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IBM Watson Health não estaria cumprindo o seu papel

O Watson Health, o sistema de IA médico da IBM vem sendo acusado de não funcionar como deveria, ao apresentar resultados inferiores aos esperados

1 ano atrás

A IBM prometeu que o Watson Health representaria uma revolução na ciência médica, mas ela ainda deve demorar um pouco mais a chegar: desde o ano passado, o sistema de Inteligência Artificial e computação cognitiva vem recebendo duras críticas por não fazer o que dele se espera, ao dar diagnósticos errados e até mesmo recomendar tratamentos controversos.

Some a isso recentes mudanças na liderança do setor, e temos um provável cenário em que o projeto não anda muito bem das pernas.

O Doutor, de Star Trek Voyager / Watson

As críticas se concentram especialmente no Watson for Oncology, a divisão do sistema da IBM criada especificamente para as pesquisas relativas ao câncer. Foi ele que em 2016 salvou a vida de uma paciente no Japão, ao analisar mais de 20 milhões de estudos clínicos e o caso em particular, e em dez minutos apresentar um tratamento totalmente diferente do que o que vinha sendo utilizado, mas não dava resultados.

No Brasil, o Watson for Oncology é utilizado desde 2017 pelo Hospital do Câncer Mãe de Deus do Rio Grande do Sul, o primeiro da América Latina a firmar tal parceria com a IBM.

Só que as coisas não andam muito bem para o Watson. Segundo Laura Craft, vice-presidente de pesquisa do setor de estratégia de saúde do Gartner, o sistema se saiu particularmente mal nos resultados do último trimestre, mas as reclamações se acumulam pelo menos desde o ano passado. Em julho último, um relatório do portal de saúde Stat divulgou que o Watson frequentemente recomendava tratamentos inseguros e incorretos, mesmo em situações em que a IBM estava promovendo a tecnologia, algo que a empresa já havia detectado em 2016.

Como vivemos dizendo, nenhum sistema é 100% perfeito e no caso do Watson, bem como de outras redes neurais e plataformas cognitivas, ele depende enormemente da base de dados com a qual é alimentado, para que ele possa analisar os estudos e casos, para só então apresentar diagnósticos precisos. Basicamente, a IBM teria tido muito pouco tempo para conseguir pessoal qualificado e dados de qualidade para fazer do Watson Health uma ferramenta verdadeiramente disruptiva.

A pressa da empresa em conseguir resultados e o marketing agressivo, uma característica da empresa, os levaram a escolher dois campos tradicionalmente complicados: a genômica e a oncologia. O resultado, como se vê, fica abaixo do desejado ou do defendido pela IBM. De acordo com Cynthia Burghard, diretora de pesquisa do IDC para Estratégias de Transformação de TI de Cuidados de Saúde Baseados em Valor, a companhia "atirou no pé" ao mirar em algo tão complexo como a assistência médica, e recentes mudanças na hierarquia interna também podem ter causado danos à administração do Watson.

Início conturbado

Unidade do IBM Watson, de Nova Iorque

Os primeiros testes do Watson for Oncology, realizados em 2012 no M.D. Andersosn Cancer Center, na Universidade do Texas, não foram muito bons. Inicialmente voltado para diagnósticos de leucemia mielomonocítica crônica, em 2013 ele foi expandido para incluir mais cinco tipos adicionais, e em 2014, câncer de pulmão.

Os experimentos foram interrompidos tempos depois, quando uma auditoria interna revelou que o Watson não era capaz de se integrar ao sistema de registros médicos do Anderson Cancer Center, assim ele utilizava outra base de dados. No fim, o desenvolvimento conjunto foi interrompido em 2015, e o suporte foi encerrado pela IBM em 2016. O resultado final da auditoria foi de que o sistema "não estava pronto para uso humano, experimental ou clínico".

A IBM promoveu a tecnologia em outras clínicas e centros médicos, como o Memorial Sloan Kettering Cancer Center, que afirmou ao site ComputerWorld "não utilizar o Watson", já outros parceiros, como a Mayo Clinic e o Highlands Oncology Group (HOG), que ainda são vitrines do Watson, não retornaram contatos ou afirmaram (no caso do HOG) serem impedidos de comentar qualquer coisa, por terem assinado um NDA (non-disclosure agreement, um acordo de confidencialidade).

A IBM se defende

Em agosto, o então VP sênior de Soluções e Pesquisas Cognitivas da IBM John Kelly (hoje líder do Watson Health no lugar de Deborah DiSanzo, que continua na equipe de soluções cognitivas da IBM) saiu em defesa do Watson, em resposta a um artigo do The Wall Street Journal sobre a ineficiência do sistema em avançar a medicina. O executivo apontou que a empresa de fato apostou alto, mas não reconhece que a plataforma não tenha trago benefícios ao setor, tendo como base os depoimentos dos profissionais entrevistados.

Já Ed Barbini, vice-presidente de Relações Externas da IBM nega veementemente que o Watson tenha fornecido diagnósticos errados ou sugerido tratamentos controversos, mas reconhece que o trabalho necessário para fazer o sistema, especialmente o Watson for Oncology é difícil, mas exatamente por isso que a empresa teria investido pesado nela nos últimos três anos:

"Você acha mesmo que dominaríamos a oncologia em três anos? Vejamos os fatos: mais de 230 hospitais usam uma de nossas ferramentas de oncologia. Tivemos 11 atualizações (de software) no último ano e dobramos o número de pacientes, para mais de 100 mil até o final do terceiro trimestre."

Ainda assim, segundo Laura Craft, a IBM vem sendo afetada pela má publicidade, por ter prometido algo que ainda não foi capaz de entregar; na sua opinião, o Watson deveria ter passado mais tempo em testes antes de ser lançado comercialmente, e na melhor das hipóteses levará de 10 a 15 anos para que a plataforma seja plenamente confiável.

Isso não é necessariamente ruim, como sistema especialista o Watson é uma tremenda promessa, basta a IBM não colocar o carro na frente dos bois.

Com informações: ComputerWorld.

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