5.3 litros de gasolina por minuto, o problema é que nesse processo ele emite 596g de CO2 por Km.

Esse valor é bem alto, ele tecnicamente é o carro mais poluente da Europa, e o continente que nos deu Aston Martin, Ferrari, Lamborghini, Porsche, McLaren, Maserati, Pagani e o Koeniggggsenisseggsegnignigsegigisegccx2 odeia super-carros. As regras de emissões de poluentes atingiram em cheio os veículos com motores de maior cilindrada, com multas pesadas para quem ultrapassa os limites.

Uma saída para os fabricantes como a Bugatti é que as emissões são medidas como um todo, assim fabricantes com frotas variadas podem compensar carros que ultrapassem os limites com carros que funcionem abaixo deles. Como a Bugatti é da Volkswagen, é mais tranquilo, mas e fabricantes isolados, como a Noble e a Pagani?

A Ferrari é da Fiat, então não deveria se preocupar, mas ficou evidente com os escândalos de fabricantes mentindo nas emissões de dióxido de carbono de seus modelos diesel que ninguém está pronto pra se adequar aos limites mais restritos, mesmo nos EUA, onde pegos de calça curta a Fiat Chrysler para não ser processada por mentir nos testes de emissões chegou a um acordo onde pagaria US$800 milhões.

A legislação européia está pegando pesado, e como os fabricantes empurraram com a barriga agora estão com um problema: A média de emissão para seus carros não pode passar de 95g de CO2 por Km, para 95% da frota até 2020, e em 2021 esse valor tem que abranger 100% da frota.

95g é um valor bem baixo. Mesmo o Ford Mondeo, que está longe de ser um veículo de alta performance emite 119g de CO2/Km, mas não quer dizer que não seja possível. O Toyota Prius por exemplo por ser um híbrido otimiza o consumo e mantém emissões na casa dos 78g/Km.

E como o Prius tem ZERO performance, ela não é afetada para atingir a taxa de emissões, mas nem de longe ele é um exemplo a ser seguido. Quando querem os fabricantes conseguem extrair muito mais de muito menos. Que o diga este bicho aqui, o Porsche 918 Spyder.

Ele tem um motor V8 4.6 Litros de 618 Harry Potters, atingindo velocidade máxima de 351.5Km/h. Também tem dois motores elétricos e uma bateria com autonomia de 30Km. Em modo 100% elétrico ele atinge 150Km/h. A bateria pode ser alimentada por uma tomada, por freios regenerativos ou pelo motor.

É possível rodar com o 918 em modo 100% elétrico, com o motor apenas carregando a bateria ou com o motor produzindo energia para os dois motores elétricos E tração para as rodas, nesse modo a potência total do carro chega a 875HPs. O Bugatti Veyron tem 1100.

Agora quanto CO2 o Porsche 918 Spyder emite? 70 gramas por Km.

Isso mesmo, o hyper-carro esporte quando dirigido na cidade em velocidade normal é menos poluente do que um Ford Mondeo ou mesmo um Toyota Prius.

E a Tesla?

O Spyder é a prova de que a tecnologia para reduzir emissões existe, só custa caro e é mais barato subornar políticos e mentir nos testes, mas agora essa farra acabou, e para evitar multas monstruosas as montadoras estão apelando para os fabricantes de carros elétricos, que como produzem carros com emissão zero, ficam com "créditos", e dependendo do caso até ganham mais créditos de incentivo por serem "ecologicamente corretas".

Nos EUA e na Europa é possível a montadoras se associar e incluir frotas de outras empresas em seu pool, é assim que as pequenas butiques de carros de luxo sobrevivem, mas no caso das grandes o negócio sai caro. Em pelo menos 10 Estados americanos além dos limites de emissão de poluentes as empresas são obrigadas a produzir um determinado percentual de veículos de emissão zero, e nessa brincadeira a Tesla fatura, e bem.

No terceiro trimestre de 2018 a Tesla teve um lucro de US$312 milhões. Desses quase US$190 milhões vieram da venda de créditos para outras montadoras. Ou seja: A Tesla vende o carro, fatura a venda, recebe o crédito por vender um veículo não-poluente e revende esse crédito para outra montadora.

Na Europa é a mesma coisa, e dessa vez o negócio é grande. Estima-se que os créditos de emissões envolvidos totalizem US$500 milhões, isso relativo a 2020 e 2021, e que os pagamentos comecem ainda em 2019.

A Velha Indústria está literalmente financiando sua própria destruição, por falta de visão e incapacidade de se adequar aos novos tempos. No mínimo está divertido de acompanhar.

 

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