Sprint e T-Mobile desistem de planos para fusão

É, não deu certo

A novela enfim acabou e não teve final feliz: as operadoras Sprint e T-Mobile não chegaram a um acordo e anunciaram oficialmente o encerramento das negociações sobre uma fusão, o que teria criado uma concorrente forte o bastante para bater de frente com as líderes AT&T e Verizon nos Estados Unidos.

Em uma nota conjunta publicada pelas companhias, os CEOs John Legere (T-Mobile) e Marcelo Claure (Sprint) afirmam não terem chegado a termos aceitáveis para ambas as partes sobre a administração da empresa resultante da união de seus poderes negócios e isso envolve também as donas de ambas as companhias, respectivamente a Deutsche Telekom e o Grupo SoftBank. A companhia do magnata japonês e investidor Masayoshi Son procurava uma solução para a problemática Sprint, que não dá lucro a uma década e apesar de contar com a maior fatia das licenças de 2,5 GHz dos EUA, tal vantagem some dentro da má fase que a companhia passa.

A intenção de Son originalmente era fazer uma troca de ações que avaliasse a Sprint perto do valor de mercado e sem perdas, enquanto a Deutsche Telekom buscava fechar um acordo que lhe desse controle sobre a nova empresa; a operadora resultante seria a terceira maior dos EUA e embora essa posição seja hoje ocupada pela T-Mobile, com a Sprint na quarta posição, sozinhas elas não fazem cócegas nas líderes. Juntas, se tornariam uma força considerável no mercado de telefonia e internet norte-americano.

Lojas da T-Mobile e Sprint na Herald Square, em Nova Iorque

Claure afirmou em sua nota que “embora não tenhamos chegado a um acordo para combinar nossas companhias, nós certamente reconhecemos os benefícios de escala que seriam gerados graças a tal combinação potencial (). No entanto, concordamos que é melhor seguir em frente por conta própria.” O executivo da Sprint acredita que os assets da operadora serão suficientes para mantê-la no jogo por mais tempo mas a verdade é que a o Grupo SoftBank só postergou a cura para a dor de cabeça que sofre há anos.

Já Legere foi bem contundente, afirmando que a T-Mobile não fechará negócios que não sejam vantajosos para seu corpo de investidores, ainda que a fusão com a Sprint fosse uma solução atraente. De certo as condições apresentadas pela concorrente não eram tão boas do ponto de vista de negócios visto que o SoftBank estava tentando se livrar de uma bucha.

Agora, enquanto a T-Mobile permanece numa distante terceira posição nos EUA mas relativamente saudável, a Sprint terá que se virar para continuar no jogo enquanto sua controladora tenta arrumar outra solução para o problema que é a operadora.

Fonte: The Wall Street Journal (paywall).

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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