Haters Gonna Love

haters

Talvez o maior efeito colateral da Internet tenha sido agir como catalizadora do negativismo. Na época em que as coisas demandavam tempo e dedicação, as pessoas se dedicavam ao que gostavam. Um fã-clube se reunia para conversar sobre o ídolo, o programa, a banda. Tínhamos uma experiência coletiva entre amigos, gente com interesse em comum.

Hoje como a interação ficou trivial, as pessoas buscam outra forma de se destacar, e aí surgiu o ódio. Ao invés de discutir sobre o ídolo, formam patrulhar raivosas que vagam pela Internet procurando a menor menção minimamente negativo ao ídolo, atacando de forma raivosa. Isso não tem limite, fui ameaçado de processo por uma guria de uns 12 anos no máximo, por ter feito uma piada com o Bob Esponja. Fãs de Justin Bieber e cantoras nordestinas em geral comumente ameaçam de morte que menciona as ditas-cujas.

 

O Orkut era infestado de comunidades de ódio, abrangendo todas as etnias, grupos sociais e bandas de pagode existentes, e deu no que deu. O Facebook também tem suas “cumunidades” mas o ódio consegue ser menos disseminado, por culpa do viés positivo do Like. Você pode curtir algo, mas se não gostar ou deixa um comentário ou faz como na vida real: Vira as coisas e vai embora.

Usuários vivem pedido um botão Dislike, mas é algo que jamais será implementado. Só servirá para disseminar ódio, não há nenhum ganho social em patrulhar páginas alheias, marcando dislike só por implicância.

Então, como ficam os que querem exercer o ódio?
Seus problemas acabaram, surgiu a Hater, uma App de iPhone criada para você interagir com seus amigos (hater tem amigos?) e compartilhar tudo que não gosta.

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Como todo hater é covarde, você pode, além da sua conta, criar um alter-ego, uma segunda camada de anonimato da qual poderá destilar seu ódio sem que corra o risco de ter sua patética existência ameaçada:

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Como podem ver eu inteligentemente usei o mesmo nome no perfil e no alter ego.

É possível marcar e odiar lugares via geolocalização, listar as coisas odiadas mais populares, compartilhar seu ódio no Twitter e Facebook e montar toda uma rede antissocial de ódio. Para quem não quer fazer nada produtivo na vida, é perfeito.

Pior: Há quem ache o máximo, vide o comentário: “Idéia genial mas app muito cheio de bugs ainda”. Meus parabéns aos desenvolvedores, conseguiram começar bem, já fazendo a própria app ser odiada.

Onde e Quanto:

De graça (ódio gratuito é sempre melhor) na App Store.

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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