Ronaldo Gogoni 10 anos atrás
Parece que se tornou moda softwares fechados responsáveis por criar obras de arte da animação de tornarem ferramentas de código aberto. Depois do RenderMan da Pixar é a vez do Toonz, programa utilizado pelo Studio Ghibli em clássicos como o vencedor do Oscar A Viagem de Chihiro e pela Rough Draft, o estúdio responsável por Futurama abrir as postas para todos.
O Toonz é um dos mais poderosos softwares que existem quando o assunto é animação tradicional em 2D, sem a necessidade de utilizar as clássicas folhas de papel das quais os mestres não abre mão. Quando se fala em aliar qualidade à velocidade de produção ele é uma mão na roda, salvo raríssimas exceções hoje todo mundo utiliza um software ou outro. Tudo bem que Hayao Miyazaki, cuja tecnofobia é notória prefere animar à mão, mas o grosso do Ghibli nos últimos 30 anos passou pelo Toonz e outros softwares.
Sabe qual foi o último longa-metragem totalmente animado utilizando técnicas tradicionais? Este aqui:
Akira (アキラ) Japanese Theatrical Trailer 1
Akira é o que é porque Katsuhiro Otomo se recusou a depender de software para o trabalho pesado. O filme usou uma quantidade de células absurdas para a época, tanto para o padrão da animação japonesa quanto para o cinema em geral principalmente porque o autor enfiou na cabeça que queria lip sync.
O computador só entrou para adicionar elementos adicionais como vidro se quebrando e paralaxe, entre outros efeitos. Resultado, cerca de 160 mil células de animação foram produzidas. À mão. Em 1988. Não dá para fazer tal coisa hoje em dia.
É aí que o Toonz entra. O Studio Ghibli de Miyazaki, um dos mais conceituados do mundo no que tange à animação e que só encontra paralelo na Disney criou obras incríveis com a ferramenta, desde o já mencionado A Viagem de Chihiro como o clássico Princesa Mononoke (um dos primeiros do estúdio a depender de software), O Castelo Animado e mais recentemente O Conto da Princesa Kaguya, que chegou aos cinemas brasileiros recentemente. Já do lado ocidental a principal produção conhecida que utiliza o software é Futurama. O longa Anastasia também o empregou.
O estúdio italiano Digital Video, dono do Toonz agora julga que o programa merece ser utilizado pelo maior número de pessoas possíveis.
Não mais, Fry. Um acordo entre a Digital Video e a editora japonesa Dwango permitirá que a versão utilizada pelo Ghibli seja convertida em um software de código aberto, passando a se chamar OpenToonz. A novidade entrará em vigor no próximo sábado e o acordo prevê que a Digital Video forneça também todo o suporte necessário para que entusiastas extraiam o máximo do programa.
Convém esclarecer entretanto que o Toonz, assim como o RenderMan precisa fazer dinheiro, portanto uma versão paga mais poderosa chamada ToonzPremium também será disponibilizada.
Essa é uma novidade muito boa para quem depende de boas ferramentas na hora de animar e também para quem quer começar a brincar com isso, sempre bom ter softwares que permitam mais inclusão e suporte oficial, o que é bom para estimular o pessoal.
Fonte: Digital Video.
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