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Foxconn deliberadamente sabota linux?

11 anos atrás

 

O leitor "TheDarkMaster" teve uma pequena discussão (no bom sentido) comigo, a respeito de um texto enviado para moderação. O texto tem pequenos problemas de gramática e algumas expressões que eu costumo barrar, quando faço a moderação. Por um mal-entendido, ele achou que eu fazia parte da "conspiração"... coisa que já foi esclarecida, espero. De qualquer forma, para não ser taxado de "parcial", "vendido" e outras coisas que o pessoal paranóico por aí adora, vou colocar o texto na íntegra e, logo depois, minhas impressões sobre o assunto.pinguimajato

Um usuário de placa mãe da Foxconn incomodado com erros inexplicáveis ao tentar instalar Linux resolveu descompilar a BIOS da placa e descobriu que ao invés de ter apenas uma tabela ACPI (como é o normal) a BIOS possui várias tabelas, as quais ela informa dependendo do sistema operacional usado. E a informada para Linux (e provavelmente para as versões antigas do Windows) é defeituosa e leva à falhas inexplicáveis do kernel (pois ele asssume que a informação dada pela BIOS está correta)

É um problema grave (antes que algum wintard ou similar tente falar, não é só por sabotar o Linux), pois permite que:

- A placa mãe só aceite determinados sistemas operacionais ("patrocinados"?)

- Possa-se forçar o upgrade de sistema operacional, fazendo os anteriores começarem À falhar inexplicavelmente (por receberem informações falsas sobre o hardware)

- Possa-se impedir o uso de sistemas concorrentes (neste caso o Linux)

Até eu estou surpreso como a Microsoft (obviamente a patrocinadora disso) pode ir tão baixo.

Pois bem.

Primeiro: se fosse para prejudicar outro Sistema Operacional, o código teria uma tabela "defeituosa" e outra, padrão. Do tipo: if(Linux){ _tabela_defeituosa} else{_tabela_ok}... não teria tabelas separadas para Windows 2000, NT, 98, Me, XP e Linux. Parece mais uma tentativa de fazer rodar bem todos esses sistemas.

Segundo: a Foxconn não é uma empresinha de fundo de quintal, é a maior exportadora chinesa. "Patrocinar" uma empresa assim custaria caro, mesmo para a Microsoft. Até porque, a fabricante da BIOS é outra empresa... já seriam mais uns trocados.

Terceiro: o mercado de placas-mãe é muito competitivo. Se a Microsoft persuadisse a Foxconn a produzir placas que funcionassem pior em outros Sistemas Operacionais que não os seus, teria que fazer o mesmo com vários outros fabricantes, ou a comunidade GNU/Linux®, BSD e por aí vaí migraria em massa.

Quarto: em toda empresa há bons e maus engenheiros. É por isso que existe "engenheiro de aplicação" e "engenheiro de suporte". Quando se está desenvolvendo aplicações comerciais com a Qt, liga-se para a Trolltech. Quando é Windows Embedded, liga-se para a Microsoft. Quando é para o MontaVista Linux, liga-se para a MontaVista. Quando é para o GNU/Linux® genérico... posta-se num fórum. Ou na lista de desenvolvedores. E, como o pessoal do KDE já deixou claro, eles não têm obrigação alguma de responder.

Quinto: a Microsoft tem programas de certificação, para evitar que esse tipo de erro aconteça com seus sistemas (as placas eram certificadas pela MS). Quem faz esse serviço no mundo GNU? E não adianta choramingar "ah... mas devia ser padrão... o código dos caras suck!". Pois é, deveria. Mas erros acontecem e é por esse motivo que os programas de certificação existem.

Então, o que me parece que aconteceu foi isso: um código mal-feito. Que, aliás, parece já ter sido "remendado" no melhor estilo GNU: o sujeito debugou a BIOS, refez o que achou necessário, fez barulho, a empresa ouviu e vai adicionar seu código ao produto.

Paranóia demais, pessoal... o dia que a comunidade aprender como funciona um modelo de negócio capitalista, esse tipo de coisa acaba.

[via Slashdot]

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