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Tabloide chantageia Jeff Bezos ameaçando postar fotos de sua trosoba

10/02/2019 às 19:14

Senta que lá vem (muita) história, envolvendo presidentes laranjas, advogados, empresários corruptos, FBI, desvio de verbas de campanha e damas que trocam favores por dinheiro.

Jeff Bezos, 2019, pós-divórcio

A eleição de Donald Trump 2016 nos EUA foi algo tão fora do normal que pra muita gente a ficha de que Donald Trump ainda não caiu, mas pouca gente esperava que ele fosse tão enrolado. Desde antes da eleição já rolavam histórias do filho (não lembro se o Fávio Trump ou o Carlos Trump) se encontrando com russos para obter material contra Hillary Clinton, mas a bomba estourou mesmo nas mãos de Michael Cohen.

Cohen foi advogado de Donald Trump de 2006 a 2018. Vamos ver se consigo uma boa referência pra explicar o papel dele:

Cohen era o "facilitador" de Donald Trump, ele resolvia todos os problemas constrangedores que Trump não poderia se envolver pessoalmente. Isso ia de fazer com que a mídia ocultasse alegações de estupro de sua ex-mulher, Ivanna Trump, a exigir que o Onion retirasse do ar um artigo humorístico "assinado" por Trump com o título "Quando você estiver pra baixo lembre-se que daqui a uns 15 ou 20 anos eu estarei morto".

Ele também cuidava de casos mais sérios, como organizar o pagamento de US$130 mil em 2016 para comprar o silêncio da atriz pornô Stormy Daniels, com quem Donald Trump teve um encontro sexual em 2006.

A confusão começou quando surgiu a suspeita de que Cohen tivesse usado dinheiro de campanha para pagar a Stormy. Trump inicialmente negou o incidente, depois Cohen disse que pagou do próprio bolso (e abriu uma empresa só pra isso) e mais tarde Trump o pagaria de volta.

Ele também cuidou do pagamendo de US$150 mil para Karen McDougal, uma ex-coelhinha da Playboy com quem Trump supostamente teve um caso por um ano.

Entre outros feitos de Cohen está receber entre US$400 mil e US$600 mil para organizar um encontro entre trump e Petro Poroshenko, Presidente da Ucrânia, a compra de quatro prédios entre 2011 e 2014, por US$11 milhões e a posterior venda por US$32 milhões, e negociações para a construção da Trump Tower em Moscou, caso que aliás rendeu uma condenação por perjúrio. Ele mentiu sob juramento pro Congresso e pro FBI.

Karen McDougal não foi um caso único, ela voltou à baila quando o National Enquirer, aquele tablóide que adora achar Elvis comprou os direitos da história dela com Trump. Cohen abriu uma empresa para comprar do jornal os direitos da história, e enterrá-la. Tipo o Doug de House of Cards fazia, mas enterrando a notícia, não a mulher.

Esse tipo de jogada é conhecido com catch-and-kill, Capturar e Matar, é como políticos e gente importante se livra de reportagens inconvenientes. Quando não dá você liga pro SBT e manda demitir o Danilo Gentili.

Cohen era especialista nisso, e fez várias dessas operações em conjunto com o National Enquirer, sob supervisão de David Pecker, CEO da American Media, empresa que publica entre outras revistas e jornais O Star, Sun, Weekly World News, Globe, Men's Fitness, Muscle and Fitness, Flex, Fit Pregnancy, e a Shape.

Quando ficou evidente que estava rolando uma acobertação geral por parte do grupo, com matérias sendo compradas e mortas, e em Abril de 2018 o FBI invadiu o escritório de Michael Cohen atrás de provas. Para azar geral ele tinha mania de gravar conversas, incluindo com Trump.

A coisa ficou feia pois por mais que haja liberdade de imprensa, usar a mídia pra influenciar eleições é um grande não-não nos EUA, ao menos da forma com que o National Enquirer fez, e pior que isso só se o próprio candidato e seu advogado estivessem metidos nisso.

Com as gravações de Cohen e o depoimento de Pecker, o FBI foi mais a fundo, e ofereceu em Agosto de 2018 Imunidade a Pecker, se ele colaborasse com informações sobre o conhecimento de Trump das atividades de Cohen. Trump entrou em modo Full Lula dizendo que não sabia de nada, Cohen agiu sozinho, nem era tão próximo assim, etc, etc.

Para encurtar uma história que nem tem fim, Cohen foi condenado em Dezembro de 2018 a 3 anos de cadeia e US$50 mil de multa, depois de se declarar culpado de 8 acusações de violação de uso de verbas de campanha, fraude bancária e fraude fiscal, com objetivo de beneficiar a campanha presidencial de Trump em 2016. Ah sim por mentir ao FBI e ao Senado ele pegou mais 3 meses de cadeia.

