Resenha — Samsung Q8C, uma TV 4K QLED de respeito (e cara)

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A Samsung acredita que o QLED, sua tecnologia proprietária de pontos quânticos é o futuro das TVs. A empresa garante que elas entregam 100% das cores reais e uma taxa de contraste e preto real muito maior ao que modelos LCD, LED e OLED são capazes de reproduzir. A linha Q8C, com aparelhos de 65 e 75 polegadas e sua atual topo de linha e oferece qualidade, design e performance de primeira qualidade, mas tudo isso tem um preço e ele não é nada modesto.

Eu testei a Samsung Q8C de 65 polegadas por um mês, acompanhada da Soundbar M4501 e estas são minhas impressões.


Especificações e Design

Antes de mais nada vejamos a listinha fria:

  • display QLED curvo de 10 bits, 65 polegadas e resolução 4K;
  • taxa de atualização: 240 Hz;
  • HDR: até 1.500 nits de intensidade de brilho;
  • som: Dolby Digital Plus com potência de 60 W, codec DTS e alto-falantes 4.2;
  • sistema operacional: Tizen
  • processador quad-core (RAM não informada);
  • conexões: DLNA, BLE, Wi-Fi, Wi-Fi Direct, Bluetooth, HDMI-CEC (no caso, Anynet+), Steam Link;
  • portas na TV: energia e One Connect;
  • portas no One Connect: quatro HDMI 2.0B, três USB 2.0, uma vídeo componente, uma de vídeo composto, uma Ethernet Gigabit, uma entrada para áudio digital, uma entrada RF coaxial;
  • controle remoto universal com comandos de voz;
  • dimensões: 144 × 91,68 × 37,51 cm (com base), 144,01 x 82,71 x 10,73 cm (sem base);
  • peso: 30,2 kg (com base), 26,5 kg (sem base).

Ao tira-la da caixa o design minimalista, com o corpo curvo e as bordas finas chama muito a atenção. A Samsung escolheu dar preferência a um visual bem simples e limpo, com um pedestal metálico com um suporte que esconde os dois únicos fios que saem do dispositivo, o de energia e do One Connect. A preocupação da fabricante é de passar a ideia de que os televisores da linha oferecem uma solução para a bagunça inevitável dos cabos, que continua lá mas ficarão bem menos evidentes.

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Isso porque o One Connect é um hub que centraliza num acessório à parte todas as conexões que você venha a utilizar. Dependendo da disposição é possível ocultar todos os cabos HDMI, de antena, rede, áudio digital, acessórios USB e o que mais você vier a ligar na sua TV. O reconhecimento é automático, uma vez que a Q8C esteja ligada ela identificará qualquer coisa que você espetar nela.

Esse já é um recurso presente em modelos mais modestos, mas ainda assim é bastante conveniente. O cabo do One Connect é fininho e transparente, e dependendo da instalação pode ser facilmente oculto também; só não consegui melhores resultados porque a estante não colabora.

Em meus testes a Smart TV reconheceu o PS4, o PS3, o Chromecast e o Amazon Fire TV Stick tão logo eles foram espetados no One Connect, mas mais uma vez forcei a barra e espetei o Raspberry Pi. Mais uma vez a TV da Samsung não o identificou e como da outra vez, é preciso  fazer o reconhecimento manualmente porque o aparelho não libera o sinal direto. É um pequeno inconveniente, mas as chances de se espetar algo que a TV não reconheça são muito baixas.

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Em termos de conexões estamos bem servidos, não só pelas várias portas mas também pela compatibilidade com HDMI-CEC (que a Samsung chama de Anynet+), Wi-Fi, Bluetooth, BLE, DLNA e Steam Link, dispensando o acessório dedicado na hora de emparelhar a TV com seu computador. Assim temos um televisor bontito, com uma aparência limpa muito atraente e que oferece um sem número de conexões para o usuário.

Resta saber como ela se comporta no geral.

Performance

A Samsung Q8C testada é a de 65 polegadas (a topo de linha possui 75″), que conta com um display de resolução de 3.840 × 2.160 pixels e taxa de atualização de 240 Hz, o esperado de uma TV premium. No entanto, a tecnologia de pontos quânticos faz seu truque e oferece uma qualidade de imagem sem comparação, com um contraste e definição de preto muito maior do que você poderia esperar de uma TV OLED por exemplo. Mesmo a 55MU6400, a TV 4K intermediária da Samsung que testei anteriormente leva uma surra.

O HDR do modelo possui uma taxa de brilho de até 1.500 nits, e os ajustem oferecem uma qualidade na reprodução de cores em conteúdos compatíveis muito acima do que é visto em outros televisores semelhantes. Quanto à disponibilidade, temos desde vários filmes e série compatíveis com 4K e HDR em serviços de streaming como games para o PS4 Pro e/ou o Xbox One X. Não é como se esse TV ficasse subutilizada, mas ainda não é o cenário ideal.

Para todos os demais há o modo de upscaling, que embora seja uma marmotagem os ajustes da Q8C oferecem uma qualidade final muito boa, enganando os mais desavisados que pensarão que aquele game ou filme em 1080p está rodando em 2160p.

