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Incrível, F-35 deu uma dentro com pouso inédito feito por ingleses

A Marinha Inglesa pousou um F-35 B em um porta-aviões. A rigor não é notícia, mas eles testaram um modelo de pouso híbrido que simplifica a construção do navio

1 ano atrás

O F-35 é o típico projeto militar: custou caro demais, demorou tempo demais, é cheio de defeitos de projeto e de fabricação, mas é grande demais para ser cancelado, e dado tempo e dinheiro suficientes, vai se tornar um bom avião. Quer dizer, tecnicamente já é, Israel está fazendo picadinho das defesas russas usadas pela Síria graças ao F-35, mas nos EUA no momento toda a frota está em terra, uma tubulação de combustível suspeita fez o Pentágono entrar em Full Capitão Nascimento e dizer que não vai subir ninguém.

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Incrivelmente, do outro lado da poça, os ingleses avançaram nas qualificações do F-35 em seu novo porta-aviões, o HMS Queen Elizabeth. Principalmente, por necessidade.

Veja este F-14, com uma carga completa de mísseis AIM-54 Phoenix:

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Projetado no começo dos anos 60 e com primeiro lote de produção em 1966, o Phoenix é uma maravilha tecnológica, capaz de atingir alvos a mais de 200 km de distância, voando a 5× a velocidade do som. Ele se lança em uma trajetória parabólica, e na parte final do voo vai descendo na banguela, sem motor, o sujeito nem tem ideia do que o atingiu.

O chato é que um Phoenix em 1966 custava US$ 477 mil, ou o equivalente a US$ 3,7 milhões hoje. Se o Tomcat da foto tivesse que pousar sem usar seus mísseis, teria que jogar dois fora, um prejuízo de US$ 7,4 milhões. Motivo? Peso.

Todo avião tem um peso máximo de decolagem e um peso máximo de pouso. É complicado para o trem de pouso e para estrutura do avião pousar pesado demais. Por isso aviões comerciais alijam combustível ou voam por algum tempo antes de fazer pousos de emergência, a não ser que seja realmente imperativo pousar.

No caso de porta-aviões, o buraco é mais embaixo ainda. Quando tudo que impede seu avião de cair no mar é um cabo de aço, seus limites de peso máximo de pouso são bem mais restritos, no caso do F-14 ele só pode pousar com no máximo 4 mísseis Phoenix.

Antigamente era até pior: o procedimento para voos que retornavam com parte da munição não-utilizada era jogar tudo fora, o que acaba ficando bem caro, por mais que bombas sejam baratas. O medo de acidente era maior, e compreensivo. Em 4 de janeiro de 1969 um simples foguete foi disparado sem-querer no convés do USS Enterprise, isso resultou em um incêndio que matou 28 marinheiros, deixou 315 feridos e destruiu 15 aviões.


CriticalPast — Explosions and fire aboard the USS Enterprise (CVAN-65) near Pearl Harbor Hawaii. HD Stock Footage

Hoje, os aviões estão mais seguros e normalmente pousam sem precisar alijar munição, mas no caso dos ingleses e do F-35 é diferente. O Queen Elizabeth não tem catapultas nem cabos de arresto, ele é totalmente voltado para operações com aeronaves STOVL, sigla que significa basicamente pouso e decolagem verticais.

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O F-35B, usado pelos fuzileiros navais americanos e pela marinha inglesa é a versão STOVL. Ele tem um turbofan nas costas e a biqueira do motor se move até 90 graus, gerando a propulsão vertical, mas esse tipo de decolagem limita o peso máximo de armas e combustível que ele pode levar. Os ingleses optaram por uma saída híbrida, uma rampa no porta-aviões proporciona parte do impulso, e o F-35B decola com o turbofan acionado e a biqueira traseira em posição inclinada, gerando propulsão tanto para frente quanto para cima:


LockheedMartinVideos — F-35B Ski Jump Testing

Isso resolve a decolagem, mas e o pouso? No Queen Elizabeth o pouso dos F-35B será vertical, mas se o bicho estiver carregado de combustível e bombas, excede o limite máximo e cai, o que não é bom.

Os ingleses decidiram pelo Shipborne Rolling Vertical Landing (SRVL), um nome chique para uma técnica que mais ou menos reverte a decolagem. Ao invés de tentar pousar verticalmente, o caça vem diminuindo a velocidade e usando os propulsores para gerar empuxo vertical, que normalmente não é suficiente para manter o bicho no ar quando está pesadão, mas é auxiliado pela sustentação gerada pelas asas, o que garante um pouso suave.

Note que ele não precisa de cabos de arresto nem de uma pista enorme, o stress na estrutura da aeronave é muito menor:


Royal Navy — F-35 pilot makes history with revolutionary way of landing jet on board HMS Queen Elizabeth

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