Apesar da investigação, Pecker continua fiel a Trump, de quem é amigo pessoal, e aparentemente não está gostando da atenção que o caso ganhou na mídia, principalmente no Washington Post, que vem cobrindo exemplarmente o caso.

O National Enquirer já vinha atacando o dono do Washington Post, Jeff Bezos, mas eram golpes acima da cintura, normal esperado de um tablóide de 5a categoria que vive de fofocas.

Não que Bezos não mereça, ele não é santo nessa história, o divórcio mais caro da História da Humanidade foi culpa dele, que foi idiota e canalha.

Na foto acima Bezos, do lado da amante, Lauren Sanchez e seu marido (seu dela, não do Bezos) Patrick Whitesell. De quem era amigo pessoal. Isso mesmo, Bezos violou a regra Número 1 do Bro Code: Bros before Hoes.

O problema é que o Pecker resolveu usar o National Enquirer, ou mais precisamente a American Media, Inc para chantagear Bezos. Em uma série de emails eles basicamente exigem que o Washington Post pare de cobrir as denúncias sobre o National Enquirer, ou do contrário irão publicar fotos íntimas de Bezos.

Sabiamente Jeff Bezos não negocia com terroristas, e fez a única coisa capaz de deter chantagistas: Tornou pública a chantagem. Em um post no Medium com título "Não obrigado, Mr Pecker" Bezos detalha todas as mensagens, incluindo as partes que descrevem as fotos que os chantagistas dizem ter.

A parte mais engraçada é quando alegam que a publicação das fotos provará aos acionistas da Amazon que Jeff Bezos não é competente para ser CEO da empresa. Bezos respondeu:

"Eu fundei a Amazon em minha garagem 24 anos atrás, e levava os pacotes no correio eu mesmo. Hoje a Amazon emprega mais de 600 mil pessoas, encerrou o ano mais lucrativo de sua história, mesmo investindo pesado em novas iniciativas, e é normalmente listada entre a 1a e a 5a empresa mais valiosa do mundo. Vou deixar esses resultados falarem por si mesmos"

Pra quem ficou curioso em ver a trosoba do Bezos.

A caca atingiu o ventilador de uma forma assustadora, a mídia toda começou a correr atrás e a situação ficou feia para David Pecker, e outros tablóides adoraram a oportunidade (Pecker é gíria pra pênis):

Agora a parte divertida: Não é só zoeira que está rolando pro lado do Pecker. Caso role uma investigação criminal e chegue até ele, o Departamento de Justiça pode anular a imunidade dada a ele, e processá-lo por todos os crimes identificados, inclusive os que ele ajudou a elucidar.

E piora: Outras pessoas estão aparecendo dizendo que foram chantageadas ou ameaçadas pela AMI e o National Enquirer. Terry Crews foi ameaçado por causa de um processo que moveu contra a agência WME Entertainment e Adam Venit, por assédio sexual.

Ronan Farrow também disse ter sido ameaçado "Pare de investigar ou vamos arruinar você" e sabe de outro jornalista que também foi alvo de chantagem.

A segurança de Bezos estava a cargo de  Gavin de Becker, um especialista bem popular em Hollywood, e que entre outros méritos namorou a Carrie Fisher.

Gavin não acha que foi caso de hacking, e Jeff Bezos não é exatamente um usuário novato, ele entende o bastante de segurança pra não instalar qualquer app nem usar 12345 como senha de seu celular. Ele é um dos alvos mais visados do planeta, se fosse fácil entrar no telefone dele roubariam mais do que fotos do bilau.

As hipóteses envolvem alguém do FBI que tenha sido comprado pelo National Enquirer ou mesmo uma potência estrangeira, mas algo chama a atenção nisso: Bezos não está processando ninguém. Assim como o Pica-Pau ele não procurou a polícia.

Isso levanta uma terceira e curiosa hipótese: A falha foi no lado da amante, agora namorada, Lauren Sanchez. Ela é um alvo bem mais simples, e Gavin logo chegou a um nome interessante: Michael Sanchez, irmão de Lauren. Ele é republicano de carteirinha, fã do Trump, conselheiro presidencial e deixa isso claro no Twitter, atribuindo tudo de errado a fake news.

Gavin trocou vários emails com Sanchez, que jurou não ter nada a ver com o caso, está chocando, etc, e lançou uma investigação por conta própria, suspeitando de governos estrangeiros, empresas rivais e até do "deep state", o Governo Secreto dentro do Governo. Dan Brown ficaria orgulhoso.

Ou seja: O principal suspeito da história é o cunhado, mas como cunhado não é parente mas é uma praga, Bezos não pode fazer nada, uma investigação que chegasse a Michael Sanchez garantiria a Bezos uma eternidade dormindo na casa do cachorro e a patroa todo dia compraria uma calça jeans de pijama pela Amazon Prime.

 

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