Embrapa e Qualcomm querem viabilizar uso de drones no campo

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Em evento realizado ontem em São Carlos, SP a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em parceria com a Qualcomm revelou seus planos para potencializar o uso de drones na agricultura, tanto para o grande como para o pequeno produtor. A ideia é automatizar muitos dos processos utilizados hoje e fazer com que os gadgets sejam os “olhos no céu” do agricultor.

A Qualcomm, assim como a SAP entende que transformação digital, diferente de buzzwords da moda como Internet das Coisas é algo que vai moldar os negócios daqui para a frente. Tudo será controlado por software, não dá mais para confiar 100% no peão para contar o estoque na unha ou para garantir uma boa safra. Se até o trator pode ser automatizado, trabalhar sozinho e enviar todos os dados automaticamente para a central de processamento, o que mais falta?

Monitoramento em tempo real, por exemplo. Não dá para contar com tratores e colheitadeiras para isso, e o Zé das Couves não tem dinheiro para manter funcionários em sua fazenda familiar só para isso. Uma solução que grandes e mesmo pequenos produtores tem adotado são drones, programados para fotografar as propriedades e enviar os dados para a central.

Problema: o processo é lento e caro. É preciso de softwares para interpretar as imagens, montar o panorama, analisar o mapa e entregar as informações desejadas ao produtor. Tudo isso custa em torno de R$ 30 mil a R$ 80 mil, dependendo do porte das plantações e das informações que se quer coletar. Mesmo um produtor pequeno não pode arcar com isso, é dinheiro que seria melhor empregado em reinvestimentos na plantação.

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Créditos: Estadão

Então temos a proposta da Embrapa. O programa da agência de pesquisa brasileira, patrocinado pela Qualcomm visa o desenvolvimento de uma nova plataforma integrada, que fará tudo on the go e a um preço irrisório. Pré-programado, o drone fará o mapeamento mas processará todos os dados ainda no ar, enviando para o produtor rural tudo destrinchadinho e pronto para avaliação. Sem intermediários, sem softwares de terceiros.

Isso é possível graças a este carinha aqui:

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Este é o Snapdragon Flight, uma plataforma de hardware desenvolvida pela Qualcomm exclusiva para uso em drones. Esta simpática plaquinha é equipada com um SoC Snapdragon 801, um quad-core de 32 bits com CPU Krait 400 de de 2,5 GHz e GPU Adreno 330. É o mesmo chip que equipou o LG G3 e antes que digam que ele é defasado, não é preciso um SoC de última geração para o que o projeto se propõe a realizar. O Flight utiliza 2 GB de RAM e é equipado com câmera 4K para o máximo de resolução possível.

Segundo o presidente para a América Latina Rafael Steinhauser, o Flight possui tudo o que precisa: visão computacional, câmera excelente, um SoC eficiente, algoritmos de processamento embarcados desenvolvidos pela Embrapa e conectividade, via 4G/LTE. Ela é capaz de captar, processar e transmitir o que está filmando em tempo real para a base, que pode ser um computador desktop (o software padrão foi desenvolvido em Linux, mas isso é o de menos) ou dispositivos móveis, já compatíveis com iOS e Android.

Como a ANAC não permite que drones sejam 100% autônomos e exige que eles sejam monitorados o tempo todo, o usuário pode utilizar seu smartphone, tablet ou desktop para acompanhar o que o drone está vendo e assumir o controle quando desejar, ou apenas deixar que ele faça seu trabalho. Os algoritmos coletam as imagens capturadas, montam um mapa apurado da propriedade e o analisa para gerar relatórios de falhas na plantação (buracos mesmo, do tipo que só são vistos de cima e o peão passando ao largo não enxerga), avanço de pragas e plantas invasoras, stress hídrico (monitoramento da temperatura da plantação, para saber quando irrigar), etc.

A Embrapa está trabalhando para entregar o Flight acoplado a diversos tipos de drones, desde os mais parrudos de dezenas de milhares de reais passando pelos intermediários (como o DJI Phantom 4 da foto que abre o post; ele funciona com hardware próprio mas já é perfeitamente integrado ao programa, e custa em torno de R$ 8 mil) e chegando aos mais simples, e é aí que reside o maior desafio: o desejo da joint é poder praticar preços a partir de R$ 5 mil ou até menos, o que seria excelente para abraçar também não só o pequeno mas o microempreendedor, que tem sua hortinha de produtos orgânicos mas que gostaria de uma ajudinha extra para monitorar suas batatas e cenouras.

Com isso a ideia é pegar o seu smartphone e embarcá-lo em um drone, é exatamente isso do que o programa trata.

O primeiro protótipo deverá ser apresentado em maio do ano que vem, quando então a segunda fase terá início: em parceria com o Instituto de Socioeconomia Solidária (ISES) serão feitos testes de campo com produtores rurais, com duração de dois anos. Só então tendo sido feitos todos os testes e a ANAC dando o parecer final (a legislação brasileira ainda entrava novos empreendimentos com drones), é que os drones da Embrapa e Qualcomm poderão ganhar os céus. Vamos torcer para que dê certo, é tecnologia nacional que tem potencial de ser vendida para outros países.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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