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Controles remotos da Q8C (esq.) e da Soundbar

Falando em jogos, a Samsung Q8C oferece um Game Mode bastante afiado para quem pretende curtir games que exigem reflexos rápidos nela. A qualidade de imagem será um pouco reduzida como é de praxe e o HDR+ fica indisponível com o modo ativo, mas para quem deseja ter todos os frames de animação à disposição esse é um sacrifício necessário. No fim a calibragem é muito boa e não atrapalha o jogador.

Por fim, o controle: ele é universal, conversa com dispositivos HDMI-CEC e é bastante simples, seguindo o design minimalista da TV embora ainda não seja lá muito confiável na hora de utilizar comandos de voz, que ainda não funcionam direito. Fora isso ele comandou tanto o PS4 Pro quanto o Chromecast e o Amazon Fire TV Stick com desenvoltura, sem falar que é perfeito para ajustar as configurações de um acessório adicional que veio junto com a TV para os testes, a Soundbar M4501. Vendida separadamente, ela acompanha o design curvo da Q8C e o acabamento em aço escovado e oferece algumas funções bastante interessantes.

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Como os demais dispositivos, conecta-la ao One Connect através do cabo óptico foi moleza, e uma vez plugada ela foi prontamente reconhecida. Já o subwoofer conversa com a barra via Bluetooth, que também pode ser utilizada como um acessório sonoro por outros dispositivos: você pode emparelha-la com seu smartphone e executar sua playlist do Spotify ou Deezer, mesmo com a TV desligada sem problemas.

Só que o kit de som 2.1 brilha mesmo quando conectado à TV: a qualidade de som do aparelho, que já é boa com potência de 60 W dispara para 260 W, e a sensação é de um som ambiente muito mais envolvente, seja em filmes, seja em games. A Soundbar conta com um controle próprio também universal, que pode ser usado para controlar inclusive a Q8C.

Na parte do sistema operacional, o Tizen se mostra muito mais útil numa TV do que em outros acessórios da Samsung: as animações são fluídas e há uma boa opção de apps a serem instalados, porém a quantidade ainda está bem aquém do ideal. Tanto a Samsung quanto a LG, que utiliza o webOS sabem que a variedade nunca será comparável ao Android TV que roda em televisores da Sony, Panasonic e outras fabricantes e ambas buscam se concentrar na qualidade ao invés da quantidade. Assim, temos os velhos suspeitos YouTube, Netflix, Amazon Prime, Globo Play, Spotify e vários outros que não podem faltar de jeito nenhum, mas se você procurar algo mais específico, a Q8C pode te deixar na mão.

Nada que o Chromecast ou o Amazon Fire TV Stick não resolvam, no entanto.

Conclusão

A linha de televisores Q8C da Samsung é a atual top de linha de seus modelos QLED disponível no Brasil (a Q9F de 88″, com HDR2000 ainda não veio para cá), são modelos com um excelente design e que mais uma vez fazem um uso inteligente do One Connect, o hub acessório para organizar e esconder a bagunça dos fios atrás do aparelho. A qualidade de imagem do modo HDR+ é incomparável, o som já é muito bom e com a Soundbar fica ainda melhor e seu modo de upscaling é muito bom, disfarçando muito bem obras em 1080p na resolução nativa.

Para quem utiliza a TV como um hub multimídia, o Tizen se sai muito bem como sistema operacional e há diversas opções de apps compatíveis (não tanto quanto o Android TV, claro); os gamers terão à disposição um display curvo com uma boa taxa de delay, o suficiente para não sofrer em títulos que exigem respostas rápidas e por ser compatível o Steam Link, o aparelho dispensa a caixinha na hora de conectar seu PC via Wi-Fi.

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O ponto mais incômodo da Q8C, tirando o reconhecimento de voz (que não é mais do que um gimmick, convenhamos) evidentemente é o preço. Por ser um produto que utiliza tecnologia de ponta a Samsung não pega leve, hoje este modelo com 65 polegadas é vendido por cerca de R$ 15 mil, e o de 75″ pode chegar a até R$ 29 mil; já a Soundbar, que precisa ser adquirida à parte possui um preço sugerido mais civilizado entre R$ 1,8 mil e R$ 2 mil, mas ainda assim é um investimento alto para quem deseja adicionar som de qualidade ao seu televisor normal ou utiliza-la com dispositivos móveis.

Sim, é um produto de nicho para quem procura estilo, design e qualidade estonteante de som e imagem e mais importante, está disposto a pagar muito caro por tudo isso. Se for o seu caso, a linha Q8C é uma excelente pedida.


Samsung apresenta novas TVs Qled no Brasil

Pontos Fortes:

  • lindo design, limpo e que busca esconder a bagunça dos fios (o One Connect é uma ótima ideia);
  • o sistema de reconhecimento automático de dispositivos é muito bom;
  • tecnologia QLED entrega uma soberba definição de imagem no modo HDR+ e tempo de resposta competente no Game Mode;
  • a Soundbar é um excelente acessório, que se justifica por si só.

Pontos Fracos:

  • o preço faz desta TV (e da Soundbar) um produto para poucos abastados;
  • o comando de voz não é tão preciso;
  • o Tizen ainda possui menos apps do que o ideal.

Agradecimentos à Samsung por gentilmente nos ceder o produto para testes.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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