NFC não decolou. Tem culpa Apple?

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Antes da Era da Conectividade era essencial que um dispositivo móvel tivesse infravermelho. Todo dono de Palm adorava fazer beam de cartão de visitas, contatos telefônicos e outras besteiras. Com o advento do Bluetooth em teoria ficou melhor ainda, bastava você parear os dispositivos, digitar passwords, selecionar aplicações e de forma simples e eficiente no máximo em 10 minutos estava trocando informação.

Quando o iPhone surgiu a Apple apostou na conectividade. Seria mais simples enviar arquivos para a nuvem, para aplicações de que estabelecer conexões temporárias ao vivo. Foi uma aposta enorme, nada do que existe hoje estava estabelecido. Mesmo assim, deu certo, e de sua nuvem no céu (é fato, apareceu nos Simpsons) Steve Jobs riu de quem disse que o iPhone fracassaria por não ter suporte completo a Bluetooth.

Agora a história se repete, com o NFC. A tecnologia de Near Field Communication promete muito e promete bem; pagamentos remotos, troca de arquivos, configuração de WIFI e muito mais. É uma espécie de irmão do Bluetooth com superpoderes e menos burocracia. Só que o NFC sofre do mesmo problema do Videofone e do Croc:

Só funciona se todo mundo usar.

Um bom exemplo são os terminais da Cielo. Os mais modernos estão prontos pra NFC, mas não adianta desenvolver toda a tecnologia por trás do terminal se for usado por meia-dúzia de gatos pingados. Uma máquina de Coca-Cola que utilize NFC, cobrando na conta telefônica. Legal, não? Mas não é viável se venderem 10 latas por mês.

O NFC precisa de uma killer-app. Aparelhos de qualidade já tem a tecnologia, vide o Galaxy SIII.

O que o NFC não precisa é de mimimi, como um relatório da Juniper Research, que culpou a não-adoção do NFC no iPhone pela baixa aceitação da tecnologia.

Dizem eles que sem o apoio da Apple a confiança no NFC entre os lojistas, diminuindo a quantidade de pontos de venda com acesso à tecnologia e consequentemente a visibilidade entre os consumidores, gerando um ciclo de “indiferença ao NFC” blablabla mimimimi…

Então vejamos: A Samsung sozinha tem 32% do marketshare MUNDIAL de Smartphones, a Apple se resume a 15.5%, mas a culpa de ninguém querer usar NFC é da Apple?

Nós já vimos esse filme antes; a Microsoft odiava Bluetooth e não havia incluído suporte no Windows. A Apple odiava apps nativas e só quera webapps. No final o consumidor falou mais alto e mesmo não querendo as funcionalidades foram adicionadas.

Se houvesse uma demanda REAL por NFC a Apple não incluindo suporte estaria se prejudicando. Nada que ela faça pode impedir o sucesso de uma tecnologia atraente. Soaria como pirraça. Pirraça aliás é o que está acontecendo.

Ao invés de justificar a ausência de interesse pelo NFC, deveriam gastar mais tempo tentando torná-lo interessante. E a Apple que se rale.

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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